Opção Francisco. Precisamos de um sonho. Artigo de Armando Matteo

Foto: Reprodução

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

03 Janeiro 2023

"Para prosseguir com a Opção Francisco, então todos nós precisamos justamente do sonho de uma Igreja que volte a ser "mãe": ou seja, o sonho de uma Igreja que volte a gerar filhos e filhas para a fé, uma Igreja que seja cada vez mais um lugar onde qualquer pessoa possa se encontrar com o evangelho de Jesus e com o Jesus do evangelho e se apaixonar por ele."

A opinião é de Armando Matteo, professor de Teologia Fundamental da Pontifícia Universidade Urbaniana e subsecretário adjunto da Congregação para Doutrina da Fé, em artigo publicado por Settimana News, 31-12-2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo. 

Uma das principais notas da Opção Francisco diz respeito à assunção de uma atitude realista diante da situação atual da Igreja, especialmente aquela no Ocidente. É tempo de reconhecer que, como comunidade de crentes, falhamos justamente no cerne da nossa missão: já não somos capazes de fazer novos cristãos e novas cristãs.

Coluna "Opção Francisco", publicada mensalmente pela revista italiana Vita Pastorale . (Foto: Reprodução)

Os dados sociológicos sobre os sentimentos religiosos e cristãos das novas gerações são decididamente inquietantes. Mesmo frequentando o nosso catecismo, mesmo participando da vida paroquial e dos oratórios, chega um momento em que nossos pequenos nos abandonam e vão embora. Não se trata, na verdade, de uma rejeição consciente e explícita da religião cristã. Mais simplesmente acontece que não sabem para que pode servir uma coisa como a religião cristã, quando deixam de ser crianças, enfim, quando começam a crescer.

Aqui cruzamos com o nervo exposto da crise do cristianismo ocidental: a nossa dificuldade em interceptar as demandas e a busca de sentido dos adultos e das adultas de hoje, profundamente reformuladas após a mudança de época que nos coube viver. A essas demandas e a essa busca de sentido continuamos a dar aquelas respostas que funcionavam bem para os pais e os avós dos adultos e das adultas de hoje.

Para enfrentar tudo isso, é necessária justamente aquela mudança radical de mentalidade pastoral que está no centro da Opção Francisco. É urgente mudar, em breve, se quisermos viver à altura da nossa missão e se ainda desejarmos gerar novos cristãos e novas cristãs. Toda mudança, porém, é sempre acompanhada por um sentimento natural de medo, com o qual agora está na hora e acertar as contas.

Certamente não se deve demonizar o medo. Em vez disso, deve ser dominado antes que nos domine e nos paralise. Mas como se domina o medo? Contra o medo, deve-se recorrer ao poder dos sonhos. Sim, ao poder dos sonhos!

Os sonhos, de fato, têm um poder premonitório: antecipam e abrem novos cenários e novas possibilidades. Eles têm o poder de transformar a realidade ao mesmo tempo em que nos permitem imaginá-la diferentemente de como ela se manifesta para nós, quando não estamos sonhando.

Os sonhos acendem uma luz para a escuridão que poderia vir ao nosso encontro no caminho; permitem vislumbrar um horizonte maior para o esforço que poderíamos enfrentar; constróem uma alternativa contra aquela prepotência com que tantas vezes a realidade se apresenta para nós.

Para prosseguir com a Opção Francisco, então todos nós precisamos justamente do sonho de uma Igreja que volte a ser "mãe": ou seja, o sonho de uma Igreja que volte a gerar filhos e filhas para a fé, uma Igreja que seja cada vez mais um lugar onde qualquer pessoa possa se encontrar com o evangelho de Jesus e com o Jesus do evangelho e se apaixonar por ele.

A Opção Francisco coloca-nos, portanto, diante de uma pergunta muito simples, mas muito fecunda para o cristianismo futuro: ainda temos um sonho para esta nossa Igreja? Ainda temos um sonho para a fé possível de nossos pequenos?

Comentário

Fabio Cittadini, 1º de janeiro de 2023

É verdade que a Igreja deve voltar a ser mãe, ou seja, deve ser capaz de gerar cristãos em todas as latitudes e longitudes. No entanto, os sonhos são úteis porque, graças ao poder da imaginação, podemos transformar a realidade. O medo existe: é evidente. Mas falta aquele impulso propulsor e propositivo para dar vida a uma nova – no sentido de renovada – Igreja. Mais do que sonhos, falta combustível.

Leia mais