Pedro e Paulo: unidade na diversidade

Fonte: Peter et Paulus etching in a catacombe

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

28 Junho 2019

Jesus chegou à região de Cesareia de Filipe, e perguntou aos seus discípulos:

"Quem dizem os homens que é o Filho do Homem?"

Eles responderam:

"Alguns dizem que é João Batista; outros, que é Elias; outros ainda, que é Jeremias, ou algum dos profetas."
Então Jesus perguntou-lhes: "E vocês, quem dizem que eu sou?"

Simão Pedro respondeu:

"Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo." Jesus disse: "Você é feliz, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que lhe revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. Por isso eu lhe digo: ´Você é Pedro, e sobre essa pedra construirei a minha Igreja, e o poder da morte nunca poderá vencê-la. Eu lhe darei as chaves do Reino do Céu, e o que você ligar na terra será ligado no céu, e o que você desligar na terra será desligado no céu.´"

Jesus, então, ordenou aos discípulos que não dissessem a ninguém que ele era o Messias.

Leitura do Evangelho segundo Mateus capítulo 16,13-19. (Correspondente à Festa de São Pedro e São Paulo, ciclo A do Ano Litúrgico).

O comentário é de Ana Maria Casarotti, Missionária de Cristo Ressuscitado.

Ouça a Leitura do Evangelho

 Pedro e Paulo: unidade na diversidade

Neste domingo celebra-se a Festa dos apóstolos Paulo e Pedro. Nas narrativas dos Atos dos Apóstolos, eles não aparecem como dois grandes amigos, pois há importantes discussões entre eles, mas a Igreja decidiu celebrar estes dois grandes pilares da Igreja juntos. Desta forma se nos comunica a diversidade e profundidade do seguimento a Jesus, da vida cristã nas primeiras comunidades. O Espírito Santo espalha a Boa Nova de maneira original e não responde aos nossos critérios e até desejos. Ele atua no silêncio e no segredo da vida de cada pessoa, e até podemos dizer que todo cenário é favorável para sua difusão.

O texto deste domingo inicia-se depois de uma discussão de Jesus com os fariseus e saduceus que lhe pedem realizar um sinal. A seguir Jesus continua ensinando os discípulos e procura abrir seus olhos para que não se deixem enganar pelas aparências, para descobrir através dele a presença do Reino de Deus. A dificuldade dos discípulos para entender Jesus mostra-nos a necessidade que há neles de ter um conhecimento e uma experiência cada vez mais profunda sobre sua pessoa, seus projetos e as exigências do seu seguimento.

Depois disso Jesus e seus discípulos chegam à região de Cesareia de Filipe, região estrangeira. No ensino que Jesus está realizando com os seus discípulos, ele possivelmente percebe que a sua imagem está distorcida ou ainda não está muito clara. Num primeiro momento pergunta-lhes sobre a opinião das pessoas pela sua identidade: "Quem dizem os homens que é o Filho do Homem?"

Sem dúvida Jesus situa-se na linha dos grandes profetas, especialmente na busca da justiça como manifestação do Amor de Deus. As pessoas que ouviram e foram testemunhas das atuações de Jesus percebem nele uma verdade importante, porque o colocam na linha dos grandes profetas. Mas no ensinamento que Jesus tenta dar aos discípulos isso não é suficiente! Eles precisam esclarecer a identidade de Jesus. Quem é ele?

Junto com os discípulos também recebemos esta pergunta: "E vocês, quem dizem que eu sou?"

Sua presença leva-nos a perguntar-nos mais profundamente: quem é Jesus? Em quem se baseia a minha fé? Procuro seguir Jesus ou há alguma outra intenção no meu seguimento?

Muitas vezes também nós vamos em busca de um Deus milagreiro, como os fariseus e saduceus, ou, apesar de estar perto dele, vivemos na cegueira sobre sua pessoa, não conseguimos abrir nossos olhos a uma Presença que quebra nossas expectativas.

Quem é ele para os/as que o escutamos, acompanhamos e seguimos? Jesus questiona-nos sobre sua identidade.

A resposta de Pedro explicita de forma muito clara nossa fé em Jesus como o Messias. Pesemos que isso não é fácil, considerando que eles tinham sido rejeitados pelos fariseus e saduceus, ou seja, os que se consideram os donos da fé e deveriam ser os primeiros a reconhecer o Messias. O povo judeu aguarda um messias glorioso, que os libertaria das opressões do Império Romano. O reinado desse Messias que eles aguardavam se manifestaria aqui nesta terra, oferecendo-lhes vida nova, terras novas e igualdade entre eles. E Jesus não tem nada a ver com isso! Seu reinado se manifesta de outra forma e Pedro consegue ver nele esse reinado esperado. Um Messias que proclama a igualdade e a justiça.

Representados na pessoa de Pedro, são os pobres que conseguem perceber a verdadeira identidade de Jesus e podem proclamar nele o Messias esperado.

Cada um e cada uma de nós pode receber a resposta de Jesus a Pedro: na medida em que sejamos pessoas e comunidades pobres, simples, onde habite a igualdade e a justiça, seremos uma rocha para a fé dos nossos irmãos e irmãs.

Comentando a resposta de Jesus a Pedro: “Tu és Pedro e sobre esta rocha edificarei minha Igreja..." disse Adroaldo Palaoro: E sobre ela, ao longo dos séculos, se assentou a fé dos cristãos de todos os tempos. Mas a Pedra da qual Cristo fala não é Pedro, pois a pedra da sua presunção, de sua segurança, de seu orgulho se transformou em cacos com suas negações na noite da Paixão. Texto completo: Quando Jesus é ‘rocha’ em nosso interior.

Peçamos ao Senhor que nos conceda a capacidade de reconhecer em Jesus o Messias que traz o Reino da justiça e da verdade.

Oração

Perder a vida

Perder a vida,
libertar uma existência,
cultivar uma amizade,
curar uma esperança.
Depois já podem desaparecer
desfrutando sua estréia
por caminhos inéditos
sem deixar seu endereço

Perder a vida
derramando os dias
sobre frontes sem etiqueta
de sinagoga ou de partido,
sobre bons e maus
como a chuva e o sol
que oferece o Pai de todos.
Não querer contabilizar
se nossos esforços
escorregaram estéreis
sobre a pele fechada
até o pó do caminho,
ou se penetraram férteis
até o segredo
onde germina a vida.

Perder a vida
como o que aposta
um salário com seu cansaço
ou a fortuna herdada.
Gira a roleta
viciada pelos amos
que controlam o cassino,
e decidem que nosso número
não cabe neste tabuleiro.
Roubam nosso esforço
e nos deixam entre as mãos
um bilhete sem prêmio.

Os seres novos,
a entrega dos dias,
a aposta audaz,
nascem de vidas
tão perdidas a si mesmas,
que o Espírito de todos
as esconde em seu mistério
como em papel de presente,
para abri-las entre o povo
no dia da festa sem ocaso.

Bejamin González Buelta
(Salmos para sentir e saborear internamente as coisas)

 

Leia mais: