As tentações da Igreja hoje

Fonte: Botticelli

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28 Fevereiro 2020

A leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 4,1-11 que corresponde ao Primeiro Domingo de Quaresma, ciclo A do Ano Litúrgico. O teólogo espanhol José Antonio Pagola comenta o texto.

Eis o texto.

A primeira tentação acontece no “deserto

Depois de um longo jejum, entregue ao encontro com Deus, Jesus sente fome. É então quando o tentador lhe sugere agir pensando em si mesmo e esquecendo o projeto do Pai: “Se és o Filho de Deus, diz que essas pedras se convertam em pão”. Jesus, desfalecido, mas cheio do Espírito de Deus, reage: “Não só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que vem de Deus”. Não viverá a procurar o seu próprio interesse. Não será um Messias egoísta. Multiplicará o pão quando vir os pobres passarem fome. Ele se alimentará da Palavra viva de Deus.

Sempre que a Igreja procura o seu próprio interesse, esquecendo o projeto do Reino de Deus, desvia-se de Jesus. Sempre que os cristãos colocamos o nosso bem-estar antes das necessidades dos últimos, afastamo-nos de Jesus.

A segunda tentação acontece no “templo

O tentador propõe a Jesus que faça sua entrada triunfal na cidade santa, descendo do alto como Messias glorioso. A proteção de Deus está assegurada. Os seus anjos “cuidarão” dele. Jesus reage rapidamente: “Não tentará o Senhor, teu Deus”. Não será um Messias triunfador. Não colocará Deus ao serviço da sua glória. Não fará “sinais do céu”. Apenas sinais para curar doentes.

Sempre que a Igreja coloca Deus ao serviço de sua própria glória e “desce do alto” para mostrar sua própria dignidade, desvia-se de Jesus. Quando os seguidores de Jesus procuram “parecer bem” em vez de “fazer o bem”, nos afastamos dele.

A terceira tentação acontece numa “montanha altíssima

Dela se divisam todos os reinos do mundo. Todos estão controlados pelo diabo, que faz a Jesus uma oferta assombrosa: lhe dará todo o poder do mundo. Apenas uma condição: “Se te prostras e me adoras”. Jesus reage violentamente: “Vai embora, Satanás”. “Só ao Senhor, teu Deus, adorarás”. Deus não o chama para dominar o mundo como o imperador de Roma, mas para servir os que vivem oprimidos pelo seu império. Não será um Messias dominador, mas um servidor. O reino de Deus não se impõe com poder, oferece-se com amor.

A Igreja tem hoje que afugentar todas as tentações de poder, glória ou dominação, gritando com Jesus: “Vai-te, Satanás”. O poder mundano é uma oferta diabólica. Quando nós, cristãos, o procuramos, afastamo-nos de Jesus.

 

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