Pobreza na América Latina aumenta e atinge 175 milhões de pessoas

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Por: João Flores da Cunha | 27 Janeiro 2017

A pobreza na América Latina está aumentando e agora atinge 175 milhões de pessoas, de acordo com dados da Comissão Econômica para América Latina e Caribe – Cepal. O número equivale a uma parcela de 29,2% da população da região – um aumento de um ponto percentual em relação à estimativa anterior do órgão, que apontava a existência de 168 milhões de pobres.

Os dados foram divulgados no dia 24-01 pela secretária-executiva da Cepal, Alicia Bárcena, em um encontro da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos – Celac na República Dominicana. A Celac é um órgão que reúne todos os países das Américas, salvo os Estados Unidos e o Canadá. Bárcena revelou ainda que, entre os 175 milhões de pobres da região, 75 milhões são indigentes.

A secretária-executiva da Cepal afirmou na reunião que “é preciso ter muito cuidado” com a situação socioeconômica da região. Para ela, “é preciso manter as conquistas que nossa região obteve, e isso se consegue se blindamos o orçamento dos gastos sociais”. Argentina, Brasil e México, os países com maior economia da região, realizaram cortes em gastos públicos ao longo do último ano.

O aumento da pobreza na América Latina marca uma inversão na tendência dos últimos 15 anos, que era de diminuição do número de pobres na região, tanto em termos relativos quanto absolutos. Em 2002, havia 225 milhões de pessoas atingidas pela pobreza, número máximo na série histórica registrada pela Cepal. 43,9% dos habitantes da região eram pobres naquele momento. Desde então, os índices de pobreza vinham diminuindo sucessivamente.

Evolução do índice de pobreza na América Latina (Crédito: Cepal)

Perguntada sobre os desafios da América Latina a partir da posse de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos, Bárcena afirmou que “frente à incerteza, a integração é mais importante do que nunca”. A secretária-executiva da Cepal declarou que a integração regional “deve ir mais além do comércio para se incorporar a uma integração mais produtiva, em que bens e serviços, os recursos de que os países precisam, sejam fornecidos por nossos próprios países”. Para ela, “é muito importante que que encontremos essas cadeias produtivas que possam nos integrar”.

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