Ratzinger como Montini e João Batista

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26 Junho 2012

"Para enfrentar um escândalo, a convocação dos cinco cardeais é objetivamente uma novidade absoluta", observam nos Sagrados Palácios. "O pontífice abordou as escolhas a serem tomadas com antigos purpurados, não circunscritos nem ao circuito italiano nem ao atual governo. Depois dos apelos de transparência de arcebispos diocesanos como o de Paris, o papa sentiu a necessidade de ouvir mais opiniões e, especialmente, de se deixar ajudar no governo da Igreja por prelados de prestígio internacional e de comprovada confiabilidade".

A nota é de Giacomo Galeazzi, publicada no blog Oltretevere, 24-06-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Um sinal de clarividência e de humildade por parte de um pontífice que, para sair do pântano do Vatileaks, identifica uma saída de emergência (o "governo técnico"), mas, em perspectiva, entrevê também a possibilidade de forçar a mão para implementar aquela reforma da Cúria até agora sempre hostilizada do outro lado do Tibre.

Portanto, do mal, um bem. "Só Paulo VI conseguiu isso e ele tinha sobre as suas costas, como Ratzinger, um longo serviço em Roma antes da eleição", afirma um purpurado.

"O novo Batista"

"Temos o dever moral de nos unirmos com afeto filial ao redor do Santo Padre neste momento tão doloroso para ele", disse o cardeal Salvatore De Giorgi, arcebispo emérito de Palermo e membro da Comissão Cardinalícia que investiga o Vatileaks.

"Sem dúvida alguma – afirmou ele na homilia da celebração por ele presidida nesse domingo em San Lucido, na Calábria –, por aquilo que ele está sofrendo, o Papa Bento XVI é o novo João Batista".