Ansiedade pró-vida com a iminente encíclica sobre meio ambiente do Papa Francisco

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05 Mai 2015

Autoridades vaticanas confirmaram esta semana que a tão esperada carta encíclica do Papa Francisco sobre o meio ambiente está finalizada e pronta para ser traduzida, devendo ser publicada em junho. Uma encíclica é a forma mais desenvolvida do ensinamento papal, e esta é a primeira vez que um documento como este vai ser devotado, inteiramente, ao meio ambiente.

A reportagem é de John L. Allen Jr., em artigo publicado porCrux, 03-05-2015. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Nessa semana que passou, o Vaticano organizou um congresso sobre as alterações climáticas em Roma em parceria com as Nações Unidas, contando com a presença do secretário-geral Ban Ki-moon. O Heartland Institute, principal grupo americano que reúne céticos das mudanças climáticas e do aquecimento global, organizou um evento também em Roma para tratar do assunto, mas os seus participantes não foram sequer convidados para entrar no congresso do Vaticano e da ONU.

A expectativa quase universal é que esta encíclica trata a autoridade moral da Igreja Católica para pedir uma proteção mais incisiva ao meio ambiente, incluindo políticas para se limitar a emissão de gases de efeito estufa como parte de uma campanha para frear as mudanças climáticas.

Francisco já adiantou, em vários momentos, o conteúdo do documento.

Disse que queria vê-lo publicado em meados de 2015 de forma que influencie a cúpula da ONU sobre as mudanças climáticas a acontecer em Paris no mês de dezembro. O pontífice disse esperar que os países reunidos no evento façam escolhas “corajosas” –implicando claramente que os esforços, feitos até o momento, não foram feitos com coragem.

Em janeiro, o papa concordou que as mudanças climáticas são, em grande parte, produto da atividade humana, chegando ao ponto de culpar a humanidade por “esbofetear” o mundo natural. Francisco também gosta de dizer que “Deus sempre perdoa, o homem às vezes perdoa, mas a natureza jamais perdoa”. 

Antes mesmo de ser publicada a encíclica já está recebendo críticas. Algumas delas vêm dos céticos do aquecimento global e das mudanças climáticas. Porém, o que supostamente é mais preocupante para o para o papa são as críticas que vêm de dentro da Igreja.

Um destes críticos se manifestou na semana passada em um artigo publicado no La Nuova Bussola Quotidiana, sítio católico amplamente lido na Itália. O parágrafo conclusivo do texto de Riccardo Cascioli, seu autor, diz: “O caminho em que a Igreja se encontra precisamente é este: aprovar discretamente o controle populacional enquanto fala sobre alguma outra coisa”.

O que Cascioli quer, no fundo, dizer não é apenas que a ONU é, em vários sentidos, um estranho parceiro da Igreja Católica, visto que as agências deste organismo internacional, ao longo dos anos, se envolveram em batalhas titânicas contra a Igreja em questões tais como se o uso da camisinha deveria ser parte dos esforços para impedir a difusão da AIDS nos países em desenvolvimento.

É também o caso que o ambientalismo e o controle populacional estão ligados intrinsecamente, pois pelo menos em suas formas atuais, acredita Cascioli, não se pode ter, simplesmente, um sem ter o outro.

Para quem não conhece a obra de Cascioli, ele é um ex-funcionário da Rádio Vaticano e coautor de um livro, em dois volumes, intitulado “Lies of the Environmentalists” [Mentiras dos ambientalistas, em tradução livre], publicados em 2004 e 2006. Entre outras coisas, a obra sustenta que os ecoativistas radicais negam o status espiritual singular dos seres humanos numa forma incompatível com a ortodoxia cristã.

Até agora, a principal preocupação de Cascioli era o ambientalismo secular. Agora, ele acredita que estas forças estão se infiltrando na Igreja em seus níveis hierárquicos mais altos.

“Até hoje, a Santa Sé sempre representou o obstáculo final e inviolável na defesa da dignidade humana contra uma ideologia globalista”, escreveu ele esta semana. Com esta nova encíclica papal, disse ele, pode estar chegando o momento em que a “Igreja Católica é trazida para dentro do coro ecológico (...) sustentando a sua doutrina oficial sobre o clima”.

A consequência lógica, acredita Cascioli, será abaixar a guarda contra o aborto, o uso de métodos contraceptivos e outras medidas de controle populacional, porque o “coro ecológico” está convencido de que a principal ameaça ao desenvolvimento sustentável e à harmonia ambiental é a superpopulação humana.

