Cabul: quase 14.000 recém-nascidos morreram desde o início do ano por falta de comida

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01 Abril 2022

 

O desastre humanitário era anunciado: mais da metade da população já está em situação de insegurança alimentar. Agências internacionais estão implementando medidas de contenção. Enquanto isso, Moscou credenciou o primeiro diplomata do Emirado Islâmico do Afeganistão.

 

A reportagem é publicada por AsiaNews, 31-03-2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

O Afeganistão continua a afundar-se numa crise humanitária que analistas e especialistas haviam anunciado, após a retirada ocidental e a reconquista talibã do país: 95% da população continua a ter um consumo alimentar inadequado; mais de 85% das famílias que anteriormente tinham uma renda declararam não ter recebido um salário em fevereiro; pelo menos 23 milhões de pessoas (mais da metade da população) já estão em situação de insegurança alimentar. Para comer, no máximo, só tem pão, até adoçar o chá é um luxo. Pelo menos 26 mães e 13.700 recém-nascidos morreram desde o início do ano por falta de comida, segundo dados do Ministério da Saúde.

Em um país onde o número de viúvas é superior a 900.000 de acordo com o site reliefweb, mulheres e crianças são obrigadas a pedir esmola para tentar manter a própria família: em Herat algumas centenas de crianças foram levadas por funcionários do Ministério do Trabalho e organizações internacionais para que possam aprender um ofício, escreve ToloNews. Os garotos tirados da rua receberão 79 dólares por mês e poderão continuar estudando por seis meses. Medidas de amortecimento, como transferências de dinheiro do Unicef: as famílias mais vulneráveis recebem assistência financeira com a possibilidade de dispor livremente do dinheiro. De acordo com um recente relatório da agência, o dinheiro é usado principalmente para comprar alimentos, sapatos e roupas para as crianças, remédios, lenha ou outros combustíveis para aquecer a casa.

Paralelamente, graças à desatenção da mídia ocidental, focada no conflito na Ucrânia, os Talibãs continuam sua repressão da sociedade sem ser perturbados: as meninas foram proibidas de voltar à escola, as mulheres não poderão viajar para o exterior sem um acompanhante; a BBC, a Deutsche Welle e outros meios de comunicação internacionais foram obrigados a fechar seus programas em urdu, pashto e persa e ir embora; os parques foram segregados com base no sexo - as mulheres só poderão ir três dias por semana e os homens os outros quatro, inclusive nos finais de semana -, os homens também foram obrigados a usar roupas tradicionais e deixar a barba crescer. Funcionários do ministério para a promoção da virtude e a prevenção do vício ameaçaram demitir qualquer pessoa que se apresentasse ao trabalho violando a nova regra. Caso alguém ainda tivesse dúvidas, é evidente que os Talibãs não mudaram e não se tornaram moderados.

Teria sido, portanto, um acontecimento memorável se as meninas tivessem realmente sido autorizadas a voltar à escola, como os Talibãs haviam prometido num primeiro momento: na manhã de 23 de março, quando depois de mais de sete meses as escolas foram reabertas para o início do novo ano, as jovens mulheres que teriam recomeçado o ensino médio foram proibidas de entrar na sala de aula. Em sinal de protesto, os Estados Unidos não compareceram a um encontro agendado em Doha em que teriam discutido questões econômicas importantes com os Talibãs para desbloquear a situação financeira e a falta de liquidez, principal causa da desastrosa situação humanitária.

Os talibãs voltaram-se então para o Oriente: ontem e hoje realizou-se na China uma cúpula dos ministros do Exterior da região. A cúpula, a terceira do gênero, foi realizada em Tunxi, na província chinesa de Anhui, e contou com a presença de representantes do Paquistão, Rússia, Irã, Tadjiquistão, Turcomenistão e Uzbequistão. A China enfatizou que um Afeganistão próspero e estável é do interesse não apenas do povo afegão, mas de toda a região. À margem do encontro, serão discutidas as relações econômicas trilaterais entre Cabul, Islamabad e Pequim, enquanto o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, afirmou que os crescentes laços comerciais entre o Afeganistão e nações vizinhas estão contribuindo para o potencial reconhecimento internacional administração talibã: hoje o primeiro diplomata afegão do novo governo do Emirado Islâmico do Afeganistão foi acreditado em Moscou.

 

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