A opção dos idosos, em tempos de coronavírus

Mais Lidos

  • “O Papa Francisco está isolado. Nas redes sociais a ala tradicionalista da Igreja está muito mais viva”. Entrevista com Enzo Bianchi

    LER MAIS
  • “A Economia, ela está morta, porque ela deveria estar a serviço das pessoas”, afirma cardeal Steiner na inauguração da 1ª Casa de Francisco e Clara na Amazônia

    LER MAIS
  • São Charles de Foucauld. O irmão universal, místico do silêncio no deserto

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


Revista ihu on-line

Zooliteratura. A virada animal e vegetal contra o antropocentrismo

Edição: 552

Leia mais

Modernismos. A fratura entre a modernidade artística e social no Brasil

Edição: 551

Leia mais

Metaverso. A experiência humana sob outros horizontes

Edição: 550

Leia mais

02 Mai 2020

"Não se trata de estabelecer um princípio absoluto, menos ainda de definir uma política a ser adotada indiscriminadamente, como se alguns grupos pudessem ser considerados, pela idade, como 'descartáveis'. Todos têm direito à vida: não se trata de um bem quantificável, que uns teriam mais e outros menos", escreve Lucia Ribeiro, socióloga.

Eis o artigo. 

Ontem me deparei com uma notícia que me tocou profundamente. Há poucos dias atrás, em Bergamo, na Itália, um sacerdote, já idoso, foi contaminado pelo coronavírus. Seus paroquianos se juntaram para comprar-lhe um respirador. Ele, entretanto, recusou, preferindo que este fosse utilizado por um paciente mais jovem. Consequentemente, faleceu logo depois.

Na realidade, desde que a pandemia começou a se alastrar, comecei a me questionar, sabendo que muitos países – sobretudo os do chamado Terceiro Mundo – com um sistema de saúde precário, não teriam meios suficientes para enfrentar esta terrível situação. E fiquei pensando em nosso papel como idosos. Desde o início somos considerados como grupo de risco, e portanto objeto de cuidados especiais. Mas no momento em que escasseiam leitos de UTI, medicamentos e respiradores, tal situação não deveria se inverter? não deveríamos ser nós, os mais velhos, a dar preferência aos mais jovens? É simplesmente uma questão do tempo já vivido ou ainda por viver...

Não se trata de estabelecer um princípio absoluto, menos ainda de definir uma política a ser adotada indiscriminadamente, como se alguns grupos pudessem ser considerados, pela idade, como “descartáveis”. Todos têm direito à vida: não se trata de um bem quantificável, que uns teriam mais e outros menos.

Aqui, trata-se de uma opção pessoal, livre e intransferível, do idoso. Que normalmente se dá dentro de um contexto familiar, que a condiciona. Mas que expressa basicamente a liberdade de cada pessoa. E parece-me importante, neste momento absolutamente excepcional que estamos vivendo, que nós, idosos, saibamos reconhecer a realidade que nos cerca: se a situação concreta se apresentar, saibamos ter o discernimento para definir prioridades e nos preparar para ter a generosidade – e a coragem! – de ceder nosso lugar ao mais jovem, que tem a vida pela frente.

No mundo cristão, acabamos de celebrar a Páscoa, lembrando que Cristo ofereceu sua vida pela salvação de todos nós. “Forma de amor maior não há, que doar a vida pelo irmão”. Que São Berardelli – que já o é, já que seu gesto esvazia a necessidade de qualquer processo de canonização burocrático - nos dê lucidez para reconhecer a oportunidade que pode vir a nos tocar e nos dê coragem para enfrentá-la!

 

Leia mais

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

A opção dos idosos, em tempos de coronavírus - Instituto Humanitas Unisinos - IHU