Intercomunhão: seguir em frente com coragem no ecumenismo, defendem bispos alemães

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28 Junho 2018

Os bispos do Conselho Permanente da Conferência Episcopal Alemã se sentem “obrigados a prosseguir com coragem” na “busca ecumênica de uma melhor compreensão e de uma unidade dos cristãos ainda maior”: é o que afirma um comunicado divulgado nessa quarta-feira, 27, na conclusão da sua última reunião (19 a 21 de junho), que examinou o espinhoso tema da hospitalidade eucarística, ou seja, a possibilidade de admitir à comunhão o cônjuge protestante de um fiel católico, há meses no centro de um amplo debate na Alemanha e em Roma.

A reportagem é de Iacopo Scaramuzzi, publicada em Vatican Insider, 27-06-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O presidente, o cardeal Reinhard Marx, de Munique, informou seus coirmãos que pôde esclarecer ao papa, em um recente encontro, que a carta que recebeu no mês passado da Congregação para a Doutrina da Fé “fornece indicações e um quadro de interpretação” que o subsídio pastoral aprovado por uma maioria de dois terços da assembleia dos bispos alemães, em fevereiro passado, “também contém uma dimensão universal” e tem o objetivo de orientar os “bispos individuais”, aos quais confere a responsabilidade sobre a matéria. A questão será abordada novamente pelos bispos alemães na sua assembleia de setembro.

O Conselho Permanente da Conferência Episcopal Alemã “ocupou-se da discussão das diretrizes pastorais ‘Caminhar com Cristo. Nas pegadas da unidade. Matrimônios interconfessionais e participação comum na Eucaristia’, adotadas na Assembleia Geral da primavera (19 a 22 de fevereiro de 2018)”, recapitula o comunicado da Conferência Episcopal Alemã.

“Os cônjuges e as famílias interconfessionais estão no nosso coração. Enfatizamos que a comunhão eucarística e a comunhão eclesial estão inseparavelmente ligadas. Estamos nos esforçando para encontrar uma ajuda espiritual para o exame de consciência em casos individuais de acompanhamento espiritual de cônjuges interconfessionais que sentem uma necessidade espiritual séria de receber a Eucaristia. Por meio do Batismo, a e o sacramento do matrimônio, os cônjuges estão reciprocamente muito ligados e compartilham toda a sua vida. Para nós, bispos, aqui se trata de decidir se, em um matrimônio interconfessional, o cônjuge protestante pode ter acesso à Comunhão”.

O cardeal Marx, presidente da Conferência Episcopal Alemã e membro do Conselho dos nove cardeais que auxiliam o papa na reforma da Cúria Romana, o chamado C9, “informou o Conselho Permanente sobre as conversas ocorridas em Roma”, relata a nota, e, “em um encontro com o Papa Francisco”, o arcebispo de Munique “pôde esclarecer que a carta da Congregação para a Doutrina da Fé de 25 de maio de 2018 fornece indicações e um quadro de interpretação”, que “o texto não é um documento da Conferência Episcopal, pois contém também uma dimensão universal” e que “o texto, como orientação, é da responsabilidade dos bispos individuais”.

“Para nós é importante – afirma o comunicado do Conselho Episcopal Permanente – o fato de que estamos nos movendo na busca ecumênica de uma melhor compreensão e de uma unidade dos cristãos ainda maior, e que estamos comprometidos a prosseguir com coragem.”

“De acordo com a carta da Congregação para a Doutrina da Fé – conclui a nota – essa temática deverá ser mais aprofundada. Para esse propósito, oferecemos ao Santo Padre e à Cúria Romana a nossa colaboração. Haverá uma oportunidade para retomar esse tema na Assembleia Geral do outono da Conferência Episcopal Alemã em setembro de 2018.”

Tendo em vista o consistório desta quinta-feira, 28, no qual, aliás, será “criado” cardeal, o prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o jesuíta Francisco Ladaria, explicou justamente que a sua carta de 25 de maio “não era diretamente uma freada, mas sim um chamado à reflexão, especialmente a partir da ideia de que é uma questão tão grave que uma Conferência Episcopal de um país deve agir tendo em mente toda a Igreja, de modo que se chegue à solução, mas de toda a Igreja. É um ponto central. Se cada um fizer seu próprio caminho, corre-se o risco de criar um pouco de confusão. Então, repito, não foi uma freada, mas sim um convite a refletir, porque se trata de um ponto que não afeta apenas um país, apenas uma diocese, mas a Igreja universal. E essa também era a preocupação do Santo Padre”.

A Conferência Episcopal Alemã publica no seu site os documentos-chave de todo o caso, incluindo o subsídio pastoral aprovado por maioria em fevereiro e um trecho da recente coletiva de imprensa no voo de volta de Genebra, na qual o papa disse, entre outras coisas: “Acredito que esse será um documento orientador, para que cada um dos bispos diocesanos possa gerir aquilo que o Direito Canônico já permite. Não houve nenhuma freada”.

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