Povo Munduruku teme represália após expulsar madeireiros de seu território

Povo Munduruku (Foto: Cimi)

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31 Julho 2019

Povo do Médio e Alto Tapajós, no oeste do Pará, obriga exploradores a retirar equipamentos da Terra Indígena Sawre Muybu e cobra atuação das autoridades.

A reportagem é de Priscilla Arroyo, publicada por De Olho nos Ruralistas, 30-07-2019.

No dia 19 de julho, 120 indígenas da etnia Munduruku, do Médio e do Alto Tapajós, deram início a uma expedição para expulsar dois grupos de madeireiros que invadiram o seu território, a Terra Indígena Sawre Muybu, no oeste do Pará. Trata-se de um espaço de 178 mil hectares, que está na quinta etapa do processo de autodemarcação. “Agora temos receio de represálias”, disse um integrante da jornada.

A ação durou quatro dias. Os indígenas se dividiram em cinco grupos e andaram por mais de 100 quilômetros seguindo as estradas abertas pelos cerca de 30 intrusos na mata. A estratégia escolhida foi o fechamento da entrada principal das rotas para obrigar os dois grupos de madeireiros, liderados pelos capangas de codinome “Nego” e “Silvinho”, a retirar os equipamentos da terra. Saíram 11 máquinas pesadas, dois caminhões, oito motos, um quadriciclo e uma balsa – todos veículos sem placa.

O território está sob invasão há pelo menos dois anos. Durante esse período, os indígenas acionaram o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a Fundação Nacional do Índio (Funai) e não tiveram apoio. “Nos colocamos em risco no enfrentamento, pois os órgãos responsáveis não estão fazendo a parte deles”, afirma outro integrante da expedição. Embora a retirada dos equipamentos tenha sido pacífica, “na base da conversa”, os Munduruku estão receosos. “Daqui para frente, o risco tende a aumentar”.

Os indígenas acreditam que ainda há invasores nas terras e desconfiam que o grupo esteja acampado a cerca de 20 quilômetros para dentro da mata. Em nota, os Munduruku reafirmam que as suas vidas estão em perigo e cobram a atuação de autoridades. “Será que vão precisar morrer outros parentes, como aconteceu com a liderança Wajãpi, para que os órgãos competentes atuem?”, escreveram. A expedição foi documentada por meio de fotos e vídeos, e o material foi encaminhado à Polícia Federal para ajudar nas investigações da invasão.

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