McCarrick, Maciel, Karadima, Figari... os “apóstolos” da pedofilia e a Igreja que se calou

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13 Novembro 2020

“No momento da nomeação do arcebispo de Washington Theodore McCarrick em 2000, a Santa Sé atuou sobre a base de informação parcial e incompleta. Infelizmente, se cometeram omissões e subestimações, foram tomadas decisões que depois se evidenciaram equivocadas”. Esta é uma das conclusões do “Relatório McCarrick” apresentado nesta terça-feira pelo Vaticano, depois de dois anos de estudo.

A reportagem é de Jesús Bastante, publicada por Religión Digital, 11-11-2020. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

Um relatório no qual, apesar de veladamente, se admite a má práxis do corpo eclesial, que não soube, ou não quis, ver a atuação deste depredador que, como muitos outros, alcançou grandes pontos de poder na Igreja... e que morrerá sem pisar no cárcere, enquanto suas vítimas viveram uma eterna dupla condenação: a dos abusos e a do silêncio e do encobrimento da hierarquia católica. Uma prática que, por desgraça, se deu em meio mundo. Austrália, Estados Unidos, Irlanda, Alemanha, Reino Unido, Peru, Chile, Espanha...

Porque McCarrick não foi o primeiro caso de clérigo que, durante décadas, atuou com total impunidade. Claro que se sabia. Como o próprio relatório indica, chegaram várias denúncias a Roma contra McCarrick, e a constatação de que o então bispo de Newark não era de fiar. Porém João Paulo II não ouviu as acusações, e acreditou em McCarrick e não nas vítimas. Bento XVI tampouco soube, ou quis, condenar o purpurado, e limitou-se a umas “recomendações” de vida retirada, que nem McCarrick cumpriu, nem Roma – nem Viganò, então núncio nos EUA – o fez cumprir. Tudo – está claro – no mais absoluto silêncio. Ninguém soube de nada, ninguém fez nada.

 

“Nosso padre Maciel”, o protegido de Wojtyla e de Dzwisz

Assim como McCarrick, foi com Marcial Maciel. Possivelmente o maior estuprador da história recente da Igreja Católica, que abusou de quase uma centena de crianças durante décadas, muitas das quais acabaram se tornando perpetradores dentro de uma rede corrupta e silenciosa, na qual ‘nosso padre Maciel’ era intocável. E, muito pior: eram as vítimas as culpadas.

Os Legionários de Cristo levaram mais de três décadas para reconhecer os abusos de seu fundador, protegidos como no caso de McCarrick por João Paulo II e seu fiel Stanislaus Dzwisz. A contrapartida, em ambos os casos, foi evidente: forte financiamento do México e dos Estados Unidos, e novas vocações sacerdotais para o projeto de involução da Igreja Católica. Roma obedeceu, ninguém foi para a prisão. O último exemplo, o dos abusos de Nicola Corradi no Instituto Próvolo de La Plata, declarados prescritos pela Justiça.

 

Karadima, Figari: os casos prescritos

Sim, Fernando Karadima conseguiu, um dos predadores mais tristemente famosos do Chile, que durante décadas fez e desfez à sua vontade na Igreja do país. Formador de grande parte do episcopado do país – expulso por Francisco após a explosão do escândalo – conseguiu contornar as acusações contra ele e seus protetores, a ponto de enganar o próprio Bergoglio.

A perseverança e tenacidade de Juan Carlos Cruz, James Hamilton e José Andrés Murillo conseguiram, depois de décadas, que o padre encontrasse seus ossos perante o juiz, e fez com que Francisco fizesse do Chile a ponta de lança do processo de limpeza na Igreja. Que, apesar de tudo, continua a manter suas misérias.

Luis Fernando Figari passou algum tempo na prisão, mas agora goza de semiliberdade em uma casa da instituição fundada por ele, o Sodalício da Vida Cristã, após ter sido condenado (apenas canonicamente) pelo Vaticano. Como em muitos outros casos, o véu de silêncio que durante anos reinou nas estruturas eclesiásticas fez com que muitos pedófilos e abusadores vissem prescrever suas causas civis.

 

Cociña, Gaztelueta... O silêncio da Obra

Em relação às leis canônicas... uma coisa é a sanção e outra é o seu cumprimento, como se pôde constatar no caso das vítimas de Astorga ou no de Manuel Cociña, o primeiro abusador do Opus Dei, que vive pacificamente em uma casa da Obra depois de anos de ocultamento – uma marca da casa.

A prova disso é a reação da Obra e da escola Gaztelueta ante a sentença condenatória do numerário: nenhuma. Um silêncio que vitimiza novamente os sobreviventes e que serve de terreno fértil para muitos abusadores que sentem que, apesar dos esforços de Francisco, a Igreja continua a ser um lugar ‘seguro’... para eles.

 

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