Declarações pelo 55º aniversário de Nostra Aetate destacam o crescente antissemitismo

Foto: Vatican News

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31 Outubro 2020

No marco do 55º aniversário da Nostra Aetate, documento do Vaticano II que redefiniu o relacionamento da Igreja Católica com outras religiões, dois importantes parceiros inter-religiosos judeus-cristãos trocaram declarações saudando o progresso entre as duas religiões e chamando a atenção para o crescente antissemitismo em todo o mundo.

A reportagem é de Christopher White, publicada por National Catholic Reporter, 28-10-2020. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

As duas mensagens foram publicadas em 28 de outubro, pelo chefe da Comissão para Relações Religiosas do Vaticano com judeus e o Comitê Judaico Internacional para Consultas Inter-religiosas.

O cardeal Kurt Koch, presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade Cristã, referiu-se a Nostra Aetate como a “Carta Magna das relações católicas-judaicas”, em sua declaração, acrescentando que “ponderando o mistério da Igreja, o Concílio Vaticano II foi pensado para explorar sua relação com os descendentes de Abraão”.

“Nós somos ligados, inseparáveis, pelo fundamento essencial da fé no Deus de Israel, e nós somos unidos pela rica herança espiritual e o legado de um passado compartilhado por muito tempo. O Cristianismo tem suas raízes no Judaísmo; constitui o núcleo de nossa identidade”, escreve Koch.

O rabino Noam Marans, chefe do Comitê Judaico Internacional para Consultas Inter-religiosas, afirmou: “Os judeus acolheram a mão estendida da Igreja e criaram as estruturas religiosas, comunitárias e acadêmicas e as respostas necessárias para fazer parceria com os católicos em uma era que transformou dois milênios de inimizade em uma benção de amizade”.

O Comitê Judaico Internacional para Consultas Inter-religiosas é o maior órgão representativo dos judeus do mundo em diálogo com o Vaticano, o Patriarcado Ecumênico e outras iniciativas ecumênicas.

Marans continuou destacando a amizade “ampliada” entre as duas religiões, como evidenciado por “visitas papais às sinagogas, aos locais horríveis, porém sagrados dos crimes do Holocausto, e ao Estado de Israel após o estabelecimento das relações diplomáticas Vaticano-Israel em 1993”.

O ano passado marcou o 25º aniversário das relações diplomáticas entre a Santa Sé e Israel. Em um discurso em 14 de junho de 2019, na Grande Sinagoga de Roma, o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, disse que os dois estados são parceiros no combate ao antissemitismo.

“A Santa Sé e o Estado de Israel são chamados a unir forças para promover a liberdade religiosa, a religião e a consciência, como condição indispensável para proteger a dignidade de cada ser humano, e para trabalhar juntos no combate ao antissemitismo”, afirmou.

Na quarta-feira, essa ligação foi repetida novamente.

“Em um momento em que o antissemitismo está em alta e a ameaça física às comunidades judaicas e aos indivíduos é muito real, somos gratos pela firmeza do papa Francisco, que se manifestou vigorosa e repetidamente contra este flagelo”, escreveu Marans. Ele lembrou as palavras de Francisco em 2013: “Devido às nossas raízes comuns, um cristão não pode ser antissemita!”.

“Da mesma forma”, disse Marans, “nos solidarizamos com nossas irmãs e irmãos cristãos enquanto enfrentam graves violações da liberdade religiosa”.

Originalmente, a Comissão para Relações Religiosas com os Judeus e o Comitê Judaico Internacional para Consultas Inter-religiosas planejaram comemorar o 55º aniversário da Nostra Aetate em São Paulo no final deste mês, no entanto, a pandemia global forçou o cancelamento da reunião conjunta.

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