Missa em Santa Marta com a presença do presidente italiano Mattarella. Braço de ferro com Deus

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05 Abril 2019

Rezar a sério significa fazer inclusive "braço-de-ferro" com Deus ou até mesmo “balbuciar”: o importante é não fazer como os papagaios, safando-se com duas palavrinhas "de nada". E "fiz o máximo" é a expressão escolhida pelo Papa Francisco para indicar a atitude correta na oração, assim como em todos os outros aspectos da vida, "porque para rezar é preciso coragem". É a sugestão que o Pontífice propôs na missa da quinta-feira, 4 de abril, em Santa Marta.

O Presidente da República Italiana, Sergio Mattarella, esteve presente na celebração, de forma privada: "Durante a Quaresma, nos preparamos para a Páscoa com três obras: a oração, o jejum e a caridade", afirmou a abertura o Pontífice. "Hoje, na primeira leitura – explicou ao se referir à passagem do livro de Êxodo (32,7-14) - a Igreja nos fala da oração e especialmente de oração de intercessão: isto é, a intercessão de Moisés. O Senhor, podemos dizer, ficou zangado: "Deixe-me agora, para que a minha ira se acenda contra eles, e eu os destrua", assim disse Deus sobre o povo que fez um bezerro de ouro". E "Moisés, que quer salvar o povo, porque se sente um deles, começa a rezar, ou seja, a convencer o Senhor para não os castigar".

A reportagem é publicada por L'Osservatore Romano, 04 e 05-04-2019. A tradução é de Luisa Rabolini

É "a oração de intercessão, mas com a persuasão, e fala a ele como um mestre com o discípulo: ‘Moisés, porém, suplicou ao Senhor, o seu Deus, clamando: Ó Senhor, por que se acenderia a tua ira contra o teu povo, que tiraste do Egito com grande poder e forte mão? Por que diriam os egípcios: Foi com intenção maligna que ele os libertou, para matá-los nos montes e bani-los da face da terra? Arrepende-te do fogo da tua ira! Tem piedade, e não tragas este mal sobre o teu povo!’”.

Assim Moisés, explicou o papa, "começa a persuadir a Deus com mansidão, mas também com firmeza: ‘Lembra-te dos teus servos Abraão, Isaque e Israel, aos quais juraste por ti mesmo: Farei que os seus descendentes sejam numerosos como as estrelas do céu e lhes darei toda esta terra que lhes prometi’. E "assim ele lembra a Deus de suas promessas, como se estivesse dizendo, ‘mas, Senhor, não fique mal, você fez tudo isso’. É uma oração de intercessão".

"O Senhor, quando fala a Moisés sobre sua ira, faz a ele uma promessa: ‘Mas de ti farei uma grande nação’. Mas Moisés: "Não, ou é com o povo ou nada. Se você fizer este povo perecer, faça o mesmo comigo’". E essa é, disse Francisco, "a intercessão com a persuasão. É uma maneira de interceder. E na Bíblia há muitas, muitas passagens de intercessão: outra, por exemplo, é aquela de Abraão, quando o Senhor diz a Abraão que destruirá Sodoma. E Abraão, um homem que lutou na vida, que também tinha um sobrinho que morava lá, queria salvá-la. E não faz isso com persuasão, faz isso com a barganha, como uma mulher que negocia o preço quando vai fazer compras no mercado: negociando. Ele diz: "Mas, Senhor, espere um pouco... Mas, se houvesse 40 justos; se fossem 40, eu não os destruirei". Então, ele faz as contas e vê que não vão fechar. "Mas, com licença Senhor, e se fossem 30?". "Eu não destruirei." "E se 20, se..." No final, ele percebe que apenas a família do seu sobrinho é justa. É outra forma de interceder: negociar com o Senhor. Assim faz Abraão, sua oração".

"Na Bíblia há muitos casos - continuou Francisco - mas pensamos em outra maneira de interceder: vamos pensar em Ana, a mãe de Samuel que, em silêncio, em silêncio, balbucia em voz baixa, move os lábios e fica ali, rezando, rezando, rezando, balbuciando diante do Senhor, a ponto que o sacerdote que está ali olha para ela e desconfia que estivesse bêbada. Ela está pedindo ao Senhor para ter um filho: a angústia de uma mulher; mas ali, intercede, diante de Deus, depois há outra senhora, também corajosa, no Evangelho, a Cananeia, que não usa a persuasão, não usa a barganha, não usa a insistência silenciosa. Quando Jesus diz a ela: "Eu não posso. Não é certo tirar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos". Ela não se assusta e insiste: "Mas até os cachorrinhos comem as migalhas de pão que caem no chão". E consegue o que ela quer".

O pontífice relançou, lembrando, portanto, que "na Bíblia há muitos exemplos de oração de intercessão, com o mesmo número de modalidades. É verdade, é preciso coragem para rezar assim, porque na oração é preciso ter coragem. Aquela parrésia, aquela coragem de falar com Deus cara a cara. E, às vezes, quando alguém vê como essas pessoas lutam com o Senhor para ter alguma coisa, pensa que fazem isso como se estivessem fazendo um braço-de-ferro com Deus, para conseguir o que pedem: porque estão convencidas, têm fé que o Senhor pode dar a graça".

"É preciso muita coragem para rezar assim - insistiu o Papa - e em vez disso muitas vezes nós somos tão mornos. Alguém nos diz: "Mas rezo porque tenho esse problema, aquele outro ...". Sim, sim, eu digo dois "Pai Nosso", duas "Ave-Marias", e esqueço ... Não, a oração do papagaio não serve. A verdadeira oração é esta: com o Senhor. E quando tenho que interceder, devo fazê-lo assim, com coragem”.

"As pessoas, na linguagem comum, usam uma expressão que para mim é bastante significativa, quando querem alcançar algo: "Eu fiz o máximo", afirmou o Papa. "Na oração de intercessão isso também é verdade:" Eu fiz o máximo”. A coragem de seguir em frente. Mas talvez pode surgir uma dúvida: "Eu faço isso, mas como sei que o Senhor me escuta?". Nós temos uma certeza: Jesus, Ele é o grande intercessor. Ele ascendeu ao Céu, está diante do Pai para interceder por nós. Ele faz a oração de intercessão continuamente. Antes da Paixão, ele havia dito a Pedro: "Pedro, Pedro, eu rezei por você, para que a sua fé não desfaleça". Essa é a intercessão de Jesus: Jesus reza por nós, neste momento. E quando eu rezo, seja com a persuasão ou com a negociação, seja balbuciando ou discutindo com o Senhor, é Ele quem pega a minha oração e a apresenta ao Pai”.

"Jesus não precisa falar diante do Pai: ele mostra suas feridas", relembrou o Pontífice. “O Pai vê as feridas e concede graça. Quando nós rezamos, pensamos que o fazemos com Jesus. Quando fazemos uma oração de intercessão corajosa, fazemos isso com Jesus: Jesus é a nossa coragem, Jesus é a nossa certeza, que neste momento intercede por nós”.

"Que o Senhor nos dê a graça para empreender esse caminho, para aprender a interceder", desejou o Papa. E "quando alguém nos pede para rezar, não o façamos com duas oraçõezinhas de nada: façamos isso com seriedade, na presença de Jesus, com Jesus, que intercede por todos nós diante do Pai".

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