“Acredito que um diaconato para as mulheres seria possível”, afirma o cardeal Ravasi

Freira. | Foto: Paval Hadzinski/Flickr

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06 Março 2019

Ele ataca as críticas das alas “ultracatólicas” a Francisco: “banalidades”, trabalho de “minorias fracas”. Ravasi defende o diaconato feminino e uma presença “mais forte” de mulheres no Vaticano.

Ele qualifica as críticas a Francisco como “extremamente pobres do ponto de vista temático, teológico e intelectual”.

A reportagem é de Cameron Doody, publicada por Religión Digital, 05-03-2019. A tradução é de André Langer.

Ele conta em seu trabalho como presidente do Pontifício Conselho para a Cultura com um Conselho Consultivo que tem a participação de 35 mulheres de diferentes tradições religiosas e condições de vida; mas o cardeal Gianfranco Ravasi quer mais para as católicas. Até o diaconato feminino, que o cardeal italiano acredita que “seria possível”, embora se deva que ter cuidado para não “se fixar constantemente” nas mulheres sacerdotes, o que seria, na sua opinião, “clerical”.

“Acredito que um diaconato para as mulheres seria possível”, afirmou Ravasi em entrevista ao portal católico alemão katholisch.de. “Mas, precisamos discuti-lo desde já, a tradição histórica é muito complexa”, matizou o cardeal, acrescentando que, para evitar o perigo da clericalização dos fiéis, poderíamos “falar sobre outros papéis muito importantes das mulheres na Igreja”.

“Por exemplo, a liderança de uma paróquia, do ponto de vista estrutural”, sugeriu Ravasi, “ministro” da Cultura vaticana desde 2007. “Ou o campo da catequese, do voluntariado, das finanças, da arquitetura, do design [...] Por que não [colocar essas coisas] nas mãos das mulheres?”, perguntou-se o cardeal, antes de recordar que “também poderia haver uma presença mais forte de mulheres nas autoridades vaticanas, inclusive nos níveis mais altos”.

O Conselho Consultivo de mulheres que Ravasi reuniu no Ministério da Cultura da Santa Sé – que, como o cardeal explicou, tem membros tão diversos como professoras universitárias, mães, muçulmanas, judias, ateias, estilistas e jornalistas – “poderia ser um modelo” para outros organismos vaticanos. Mas isso, desde que lhes seja dado um poder real, evitando que estejam ali por mera “perfumaria”, alertou Ravasi.

Na entrevista ao portal alemão, o cardeal Ravasi também deu sua opinião sobre o que descreveu como as críticas “ultracatólicas” ao Papa Francisco, que, recordou, são o trabalho de “minorias fracas” na Igreja.

Embora esses ultras sejam uma minoria “são bons em usar os meios de comunicação para que todo mundo fale” de suas reclamações, admitiu o cardeal, se bem que seja verdade que seus sítios “são extremamente pobres do ponto de vista temático, teológico e intelectual”, repletos, “muitas vezes”, de “banalidades”.

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