Sobre os campos de extermínio chega de mentiras. Mas punir não serve

Campo de concentração de Auschwitz, na Polônia | Foto: Catraca Livre

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03 Fevereiro 2018

Nós, judeus poloneses, nos dirigimos para os membros do Parlamento Polonês para que alterem o conteúdo das emendas à lei sobre o Institute of National Remembrance.

O texto foi escrito por Alguns judeus poloneses e publicado por la Repubblica, 01-02-2018. A tradução é de Luisa Rabolini

Sem dúvida, a expressão "campos poloneses de extermínio" é um erro evidente. Os campos de extermínio foram criados pelos nazistas no território da então Polônia ocupada com o único propósito de exterminar o povo judeu no contexto da "solução final".

Portanto, seria equivocado atribuir ao povo polonês qualquer forma de cumplicidade na construção de tais campos. Na qualidade de testemunhas oculares e até de descendentes de judeus, homens e mulheres, assassinados no Holocausto, condenamos essa definição enganosa. No entanto, não podemos aprovar as cláusulas com as quais são impostas penas de prisão para aqueles que façam uso de tal expressão.

Acreditamos que quem faz isso não tenha a intenção de acusar os poloneses de ter criado os campos de extermínio, mas de utilizar uma designação geográfica: em si, esta expressão não é de todo condizente com a verdade, porque a condição de Estado independente da Polônia durante o Holocausto havia sido eliminada. Do nosso ponto de vista, no entanto, o uso dessa designação geográfica equivocada não deveria ser perseguido com sanções econômicas, e muito menos com penas de prisão, conforme prevê a lei.

Finalmente, a aprovação das emendas à lei em sua forma atual poderia levar a penalizar aqueles que dizem a verdade sobre os chantagistas poloneses e daqueles cidadãos poloneses que assassinaram seus vizinhos de casa judeus. Acreditamos que esta definição faça mais do que limitar a liberdade de expressão, porque na verdade procura distorcer a história. Esse é o motivo que nos leva a endereçar um apelo aos deputados poloneses para que essencialmente rejeitem as emendas ao ato legislativo.

Todos nós sabemos quão dolorosa possa ser uma mentira sobre os crimes nazistas. Queremos proteger o bom nome da Polônia e identificar palavras de uso comum para descrever aqueles acontecimentos trágicos, e é por isso que os convidamos a dialogar conosco, judeus poloneses.

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