Conferência de Santa Marta pode ser “virada” para fim dos combustíveis fósseis

Foto: Bernd Dittrich/Unplash

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22 Abril 2026

Anunciada na COP30, em Belém, em novembro de 2025, a 1ª Conferência Internacional sobre a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis começa na sexta-feira (24/4), em Santa Marta, na Colômbia. Será a primeira vez na história que governos se reúnem em uma grande cúpula internacional para planejar a eliminação de petróleo, gás fóssil e carvão — os principais responsáveis pelas mudanças climáticas, que vêm tornando os eventos extremos cada vez mais frequentes e intensos.

A reportagem é publicada por ClimaInfo, 21-04-2026.

A "COP dos Fósseis" é organizada pela Colômbia e pelos Países Baixos e acontece até 29 de abril. Até o início da semana, governos de mais de 50 países haviam confirmado presença, além de representantes da sociedade civil, da academia e de governos subnacionais. A proposta da conferência é criar um espaço intergovernamental e multissetorial voltado à coordenação de ações para acelerar a chamada transição energética.

A princípio, o evento colombiano foi uma resposta à ausência de qualquer menção ao fim dos combustíveis fósseis nos textos da COP30 — ausência capitaneada por petroestados como a Arábia Saudita e a Rússia. Contudo, com a proposta da presidência brasileira da COP30 de elaborar um mapa do caminho global para acabar com petróleo, gás e carvão, Santa Marta se transformou em um "agregador" de propostas para o roadmap mundial, explica a ministra do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Colômbia, Irene Vélez Torres. Sobretudo diante da crise energética provocada pelos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, iniciados em 28 de fevereiro.

"Santa Marta chega em um momento de crise máxima, que põe a dependência dos combustíveis fósseis na crista da onda. Esperamos mover a agenda, já que o tema era tabu, tanto pela dependência econômica dos países quanto pelo lobby das petroleiras. E desenhamos uma metodologia que contribua para o roadmap. Produziremos um relatório focado na superação da dependência econômica, no novo balanço da matriz energética mundial e no multilateralismo, e o entregaremos à presidência da COP30", explicou Irene Vélez Torres.

A ministra colombiana contou que a conferência contará com a participação de nações produtoras de combustíveis fósseis, incluindo países da Europa e da América do Norte. Entretanto, enquanto o barril de petróleo não se afasta dos US$ 100 — antes da guerra no Oriente Médio, girava em torno de US$ 65 —, fazendo com que mais de US$ 100 bilhões dos cidadãos fossem transferidos às empresas de petróleo e gás em menos de um mês, segundo análise da 350.org, os países da Pan-Amazônia ignoram o chamado para participar do encontro. Entre os nove países e territórios que compartilham o bioma, apenas o Brasil e a França (Guiana Francesa), além da Colômbia, confirmaram presença até a semana passada. Peru, Bolívia, Venezuela, Equador, Guiana e Suriname não se manifestaram publicamente quanto a participar ou não da conferência.

Contudo, mesmo que os governos desses países não compareçam, as demais nações pan-amazônicas não estarão sem representação. Mais de 2,5 mil organizações da sociedade civil estão credenciadas. Além disso, será realizada uma Cúpula Popular por um Futuro Livre de Combustíveis Fósseis paralelamente à conferência, de 24 a 26 de abril, semelhante ao que houve na COP30.

A ideia é sair da cúpula com um "Mapa do Caminho dos Povos", que deve ser apresentado em uma assembleia popular organizada pelo governo colombiano no dia 27. A expectativa é de que o documento seja considerado nas reuniões do segmento de alto nível, com a presença dos ministros e representantes dos governos, nos dias seguintes.

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