Moçambique: “O Papa achou melhor que eu saísse e fosse trabalhar em outro lugar”, afirma D. Luiz Lisboa, ao deixar Diocese de Pemba (c/vídeo)

Foto: Vatican Media

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18 Fevereiro 2021

Arcebispo brasileiro considera "normal" receber uma nova missão, reconhecendo haver "pessoas descontentes" com os seus pronunciamentos.

A reportagem é publicada por Agência Ecclesia, 12-02-2021.

D. Luiz Lisboa, até agora bispo de Pemba, disse à Agência ECCLESIA ser “normal” uma mudança de diocese por vontade do Papa, manifestando vontade de “continuar ligado” à região moçambicana onde esteve 20 anos.

 

O responsável católico foi nomeado esta quinta-feira novo bispo da diocese brasileira de Cachoeiro de Itapemirim; Francisco concedeu-lhe ainda o título honorífico pessoal de arcebispo.

O missionário, natural do Brasil, sublinhou a importância de o Papa se ter comprometido com a causa da paz em Cabo Delgado, no norte de Moçambique, dado que a sua posição “ajudou muito”.

Francisco quis conhecer melhor a situação, chamando-o ao Vaticano, no último dia 18 de dezembro, e “isso com certeza incomodou”.

“O Papa tem muitas informações, que às vezes nem nós mesmo temos. O Papa mostrou-se muito preocupado com a situação de Moçambique, procurou estar muito próximo, enviou ajuda, telefonou, chamou-me para falarmos de frente sobre a situação e achou melhor que eu saísse e fosse trabalhar para outro lugar”, afirmou o novo arcebispo.

D. Luiz Lisboa considera que a Igreja “quando fala, incomoda”, o que aconteceu em “muitos momentos” da história de Moçambique, na divulgação de documentos e comunicados da Conferência Episcopal do país, e agora nos pronunciamentos sobre os conflitos armados em Cabo Delgado.

“Essa guerra incomodou, porque nós nunca deixamos de falar dela, de expor a Moçambique e ao mundo o que se passava em Cabo Delgado”, afirma.

O até agora bispo de Pemba disse ter recebido “recados” a propósito dos seus pronunciamentos públicos e a indicação de “pessoas descontentes”.

“Aconteceu e acontece em todos os lugares, quando a Igreja fala, assim como Jesus Cristo incomodava muito”, lembrou.

D. Luiz Lisboa quer “continuar muito ligado à Diocese de Pemba, ao povo de Cabo Delgado e ajudar” no que for possível.

“Se o futuro bispo permitir e quiser, vou ser um embaixador da Diocese de Pemba. Vou ajudar naquilo que eu puder, porque é uma diocese do coração, o lugar onde pedi para ir e onde fiquei quase 20 anos”, sublinha.

Para o responsável católico, a defesa da paz em Cabo Delgado “é um desejo de todo o Moçambique” e “toda a população quer que aquela guerra acabe”, garantindo que “os bispos vão continuar a pedir que cesse a guerra, que se faça algo mais para que acabe o sofrimento do povo”.

D. Luiz Lisboa referiu-se também à continuidade do trabalho na Diocese de Pemba, que vai ter como administrador apostólico o bispo auxiliar de Maputo D. António Juliasse Ferreira Sandramo, considerando que o responsável vai “dar continuidade ao que os missionários e missionárias têm feito”.

“Toda a Diocese de Pemba, todos os missionários estão envolvidos no atendimento aos deslocados, a responder à crise humana de Cabo Delgado”, sublinhou.

O missionário brasileiro, natural do Rio de Janeiro, de 65 anos de idade, é membro da congregação dos Passionistas, onde se formou, tendo sido enviado para Moçambique em 2001.

O Papa Francisco nomeou-o bispo de Pemba a 12 de junho de 2013, destacando-se, nos últimos anos, na defesa das populações da província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, alvo da violência de grupos que se declaram ligados ao Estado Islâmico.

Sobre a nova diocese, D. Luiz Lisboa disse que “tem muito boas referências” de Cachoeiro de Itapemirim, que abrange 27 municípios do Sul do Estado do Espírito Santo, e considera o facto do Papa lhe ter concedido o título honorífico pessoal de arcebispo é sinal do “carinho ao povo de Cabo Delgado e à Igreja de Moçambique”.

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