Nos países pobres já se percebe a carestia

Foto: Unsplash

Mais Lidos

  • Para a pesquisadora, o design das plataformas deixou de ser apenas uma escolha estética de interface e se tornou o principal ator tecnopolítico das Big Techs, moldando o comportamento dos usuários e impactando diretamente o debate democrático

    Economia da atenção: o design algorítmico a serviço da estetização da política. Entrevista especial com Anna Bentes

    LER MAIS
  • Após uma catástrofe, existem três caminhos, explica um dos criadores do termo resiliência: continuar como antes, votar em um ditador que promete segurança ou evoluir e renascer

    “Não se pode debater com fanáticos como Trump. Se você não pensa como ele, você é um idiota”. Entrevista com Boris Cyrulnik, neuropsiquiatra

    LER MAIS
  • Sobre a possibilidade de um golpe de Estado. Artigo de Jean Marc von der Weid

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

26 Março 2022

 

Enquanto os olhos de meio mundo estão sobre a Ucrânia, outro pedaço do planeta enfrenta uma catástrofe diferente. Já em ação antes da invasão decidida por Vladimir Putin, mas agora em extraordinária aceleração. Uma catástrofe alimentar.

 

A reportagem é de Danilo Taino, publicada por Corriere della Sera, 24-03-2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Rússia e a Ucrânia são grandes exportadores de produtos agrícolas: a destruição da guerra e as sanções contra Moscou tornam agora difícil - veremos se impossível – fazer com que cheguem a quem os adquire. Um destino demasiado pesado para os Países pobres. Em 2020, a Rússia forneceu 21% das exportações globais de trigo e a Ucrânia 9% (números da OCDE). O milho exportado foi 2% russo, mas 12% ucraniano. Os fertilizantes produzidos na Rússia cobriram quase 23% do total exportado no mundo. Nos últimos cinco anos, os dois países exportaram em média 75% do óleo de girassol mundial e 32% da cevada.

A OCDE também desenhou dois cenários para imaginar as consequências da invasão da Ucrânia sobre o comércio de grãos. No menos dramático - recessão na Rússia e na Ucrânia e 20% menos áreas cultivadas - as exportações mundiais de trigo cairiam 7%, as de milho 3% e as de outros cereais mais de 5%. No cenário extremo - em que as exportações são bloqueadas em ambos os países - o trigo colocado nos mercados globais cairia 13%, o milho pouco menos de 10% e os outros cereais 7,5%. É difícil estabelecer qual cenário é mais realista: as Nações Unidas estimam que até 30% da terra cultivável da Ucrânia está se tornando zona de guerra.

Desde a invasão da Ucrânia em 24 de fevereiro, o preço do trigo no mundo subiu mais de 20%, o da cevada 33% e o de alguns fertilizantes quase 40%. Os suprimentos já eram caros devido à pandemia e a seca já havia forçado muitos países pobres a importar mais alimentos do que o de costume: agora, com os preços em alta e escassez de mercadorias disponíveis nos mercados, as carestias se tornam uma realidade.

O resultado do todo é o alarme das Nações Unidas: consideram que esta pode ser uma crise sem precedentes desde a Segunda Guerra Mundial. O desastre já está nos níveis mais altos em países como Somália, Etiópia, Iêmen, Síria, Sudão do Sul, Afeganistão. Em pouco tempo, outras nações provavelmente também entrarão no cone escuro da carestia.

 

Leia mais