O que o Vaticano vai fazer com os bispos da igreja subterrânea da China?

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20 Novembro 2018

À primeira vista, uma das questões mais curiosas sobre o recente acordo "temporário" entre o Vaticano e Beijing a respeito da nomeação de bispos, conforme descrito na mídia estatal chinesa, foi a falta de qualquer resolução da situação dos bispos nomeados pelo Vaticano mas não reconhecidos pelos grupos católicos do Partido Comunista.

A reportagem é de Michael Sainsbury, publicada por UcaNews, 14-11-2018. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

Parece ter sido um engano lógico — tomar algo por outra coisa — para ter o perdão do Vaticano e o reconhecimento de sete bispos (incluindo um recentemente falecido) nomeados pelo conjunto de aparelhos católicos do Partido Comunista chinês, a Associação Patriótica Católica Chinesa e a Conferência dos Bispos da Igreja Católica Chinesa. Isso significava que as excomunhões também foram revogadas.

Também não houve nenhum anúncio, que também era esperado por alguns como parte do acordo, sobre a situação — ou, de preferência, a liberação — dos sacerdotes e bispos presos ou como no caso do bispo de Shanghai Thaddeus Ma Daqin, prisão domiciliar, no Seminário de Sheshan, desde 2012.

Um deles e mais outro bispo, que foi nomeado por Beijing num primeiro momento e depois reconhecido num sistema em que seria necessário buscar o perdão e o reconhecimento do Vaticano, foram os primeiros padres chineses a participar de um sínodo, em outubro, no Sínodo do Papa Francisco sobre os jovens, a fé e o discernimento vocacional.

É difícil saber o número de bispos da igreja subterrânea, pois não há listas oficiais e o Vaticano também não divulgou. Vários relatórios indicam cerca de 30 pessoas, como o do padre especialista em igreja chinesa Jeroom Hendrickx, da Fundação Ferdinand Verbiest, da Universidade Católica de Leuven, na Bélgica.

Em um resumo sobre a igreja subterrânea realizado pelo Centro de Pesquisa do Santo Espírito de Hong Kong, o pesquisador António Lam contabilizou 19 bispos ativos e 17 inativos.

Mas o site da hierarquia católica indica que nove bispos morreram em 2017, reduzindo para apenas 27.

Muitos deles estão envelhecendo. Ficou difícil para o Vaticano para nomear bispos entre 1960 e 1980, e muitos foram ordenados aos 75 anos ou ainda mais velhos.

Por alguns anos, esteve em vigor uma operação informal entre Beijing e o Vaticano, que agora foi formalmente reconhecida no acordo temporário sobre a nomeação dos bispos.

Isso significa que muitos dos 27 bispos têm mais de 75 anos, a idade oficial para aposentadoria. Sendo assim, a idade oficial é simplesmente uma orientação. Os bispos devem apresentar a saída com essa idade, mas o Papa frequentemente pede que continuem por mais alguns anos.

No caso da China, pode ser pelo menos uma década, devido à falta de candidatos.

Um exemplo seria a controvérsia da tentativa do Vaticano de retirar o bispo Zhuang Jianjian, de 88 anos, da cidade de Shantou, ao sul da China, em dezembro de 2017. Ele foi secretamente ordenado em 2006 com a aprovação do Vaticano.

Depois foi transferido para dar lugar ao padre Huang Bingzhang, aprovado por Beijing, que antes havia sido excomungado. Agora podemos considerar esse o primeiro passo para o acordo firmado em setembro.

O bispo Zhuang reclamou do tratamento que recebeu em uma carta entregue ao pontífice pelo cardeal aposentado Joseph Zen de Hong Kong, que tem 85 anos. Mas os pedidos do clérigo mais velho a criticar o acordo com Beijing não teve efeitos.

Em última análise, só cabe ao Papa decidir se os bispos com mais de 75 anos vão continuar ou não. Embora ações públicas como essas possam não ser tomadas para evitar má publicidade, seria improvável pensar que não há conversas entre o Vaticano e os bispos da igreja subterrânea para negociar aposentadorias.

Houve tentativas intermitentes para regularizar as nomeações com Beijing nos últimos 30 anos.

Do ponto de vista de Beijing, o partido-Estado provavelmente não se importa muito, especialmente considerando a idade da maioria dos bispos. Se o Vaticano continuar a não nomear bispos da igreja subterrânea, eles vão acabar desaparecendo.

Além disso, a situação dos bispos na China está vinculada a diálogo sobre uma limpeza na disparidade entre o número de dioceses oficializadas pelo Vaticano, que hoje são 137, e de dioceses reconhecidas pelas autoridades chinesas, que são 97.

Muitas dioceses ficaram sem seus bispos. Um grande indicativo de mudança foi o anúncio do acordo com as revelações simultâneas de que uma nova diocese tinha sido criada para alocar um dos bispos perdoados.

E um ponto que muitas vezes se perde nas discussões sobre o conflito entre a igreja subterrânea e a do Estado é que muitos sacerdotes, bispos e fiéis têm um pé em ambas.

Quanto à perseguição do clero, se a prisão de dois padres de Hebei, em outubro, oferece qualquer indicação, Beijing deve continuar com a repressão.

Afinal de contas, o acordo entre Beijing e o Vaticano só dizia respeito às nomeações dos bispos, e o Vaticano deixou claro que, do seu ponto de vista, foi algo apenas pastoral, o que significa que todos os padres e paroquianos devem obedecer as leis chinesas.

Dentre elas, novas regras e regulações introduzidas em fevereiro tinham como objetivo a sinização da religião, ou seja, torná-la mais fiel ao Partido Comunista.

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