“Reconheçamos os casais gays e os seus direitos”: valdenses defendem uniões homossexuais

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25 Agosto 2017

A abertura aos casais de fato, incluindo os homossexuais, no primeiro documento, desde 1971, está em discussão no Sínodo Valdense. “A assembleia ainda não chegou à aprovação do texto, mas, a partir da discussão, surgiu uma clara orientação de valdenses e metodistas a reconhecer a pluralidade de modelos de família presentes na sociedade, ao seu reconhecimento eclesiástico através da benção de uniões civis reconhecidas pelo Estado e a buscar o compromisso na sociedade para que os direitos sobre essas questões possam ser ampliados”, explicam em Torre Pellice, onde o dia foi dedicado a esse assunto.

A reportagem é de Jacopo Ricca, publicada no jornal La Repubblica, 21-08-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O documento elaborado pela “Comissão Famílias” é o primeiro desde 1971 e, de algum modo, busca sistematizar o que os protestantes italianos defendem há muito tempo, mesmo em contraste com as posições oficiais da Igreja Católica sobre uniões homossexuais e casais de fato: “O documento é fruto de um empenho que, desde 2011, levou as reflexões sobre essas questões às comunidades locais e às igrejas em toda a Itália”, explicam o pastor Paolo Ribet e Paola Schellenbaum, respectivamente coordenador e membro da comissão que produziu o texto.

A discussão, aprofundada ao longo do ano e que chegou ao ápice no dia 21 passado, com os deputados do Sínodo, traz à tona o equilíbrio entre liberdade e responsabilidade das igrejas, seja em âmbito jurídico, seja em âmbito litúrgico. É importante o debate teológico que se desenvolveu sobre o conceito de bênção, que se refere sempre às pessoas, e não às formas jurídicas de união, que, para as Igrejas valdenses e metodistas, não são sacramentos.

No texto que será aprovado nos próximos dias, as Igrejas e as pessoas crentes individuais são convidadas a se empenhar “para que o caminho de consciência, de abertura, de acolhida se estenda para as novas formas de relação que já existem na sociedade, com uma atenção particular às diversas sensibilidades em âmbito intercultural do qual as Igrejas são protagonistas e testemunhas”.

O moderador da Mesa Valdense, Eugenio Bernardini, também ficou satisfeito: “É um documento que se adapta constantemente às mudanças da sociedade e é passível de mais melhorias, mas demos uma virada, estamos em uma fase que nos permite um reconhecimento de todas as famílias, do tecido afetivo e social das pessoas. Agora, continua a tarefa cultural no país, porque ainda há outros passos a serem dados. É importante que tenha havido um consenso em nível local e nacional sobre esses temas”.

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