Papa: Como os Magos, sonhemos, procuremos, adoremos

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08 Janeiro 2022


Na homilia da Solenidade da Epifania o Papa Francisco nos recorda que “somos aquilo que desejamos. Porque são os desejos que impelem a vida mais além. Como os Magos, levantemos a cabeça, ouçamos o desejo do coração, sigamos a estrela que Deus faz brilhar sobre nós".

 

A reportagem é de Jane Nogara, publicada por Vatican News, 06-01-2022. 

 

Na Festa da Epifania, o Papa Francisco presidiu a celebração da Santa Missa na Basílica de São Pedro. Na sua homilia disse que a viagem dos Magos para Belém nos leva a interpelarmo-nos: “O que é que levou estes homens do Oriente a porem-se em viagem?” “Eram e sábios e astrólogos – continuou - tinham fama e riqueza; de posse de uma tal segurança cultural, social e econômica, podiam acomodar-se no que tinham e sabiam, deixando-se estar tranquilos. Mas não; deixam-se inquietar por uma pergunta e um sinal: “Onde está [Aquele] que nasceu?”. Como afirmou Bento XVI, eram “pessoas de coração inquieto, eram indagadores de Deus”.

 

 

Orientados para as estrelas

 

“Mas esta saudável inquietação, que os levou a peregrinar, de onde nasce? Do desejo. Eis o seu segredo interior: saber desejar. Meditemos nisto”, Francisco afirma que “desejar significa manter vivo o fogo que arde dentro de nós e nos impele a buscar mais além do imediato, mais além das coisas visíveis”. E diz que isto deve-se ao fato de Deus nos ter feito assim: empapados de desejo; orientados, como os Magos, para as estrelas".

 

Precisamos do desejo como Igreja

 

“Como no caso dos Magos, também a nossa viagem da vida e o nosso caminho da fé têm necessidade de desejo, de impulso interior”. E Francisco afirma que precisamos disso como Igreja. “Será bom perguntar-nos: a que ponto estamos nós na viagem da fé? Não estaremos já há bastante tempo bloqueados, estacionados numa religião convencional, exterior, formal, que deixou de aquecer o coração e já não muda a vida?”. "Na nossa vida e nas nossas sociedades, a crise da fé tem a ver também com o desaparecimento do desejo de Deus”, recordou o Papa. “Tem a ver com a sonolência do espírito, com o hábito de nos contentarmos em viver o dia a dia, sem nos interrogarmos acerca daquilo que Deus quer de nós”.

E Francisco sugere: “Hoje é o dia bom para voltar a alimentar o desejo. Como fazer? Vamos à ‘escola do desejo’ dos Magos. Fixemos os passos que dão e tiremos algumas lições”.

 

Escola do desejo

 

“Em primeiro lugar – explica - partem quando aparece a estrela: ensinam-nos que é preciso voltar a partir sempre cada dia, tanto na vida como na fé, porque a fé não é uma armadura que imobiliza, mas uma viagem fascinante, um movimento contínuo e inquietador, sempre à procura de Deus”.

“Depois, os Magos em Jerusalém perguntam: perguntam onde está o Menino. Ensinam-nos que precisamos de interrogativos, de ouvir com atenção as perguntas do coração, da consciência”.

“Além disso, continuou o Papa explicando como encontrar o desejo, “os Magos desafiam Herodes. Ensinam-nos que temos necessidade de uma fé corajosa, profética, que não tenha medo de desafiar as lógicas obscuras do poder, tornando-se semente de justiça e fraternidade numa sociedade onde, ainda hoje, muitos ‘herodes’ semeiam morte e massacram pobres e inocentes, na indiferença da multidão”.

“Por fim, os Magos regressam por outro caminho: provocam-nos a percorrer estradas novas. É a criatividade do Espírito, que faz sempre coisas novas. É também uma das tarefas do Sínodo: caminhar numa escuta conjunta, para que o Espírito nos sugira caminhos novos, estradas para levar o Evangelho ao coração de quem é indiferente”.

No ponto culminante da viagem dos Magos, porém, há um momento crucial: tendo chegado ao destino, viram o Menino e “prostrando-se adoraram-No”. Adoram. Lembremo-nos disto:

Concluindo o Papa disse: “Aqui, como os Magos, teremos a certeza de que, mesmo nas noites mais escuras, brilha uma estrela. É a estrela de Jesus, que vem cuidar da nossa frágil humanidade. Ponhamo-nos a caminho rumo a Ele”. “Como os Magos, levantemos a cabeça, ouçamos o desejo do coração, sigamos a estrela que Deus faz brilhar sobre nós. Como pesquisadores inquietos, permaneçamos abertos às surpresas de Deus. Sonhemos, procuremos, adoremos".

 

Nota do IHU

 

A íntegra da homilia do Papa Francisco, em português, pode ser lida aqui.

 

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