Missão, diálogo profético. Artigo de Rosino Gibellini

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23 Fevereiro 2015

A missão é diálogo profético. A missão como "diálogo" expressa o estilo da escuta das culturas a serem evangelizadas, embora não seja suficiente e deva ser integrada com a profecia, para falar abertamente e anunciar o evangelho da salvação.

A análise é do teólogo italiano Rosino Gibellini, doutor em teologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma e em filosofia pela Universidade Católica de Milão, em artigo publicado no blog Teologi@Internet, da editora Queriniana, 20-02-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Pouco antes do Natal, a editora Queriniana recebeu a bela visita do teólogo norte-americano Stephen Bevans, autor (com Roger Schroeder) da obra Teologia per la missione oggi. Costanti in contesto [Teologia da obra para a missão hoje. Constantes em contexto] (Ed. Queriniana, 2010, BTC 148).

Bevans é um grande missiólogo, professor da Catholic Theological Union de Chicago. É um dos grandes amigos norte-americanos de Chicago da editora Queriniana, junto com Robert Schreiter (da mesma Theological Union de Chicago) e David Tracy (da Divinity School de Chicago), que colaboraram com a obra Prospettive teologiche per XXI secolo [Perspectivas teológicas para o século XXI] (Ed. Queriniana, 2003; segunda edição de 2006, BTC 123).

Bevans esteve presente em Bréscia na sede da revista MissioneOggi dos xaverianos para ilustrar o seu mais recente livro Dialogo profetico. La forma della missione per il nostro tempo [Diálogo ensaio profético. A forma da missão para o nosso tempo] (Ed. EMI de Bolonha, 2014), em que ele aprofunda a categoria de "diálogo profético" como categoria de síntese da complexidade da missão cristã no mundo.

A categoria nasceu no Capítulo Geral dos verbitas, que se interrogava sobre o que é a missão hoje. Os missionários indianos sublinhavam que a missão na Ásia é diálogo, enquanto, para os missionários da América Latina, a missão é profecia contra as estruturas de opressão que geram pobreza.

Chegou-se à síntese, afirmando que a missão é diálogo profético. A missão como "diálogo" expressa o estilo da escuta das culturas a serem evangelizadas, embora não seja suficiente e deva ser integrada com a profecia, para falar abertamente e anunciar o evangelho da salvação.

Com referência ao grande livro sobre a missão do teólogo sul-africano David Bosch, Bevans escreve no seu novo livreto: "O missiólogo sul-africano David Bosch fala da missão feita segundo um estilo de autêntica vulnerabilidade e humildade, mas também da missão feita com 'audaz humildade' ou com 'humilde audácia'. Nós não temos o monopólio do amor e da misericórdia de Deus, quando oferecemos o evangelho. Assim como conhecemos apenas em parte, mas conhecemos. E acreditamos que a fé que professamos é verdadeira e justa, e que deve ser proclamada'' (Dialogo profetico, p. 67).

Essas expressões comedidas do missiólogo Bosch evoluirão na conceitualidade e na prática do "diálogo profético".

Na Antologia del Novecento teologico [Antologia do século XX teológico] (Ed. Queriniana, 2011, BTC 155), eu inseria também algumas páginas da obra de Bevans/SchroederTeologia para a missão hoje. Constantes em contexto, introduzindo-as com estas palavras, que definiam o conceito de "diálogo profético" (p. 322):

O século XIX, sob o perfil da história do cristianismo, foi definido como o século missionário; o século XX, o século ecumênico; e o século XXI, em que entramos há pouco tempo, é proposto como o século de um cristianismo mundial, em que o eixo se desloca do Norte para o Sul do mundo, como documentam as obras do historiador britânico-americano, teórico da "Igreja global", Philip Jenkins.

Isso envolve "mudanças de paradigma na missiologia", como propôs o missiólogo sul-africano David Bosch em A transformação da missão (1991); livro que teve uma sequência na obra dos missiólogos norte-americanos Bevans e Schroeder em Teologia para a missão hoje. Constantes em contexto. A missão é apresentada com os termos de "diálogo profético", expresso em três pontos:

1. A Igreja cristã é missionária, porque Deus – com o envio do Filho e do Espírito Santo – é missionário. A missão da Igreja está enraizada na missio Dei (expressão de Karl Barth que remonta a 1932);

2. A missão vai além do conceito de salus animarum e de plantatio Ecclesiae, e se autocompreende mais amplamente como "serviço libertador do Reino de Deus": aqui intervêm as propostas que estão sob o nome de "inculturação" no tempo do multiculturalismo, de "libertação" na brecha entre Norte e Sul do mundo, e de "reconciliação" no contexto da globalização.

3. A missão, além de fundação trinitária, e a orientação ao Reino devem manter evidenciada a conotação cristológica no tempo do pluralismo religioso, de "anúncio de Jesus Cristo salvador universal", "constantes" a serem mantidas na pluralidade do "contexto" linguístico, antropológico, cultural e social.

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