O relatório McCarrick reaviva a ira contra a Igreja Católica nos EUA

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13 Novembro 2020

A publicação de um relatório do Vaticano sobre o ex-cardeal estadunidense acusado de crimes sexuais reavivou a ira das vítimas contra a Igreja Católica nos EUA, acusada de não saber assumir ainda todas as suas responsabilidades.

A reportagem é publicada por Religión Digital, 12-11-2020. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

Trinta e cinco anos de impunidade. Essa é a margem da qual desfrutou o ex-arcebispo de Washington D.C. Theodore McCarrick, entre a primeira denúncia contra ele, apresentada por um seminarista a um superior, e sua destituição, no ano passado, aos 88 anos, segundo um relatório da Santa Sé publicado na terça-feira.

“Como vítima é sempre repugnante”, reagiu Mark Rozzi, legislador da assembleia da Pensilvânia, que foi abusado por outro padre quando era pré-adolescente. “É horrível para as vítimas ver que preferiram acreditar nestes depredadores do que nelas”.

Depois uma longa lei de silêncio, a Igreja Católica estadunidense foi questionada publicamente com regularidade durante as últimas duas décadas por ter sido cenário de abusos sexuais, porém também por encobri-los.

O último gesto de transparência, iniciado pelo papa Francisco, é apreciado, mas “o relatório parece-me culpar sobretudo os homens que já morreram”, disse Zach Hiner, diretor-executivo da rede Snap (sigla em inglês para Rede de Sobreviventes dos Abusados por Padres).

Segundo ele, alguns nomes foram omitidos “porque ainda estão no cargo”.

Em 2002, a Igreja Católica nos Estados Unidos adotou normas internas que preveem a comunicação sistemática aos tribunais em caso de suspeitas, abandono de acordos de confidencialidade e sanções internas.

Desde então, os abusos relatados diminuíram significativamente. No entanto, “a conferência episcopal (USCCB) pretende fazer como se fossem escândalos antigos, algo que não acontece mais hoje, exemplos recentes, especialmente aqueles que ocorreram em Nova Orleans entre 2013 e 2015 ou em Michigan em 2013, mostram que não é assim”, enfatiza Zach Hiner.

O chefe da Snap lembra que a idade média em que as vítimas de agressão sexual se declaram como tal é de 52 anos, por isso costuma haver prescrição.

"Traição"

Para levar em conta a demora às vezes considerável entre os fatos alegados e as denúncias, vários Estados recentemente prorrogaram o prazo de prescrição para esses crimes.

Alguns, como Nova York, chegaram a abrir uma janela que permitia às supostas vítimas iniciar processos judiciais por alguns meses, independentemente da data dos supostos fatos. Mais de 3 mil pessoas já se beneficiaram com essa opção.

A medida visa combater a impunidade de centenas de padres sancionados, que normalmente foram afastados da Igreja, mas nunca foram identificados ou acusados em juízo e, finalmente, cobertos pela prescrição. Mark Rozzi espera trazer essa janela para a Pensilvânia no próximo ano.

Para ele, a única maneira de chegar ao coração da Igreja é atacando sua carteira. “A única coisa que a Igreja Católica sempre amou foi o dinheiro”, diz ele. Esta nova onda de acusações perante os tribunais pode elevar a conta de danos e juros e outras indenizações a mais de 4 bilhões de dólares no total desde o início da década de 1980. Declarando-se incapaz de cumprir suas obrigações financeiras, pelo menos 11 dioceses foram colocadas em processo de proteção nos últimos dois anos, de acordo com o site Bishop Accountability.

“Na maioria das vezes é falso”, diz Mark Rozzi, no entanto. Eles “transferem o dinheiro para outro lugar para protegerem seus bens” e não terem que compensar as vítimas.

De acordo com o Pew Research Center, a população católica é, entre as principais religiões, a que diminui mais rapidamente nos Estados Unidos.

“A traição de sua confiança” sofrida por membros da Igreja Católica “atravessou várias gerações”, explica Stephen White, diretor do Catholic Project, iniciativa da Universidade Católica dos Estados Unidos, que visa ajudar a instituição a evoluir. “Restaurar a confiança quebrada levará décadas”, acrescenta.

E apesar de a associação CHILD USA revelar, em relatório publicado em outubro, que a implementação foi desigual, regularmente insuficiente e prejudicada por conflitos de interesse, muitas dioceses buscam evoluir suas práticas para melhorar a transparência, mostrar-se mais vigilante contra o pano de fundo e proteger melhor as supostas vítimas.

 

 

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