Estamos constituindo uma sociedade de "precariados’, afirma Robert Castel

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24 Mai 2007

Precariado” no lugar de “proletariado”, é isso que a desestruturação da sociedade industrial está nos revelando. A afirmação do sociólogo francês Robert Castel foi realizada na conferência O futuro da autonomia e a construção de uma sociedade de indivíduos. Uma leitura sociológica no evento Simpósio Internacional O futuro da autonomia. Uma sociedade de indivíduos?, que acontece de 21 a 24 de maio nas dependências da Unisinos. O Simpósio é uma iniciativa do Instituto Humanitas Unisinos (IHU).

Como pensar a autonomia nessas condições de crescente precarização de todos? Para Castel, a autonomia está associada à capacidade das pessoas em fazer escolhas sem estar submetida a dependências. Segundo Castel, autor do livro Les métamorphoses de la question sociale. Une chronique du salariat (Fayard: Paris, 1995), traduzido como As metamorfoses da questão social (Editora Vozes: Petrópolis, 1998), o que garante a autonomia do indivíduo são determinadas condições que ele denomina como “suportes” para a sua inserção social.

Castel, pensando a crise da sociedade industrial destacou que o emprego, “suporte” por excelência no último século entrou em crise e com ele o princípio da autonomia. O emprego foi o “suporte” até recentemente garantidor da inclusão social e por extensão de uma autonomia emancipadora. Mas agora, diz Castel, numa sociedade de “precariados” o emprego já não consegue mais incluir as pessoas e as coloca em situação de dependência.

Entre as causas da crise da sociedade industrial, Castel destaca a falência do Estado Social ou Estado Providência, que já não consegue impor regras e subordinar os interesses do capital. Para o sociólogo francês, saímos do capitalismo industrial e entramos num novo estágio de capitalismo, o capitalismo concorrencial, que é muito mais agressivo e vem destruindo as garantias que se conquistaram no mundo do trabalho.

Paradoxalmente, afirma Castel, a autonomia apenas pode se manifestar através de coletivos. Foi a força de organização dos trabalhadores que permitiu determinada autonomia individual. Para ele, a autonomia é uma conquista que se faz coletivamente e infelizmente, diz o sociólogo francês, os últimos 30 anos foram o de um processo de descoletivização que tem empurrado os trabalhadores para uma situação de re-individualização quebrando os laços de solidariedade construídos anteriormente. 

Agora, diz Castel, o modelo – citando Ulrich Beck  – é o do “bio-gráfico”, ou seja, cada um tem que construir a sua história por conta própria. O problema, diz ele, é que para muitos faltam recursos para poder entrar nesse processo. Castel vê o futuro da autonomia com certo pessimismo. Segundo ele, tendo presente o diagnóstico atual, onde os “suportes” são sempre e cada vez mais frágeis, o quadro não é animador. E mais. O processo é irreversível. O desafio é o de se construir novos “suportes” que dêem conta de uma re-inserção social.

Nesta perspectiva, Castel não enxerga que a economia solidária possa ser esse novo “suporte” social. Para ele, trata-se de uma iniciativa importante, mas insuficiente para responder a grandeza do desafio posto pela desestruturação da sociedade industrial. Tampouco Castel considera que o “mínimo vital” proposto por Gorz seja o novo “suporte” para a questão social. Vê com simpatia a proposta, mas tem receio que a mesma precarize ainda mais as condições de trabalho, uma vez que o capital dirá que as pessoas, ao receberem uma renda, são desobrigadas de sua função salarial e de outros direitos.

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