Alertas do Inpe indicam alta de 40% em desmate na Amazônia; governo contesta

Comunidade rural de Ambé, na região conhecida como Lago do Peixe-boi, a uma hora de carro da capital, Macapá. Os infratores desmataram uma área de preservação permanente (APP) e construíram lagos artificiais para a aquicultura | Foto cortesia da DEMA-AP.

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01 Agosto 2019

Depois de passar quase duas semanas dizendo que os dados de desmatamento da Amazônia são mentirosos, o governo Jair Bolsonaro reconheceu nesta quarta-feira, 31, que a taxa está em alta, mas afirmou que os números que vieram à tona foram uma interpretação equivocada. O presidente anunciou no sábado que haveria uma “surpresa” nos números e nesta quarta disse que apresentaria o “dado real”. Mas o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, encerrou o dia dizendo que os “porcentuais interpretativos cairão.”

A reportagem é de Giovana Girardi, publicada por O Estado de S. Paulo, 01-08-2019.

O período em que a taxa anual do desmatamento é medida se encerrou nesta quarta (de 1.º de agosto de um ano a 31 de julho do ano seguinte), e dados de alertas disponíveis no site do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) indicam que a perda da vegetação este ano pode ter sido bem maior que no ano anterior. O agregado de alertas feitos pelo Deter - o sistema de detecção em tempo real - aponta alta de 40% ante o mesmo período do ano anterior. Os satélites observaram uma perda até esta quarta-feira de 5.879 km quadrados da floresta, ante 4.197 km quadrados entre 2017 e 2018.

Os valores começaram a subir mais do que nos últimos anos a partir de maio. Julho, segundo o Deter, trouxe a maior perda em um mês desde 2015. Até esta quarta, o desmatamento observado foi de 1864,2 km quadrados - um valor 212% mais alto que julho de 2017. É mais do que a área da cidade de São Paulo, que tem cerca de 1.500 km quadrados.

Os números acendem um sinal vermelho. O Deter fornece dados diariamente ao Ibama e às secretarias estaduais de Meio Ambiente para ajudá-las na fiscalização. Ele observa desmatamento com solo exposto, desmatamento com vegetação, limpeza para mineração, degradação. Considerando os três primeiros pontos, que realmente indicam a perda da floresta, o chamado corte raso, chega-se aos números citados.

Mais rápido, porém com resolução menor, o Deter funciona como indicador do que um outro sistema, o Prodes, vai mostrar até o fim do ano. Este sim é o monitoramento que fornece a taxa anual oficial da Amazônia. Nas últimas semanas, a gestão Bolsonaro, repercutindo análises de junho, começou a criticar o Inpe e chegou a dizer que os dados são mentirosos, que o diretor do Inpe, Ricardo Galvão, estaria “a serviço de alguma ONG” e a divulgação prejudica o País.

A íntegra da reportagem pode ser lida aqui

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