CFE 2021: Unidade na diversidade

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19 Fevereiro 2021

"Durante a Quaresma (embora continue depois o ano todo) realizamos a CFE 2021, promovida pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC), que tem como tema “Fraternidade e diálogo: compromisso de amor” e como lema “Cristo é a nossa paz: do que era dividido fez uma unidade” (Ef 2,14a)", escreve Marcos Sassatelli, frade dominicano, doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP) e professor aposentado de Filosofia da UFG.

Eis o artigo.

No dia 17 do mês corrente - quarta-feira de Cinzas - inicia a Quaresma, um tempo de preparação para a Páscoa. “Quaresma, na tradição cristã, é período de conversão e autorreflexão. São 40 dias dedicados à oração, ao jejum, à partilha do pão e à conversão pela revisão de nossas práticas e posturas diante da vida, do Planeta e das pessoas”.

É a prática da contrição, “resultado da graça de Deus, que nos permite o reconhecimento dos nossos pecados e o sincero arrependimento. Deus nos perdoa porque é amor misericordioso” (V Campanha da Fraternidade Ecumênica - CFE 2021. Texto-Base, p. 14)

Durante a Quaresma (embora continue depois o ano todo) realizamos a CFE 2021, promovida pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC), que tem como tema “Fraternidade e diálogo: compromisso de amor” e como lema “Cristo é a nossa paz: do que era dividido fez uma unidade” (Ef 2,14a).

O objetivo geral da CFE 2021 é: “Convidar as Comunidades de fé e pessoas de boa vontade a pensarem, avaliarem e identificarem caminhos para superar as polarizações e violências através do diálogo amoroso, testemunhando a unidade na diversidade”.

Os objetivos específicos - para alcançar o objetivo geral - são:

  • “Redescobrir a força e a beleza do diálogo como caminho de relações mais amorosas;
  • Denunciar as diferentes violências praticadas e legitimadas indevidamente em nome de Jesus”;
  • Comprometer-nos com as causas que defendem a casa comum, denunciando a instrumentalização da fé em Jesus Cristo que legitima a exploração e a destruição socioambiental;
  • Contribuir para superar as desigualdades;
  • Animar o engajamento em ações concretas de amor ao próximo;
  • Promover a conversão para a cultura do amor, como forma de superar a cultura do ódio;
  • Fortalecer a convivência ecumênica e inter-religiosa;
  • Estimular o diálogo e a convivência fraterna como experiências humanas irrenunciáveis, em meio a crenças, ideologias e concepções, em um mundo cada vez mais plural;
  • Compartilhar experiências concretas de diálogo e convívio fraterno” (Ib. p. 11).

Falando de “unidade na diversidade”, nos referimos a todos aqueles/as que - embora diversos ou diferentes - estão comprometidos/as com o Projeto de Libertação e Vida (Projeto de um Mundo Novo), que à luz da fé, é o Reino de Deus na história do ser humano e do mundo. Não nos referimos aos que estão comprometidos/as com o Projeto de Opressão e Morte, que é o Antirreino de Deus. Esses são nossos inimigos e a única maneira de amá-los é ser contra o seu Projeto de Opressão e Morte.

Jesus pede ao Pai pelos seus discípulos “para que todos sejam um” (Jo 17, 21), mas não pede para que todos sejam um com Herodes e Pilatos. Aos discípulos, porém, que estavam “enciumados” por encontrarem pessoas que realizavam as mesmas obras deles sem serem do grupo, Jesus - com muita naturalidade - diz: “Quem não está contra nós, está a nosso favor” (Mc 9, 40).

Como de costume, a CFE 2021 vivencia o Método (caminho) “ver, julgar, agir” (“analisar, interpretar, libertar”) e “celebrar”. Ele "nos permite articular, de modo sistemático, a perspectiva cristã de ver a realidade; a assunção de critérios que provêm da fé e da razão (ou seja, da razão iluminada pela fé) para seu discernimento e valorização com sentido crítico; e, em consequência, a projeção do agir como discípulos/as missionários/as de Jesus Cristo" (Documento de Aparecida - DA 19).

A CFE 2021 convida as Comunidades de fé a viverem a espiritualidade quaresmal, realizando o caminho de Emaús em quatro paradas:

  • Primeira: VER - “conversar sobre os acontecimentos mais recentes (fazendo, sobretudo, uma análise contextualizada e crítica da pandemia da Covid-19) que marcam nossa história e observar se as alternativas e saídas que identificamos são opções coerentes com a Boa Nova do Evangelho”.
  • Segunda: JULGAR - “a partir da inspiração bíblica, lançar luzes sobre o contexto histórico vivido por nós”.
  • Terceira: AGIR - “a partir de experiências de boas práticas realizadas pelo CONIC, indicar exemplos que podem contribuir para derrubar os muros das divisões”.
  • Quarta: CELEBRAR - “afirmar que a diversidade presente na Criação não é negativa, mas é a revelação da imensa e irrestrita amorosidade de Deus para com a humanidade” (Ib. p. 16-17. Leia e medite o Texto-Base).

Termino com as palavras da Oração da CFE - 2021: “Deus da vida, da justiça e do amor, nós Te bendizemos pelo dom da fraternidade e por concederes a graça de vivermos a comunhão na diversidade” (Ib, p. 82).

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