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21 Fevereiro 2013

Este é o meu filho. A cada ano, o lugar a que o 2º Domingo da Quaresma nos convida é a montanha: lugar de luz, onde o Cristo transfigurado anuncia a sua ressurreição e a nossa.

A reflexão é de Marcel Domergue, sacerdote jesuíta francês, publicada no sítio Croire, comentando as leituras do 2º Domingo da Quaresma - Ciclo C. A tradução é de Francisco O. Lara, João Bosco Lara e José J. Lara.

Referências bíblicas:
1ª leitura:
Gênesis 15, 5-12.17-18
Salmo:
Sl 26
2ª leitura:
Filipenses 3, 17- 4,1 ou 20-4,1
Evangelho:
Lucas 9, 28-36

Eis o texto.

O Contexto Pascal

Pedro, em nome de todos os discípulos, acaba de declarar que Jesus é o Cristo de Deus, quando este lhes anuncia que o Filho do homem e Cristo de Deus deve sofrer muito, ser rejeitado e conduzido à morte. E conclui dizendo que todos os que desejam segui-lo devem também passar por isto. Este é o contexto em que se situa a Transfiguração. Na seqüência, temos a cura de uma espécie de epiléptico que, sem dúvida nenhuma, representa a humanidade toda, sacudida por seus demônios. Esta libertação, de qualquer forma, profetiza o fruto da Páscoa. Alguns versículos à frente, Jesus, seguido por seus discípulos, se põe “resolutamente”, diz o texto, a caminho de Jerusalém, onde será crucificado. Neste contexto, que se pode qualificar como trágico, a Transfiguração é como que uma antecipação da glória que coroará todo o percurso. Os três discípulos, testemunhas desta visão mística, não são quaisquer discípulos: tripulação do mesmo barco, os três foram chamados juntos (Lucas 5,10). Para Mateus e para Marcos, serão os únicos a assistirem a agonia de Jesus, no Getsemani. Tragados pelos acontecimentos, ausentam-se e adormecem... Pedro quer erguer três tendas. Erguer uma tenda significa fazer uma parada e instalar-se: “é bom estarmos aqui”, diz ele. Será que queria fixar sua morada na montanha da glória? Insensato: vai ter que descer e seguir até Jerusalém, a cidade que mata os profetas.

No centro da História, a dobradiça entre o velho e o novo.

Jesus, radiante como Moisés depois de falar com Deus, conversa com o próprio Moisés e com Elias sobre o êxodo que deve cumprir até Jerusalém. Êxodo, trânsito, passagem, páscoa. Traz a glória do vulto do ressuscitado. Repensemos o que Jesus diz no limiar de seu Êxodo (João 13,31): “Agora o Filho do Homem vai ser glorificado”. Moisés e Elias são figuras simbólicas: representam “a Lei (Moisés) e os profetas (Elias).” Quer dizer, todas as Escrituras. É no Livro que Jesus descobre o que deve fazer e para onde deve ir. Lembremo-nos do caminho de Emaus: “Então não era necessário que o Cristo sofresse todas essas coisas e entrasse em sua glória? E começando por Moisés e por todos os Profetas, foi-lhes explicando tudo que a ele se referia em todas as Escrituras” (Lucas 24,25-27). As Escrituras, com efeito, nos revelam a “descida de Deus até os homens”; até o mais baixo que o homem possa chegar. É assim o amor. Não censuremos demasiadamente os três discípulos por terem adormecido. Também os olhos dos peregrinos de Emaus não se abriram quando, ainda no caminho, Jesus lhes interpretava as Escrituras. Só se abririam na fração do pão, na partilha do corpo. Jesus, situado entre Moisés e Elias, da primeira Aliança, e Pedro, Tiago e João, os homens da nova Aliança, está no centro da história. A Nova Aliança está ainda por vir; dormita na Antiga, esperando o retorno de Jesus ressuscitado.

“Este é o meu Filho, o escolhido”

Voltemos à voz que chama Jesus de Filho. Ressoa do seio da nuvem, a mesma nuvem que, no decurso do Êxodo, vinha recobrir a tenda da reunião, para impedir o acesso a ela em razão da visita de Deus. Só Moisés podia ver Deus face a face. Daí o terror dos três discípulos, quando se vêm tomados pelas trevas divinas. As palavras ouvidas são semelhantes às que reboaram no Batismo. O que é normal: a imersão de Jesus nas águas da morte, para um Batismo que visa à remissão dos pecados, numa assimilação do Cristo aos homens pecadores, prefigurava também os acontecimentos da Páscoa. Para Lucas, como vimos, Jesus é o único que escuta a voz que o declara Filho bem-amado. Na Transfiguração, a voz se dirige às testemunhas. É que, no Batismo, tratava-se de confirmar para Jesus a sua identidade, tendo em vista a missão que deveria cumprir. Já, na Transfiguração, a partida trágica do Cristo é iminente, e são os discípulos que devem ser preparados para estes acontecimentos. De qualquer forma, a voz de Deus está dizendo, substancialmente: “Este homem, Jesus, vai ser eliminado. Sua missão parecerá voltada ao fracasso. E ireis pensar que o tomaram erroneamente por um grande profeta, enquanto ele estará ali, prometido ao esquecimento. Pois bem, aconteça a ele o que acontecer, não duvideis dele; escutai-o e segui-o...” Então, bruscamente, tudo volta à calma. Depois do êxtase da visão mística, eles se encontram com Jesus e vão tomar o caminho para Jerusalém.

 

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