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06 Março 2020

Publicamos aqui o comentário do monge italiano Enzo Bianchi, fundador da Comunidade de Bose, sobre o Evangelho deste 2º Domingo da Quaresma, 8 de março de 2020 (Mateus 17,1-9). A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Se, no Primeiro Domingo da Quaresma, meditamos sobre o abaixamento do Filho até a prova da fé (“Se és Filho de Deus...”, Mt 4,3.6), hoje contemplamos o evento glorioso da transfiguração, em que a voz do Pai revela Jesus como Filho amado.

A Igreja nos chama, assim, a entrar no dinamismo pascal, impresso em toda a vida de Jesus Cristo e resumido no mandamento que ele mesmo dirige aos discípulos após a transfiguração: “Não conteis a ninguém esta visão até que o Filho do Homem tenha ressuscitado dos mortos”.

O evento da transfiguração havia sido profetizado por Jesus, que, após o primeiro anúncio da sua paixão-morte-ressurreição, prometera aos discípulos: “Alguns daqueles que estão aqui, não morrerão sem terem visto o Filho do Homem vindo com o seu Reino” (Mt 16,28).

Jesus, o Filho do homem que havia anunciado a vinda do Reino de Deus, estava prestes a ser revelado pelo Pai como Reino em pessoa. “Seis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e os levou a um lugar à parte, sobre uma alta montanha”.

Ele escolhe apenas três dos 12, os mais próximos dele, que estarão com ele também na hora da sua des-figuração no horto do Getsêmani, às vésperas da paixão (cf. Mt 26,36-46). Eles são escolhidos para que possam se tornar suas testemunhas ou, melhor, as testemunhas por excelência: Pedro será “testemunha dos sofrimentos de Cristo e partícipe da sua glória” (cf. 1Pt 5,1); Tiago e João beberão o cálice e sofrerão a imersão, de acordo com a promessa de Jesus (cf. Mt 20,22-23). Serão testemunhas até o martírio!

No alto do monte, identificada pela tradição cristã como o Tabor, “Jesus foi transfigurado”, sofreu uma mudança de forma nas vestes e no corpo. Os evangelistas tentam balbuciar algo sobre esse inexprimível evento de comunhão entre Jesus e Deus: Mateus fala de “roupas brancas como a luz”, Marcos as descreve como “brilhantes e tão brancas, como nenhuma lavadeira no mundo as poderia alvejar”, Lucas as define como “resplandecentes”...

Em vez do corpo e do rosto cotidiano de Jesus, os discípulos contemplam um rosto outro, luminoso, transfigurado por uma ação que só podia vir de Deus. Algo da glória de Deus resplandece em Jesus, na medida que os discípulos podiam ver, e Jesus se manifesta na forma de um dos “justos que brilharão como o sol no Reino do Pai” (cf. Mt 13,43)...

“Nisto apareceram-lhes Moisés e Elias”, ou seja, a Lei e os Profetas, “conversando com Jesus”: graças ao superconhecimento fruto da fé, os discípulos percebem que, em Jesus, resume-se e realiza-se toda a Palavra de Deus contida nas Escrituras.

No Sinai-Oreb, Moisés havia pedido a Deus para ver o seu rosto, mas só pôde entrever “as suas costas” (cf. Ex 33,19-23). Elias havia subido no mesmo monte para ver o Senhor, mas ele o percebera apenas em uma “voz de silêncio sutil” (1Re 19,12). Sim, ninguém pode ver a Deus, exceto na morte; “Ninguém jamais viu a Deus; quem nos narrou Deus foi o Filho único” (cf. Jo 1,18), e agora Moisés e Elias finalmente contemplam em Jesus transfigurado aquele rosto de Deus que tanto haviam desejado...

E, quando Jesus resplandece com a glória de Deus, em torno dele resplandece a comunhão entre Israel (Moisés e Elias) e a Igreja (Pedro, Tiago e João), selada pela palavra que provém da “Nuvem luminosa” da Presença de Deus: “Este é o meu Filho amado: Escutai-o!”.

O grande mandamento: “Escuta, Israel!” (Dt 6,4) ressoa como: “Escutai-o, o Filho!”: a escuta do próprio Deus é agora a escuta de Jesus, o Filho, a Palavra viva de Deus! É por isso que os discípulos “ergueram os olhos e não viram mais
ninguém, a não ser somente Jesus”: a Lei e os Profetas deram lugar a Jesus depois de terem lhe dado testemunho, agora eles falam através dele.

Foi ele, Jesus, quem manifestou na verdade quem é Deus e o fez boa notícia para todos os homens e as mulheres, abrindo-lhes a possibilidade de uma vida outra, “diferente”, aqui na terra e, depois da vida eterna, para além da morte.

 

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