O Papa pede aos padres que tenham coragem “de levar aos doentes a força de Deus e a eucaristia”

Papa Francisco celebrando a eucaristia na Capela da Casa Santa Marta na quarta-feira, dia 11 de março de 2020. | Foto: Vatican News

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11 Março 2020

Dá pena ver o Papa “enjaulado”, como o próprio disse recentemente, celebrando a eucaristia quase sem público na capela da Casa Santa Marta. Porém, assim é desde ontem e durante o fragor do “reino” do coronavírus. Em sua homilia, Francisco convidou os fiéis a fugir da “vaidade”, que sempre conduz à doença. Antes de começar a missa pede aos padres que tenham a coragem “de levar aos doentes a força de Deus e a eucaristia”.

A reportagem é de José Manuel Vidal, publicada por Religión Digital, 10-03-2020. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

Desde a sacristia adjacente, o Papa entra acompanhado por um padre. Leva, como é preceptivo da Quaresma, uma casula de cor roxa, símbolo de penitência. Faltando dois minutos para a missa já está preparado na porta da sacristia. Não há canto de entrada e, entre o público, alguns poucos fiéis que residem na Santa Marta.

E antes do sinal da cruz inicial, o Papa diz assim: “Seguimos rezando juntos pelos doentes e os agentes sanitaristas e por todas as pessoas que sofrem desta epidemia. Peçamos também pelos nossos padres, para que tenham a coragem de sair e de visitar os doentes, para levar-lhes a força de Deus e a eucaristia”.

A primeira leitura do profeta Isaías é lida por uma irmã da Caridade: “Deixai de fazer o mal e fazei o bem... Fazei justiça ao próximo... Ainda que vossos pecados sejam como púrpura tornar-se-ão brancos como a neve”.

A segunda leitura do Evangelho de Mateus é lida por um padre. “Jesus falou aos seus discípulos e à multidão e lhes disse: Os mestres da Lei e os fariseus têm autoridade para interpretar a Lei de Moisés. Por isso, deveis fazer e observar tudo o que eles dizem. Mas não imiteis suas ações! Amarram pesados fardos e os colocam nos ombros dos outros... fazem todas as suas ações só para serem vistos pelos outros... não deixeis que vos chamem de guias, pois um só é vosso Guia... o maior dentre vós deve ser aquele que vos serve”.

O Papa dirige-se ao ambão, para pronunciar a homilia, sem papéis, improvisada, seguindo as indicações da Palavra de Deus.

“Ontem a Palavra nos recomendava a vergonha como atitude diante de Deus. Hoje, o Senhor nos chama a dialogar com Ele, porque o pecado nos fecha em nós mesmos... Isso foi o que aconteceu com Adão e Eva que, depois do pecado, se esconderam”, disse o Papa.

O Senhor, diz o Papa, nos chama a falar, depois do pecado, porque ainda que nossos pecados sejam como a púrpura tornar-se-ão brancos. “Recordo aquele santo que rezava muito, porém o Senhor não estava contente. Um dia o santo se irritou com o Senhor: ‘Não te entendo. Te dou tudo e tu estás insatisfeito’. E eis que o Senhor lhe responde: ‘Me dê os teus pecados”.

Segundo o Papa, às vezes, o que fazemos é “fazer como se não fôssemos pecadores”. E isso é o que o Senhor censura aos fariseus. “A aparência, a vaidade, tapar a verdade de nosso coração com a vaidade. A vaidade nunca cura, mas sim é venenosa e leva a enfermidade e a dureza ao coração”.

E acrescenta: “A vaidade é o lugar para não escutar o chamado do Senhor”. Por isso, convida para que “nossa oração seja real, porque Ele sabe como somos. Que o Senhor nos ajude”, conclui o Papa em sua breve homilia que não dura nem cinco minutos. E continua a eucaristia com os ritos costumeiros.

O Papa pronuncia as palavras do rito da paz, porém não dá a paz a ninguém e os presentes cantam o “Cordeiro de Deus”.

Nota do Instituto Humanitas Unisinos - IHU

Durante o dia de ontem, 10-03-2020, a Sala de Imprensa do Vaticano, publicou a seguinte nota:

"Nesta manhã, ao iniciar a Celebração Eucarística em Santa Marta, o Papa Francisco rezou ao Senhor pelos sacerdotes para que tenham a coragem de sair e ir até os doentes levando-lhes a força da Palavra de Deus e a Eucaristia, claramente no respeito das medidas sanitárias estabelecidas pelas Autoridades italianas".

 

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