“É a história que acostumamos ouvir”, escreve. “Para eliminar a pobreza, tudo o que precisamos fazer é eliminar fisicamente os pobres”.

Em contraste com estas ideias, Cascioli cita a doutrina tradicional católica de que “toda a vida humana é sagrada e não pode ser sacrificada por nenhum motivo”, acrescentando por si mesmo: “Nem mesmo para salvar o planeta”. Ele não acredita que é preciso controlar o crescimento populacional no intuito de salvaguardar o meio ambiente.

O ponto central da discussão proposta por Cascioli é que não se pode ficar apenas com parte da pauta secular ambiental. Se o catolicismo abraçar oficialmente a cruzada contra as alterações climáticas, adverte o autor, a Igreja acabará indo a lugares indesejados, em que todos acabarão se arrependendo.

Independentemente do que se pense destas reflexões de Cascioli, será um engano concluir que ele é o único que se sente assim. Ele fala em nome de um grupo poderoso na Igreja, incluindo católicos bastante comprometidos com causas pró-vida.

Consequentemente, o rescaldo da próxima encíclica do papa não vai se fazer notar somente nos ambientes onde os assuntos ambientais fazem parte, explicitamente, da ordem do dia. Ele será sentido em muitos outros ambientes também, talvez inclusive na viagem do pontífice em setembro aos EUA e no Sínodo dos Bispos sobre a família em outubro.

Reenquadrando a reforma financeira do Vaticano

“Reforma” é uma daquelas palavras, como “esperança”, em que todo mundo diz acreditar. A parte difícil é definir o que ela significa, e este parece ser o estágio em que nos encontramos no que se refere à glasnost financeira do Vaticano, prometida pelo Papa Francisco.

É difícil dizer o quanto está em jogo aqui. Talvez até mais do que o assunto sexo, o dinheiro é a principal fonte de escândalos e desilusão para a Igreja. Se Francisco fizer um bom trabalho na reformulação das finanças, ele poderá estabelecer novos padrões para a instituição em todos os níveis.

Atualmente, há uma batalha em curso, opondo uma equipe nova contra a velha guarda no que se refere às mudanças na Cúria.

Algumas pessoas de dentro do Vaticano, no entanto, acreditam que este enquadramento não é nem apropriado tampouco um obstáculo para a verdadeira reforma. Compreender em que lugar se encontram as partes é fundamental para se avaliar a situação adequadamente.

Em fevereiro de 2014, Francisco encarregou o cardeal australiano George Pell com a tarefa de promover transparência e responsabilidade financeira, pondo-o à frente da Secretaria para a Economia. Os aliados de Pell incluem o cardeal alemão Reinhard Marx, que preside o novo Conselho para a Economia; o economista maltês Joseph Zahra, membro leigo deste Conselho; e Jean-Baptiste de Franssu, empresário francês presidente do conselho que administra o Banco do Vaticano.

Este grupo se fez notar, em parte por gerar ansiedade geral.

Algumas reações não tiveram muito sentido, e aqui estão incluídas as reportagens que acusavam Pell de gastar dinheiro além da conta com um alfaiate romano. Outras eram um pouco mais sérias, incluído o vazamento de informações do Vaticano em que o cardeal francês Jean-Louis Tauran, pessoa próxima ao papa, chamou de “uma fase de sovietização” o que então era visto como o poder, cada vez maior, de Pell.

Poder-se-ia perguntar se tais reações refletem motivos ulteriores. Deus sabe que se os parceiros do monsenhor Nunzio Scarano – ex-contador vaticano preso em 2013 sub acusação de contrabando e lavagem de dinheiro – ainda estão à solta, eles provavelmente não fazem parte do fã clube do Cardeal George Pell.

Muito mais extraordinário é a atual preocupação com os métodos e o desempenho de Pell e sua equipe, e não os seus objetivos.

Em graus variados, esta preocupação foi expressa por figuras tais como o cardeal italiano Francesco Coccopalmerio, procurador-geral do Vaticano; o seu representante, o bispo espanhol Juan Ignacio Arrieta; Tauran, membro do Conselho dos Cardeais que supervisiona o Banco do Vaticano; o Cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado; e o cardeal aposentado Attilio Nicora, perito em finanças da Igreja.

Estas figuras não formam um “campo”, nem mesmo uma oposição organizada. De uma forma ou de outra, no entanto, estas pessoas têm suas reservas sobre como a reforma está sendo implementada.

Por um lado, os críticos dizem que Pell opera num modelo ideal, onde os sistemas são configurados por um líder específico – neste caso, ele mesmo. Isso não funciona no Vaticano.

Uma história recorrente diz que um cardeal certa vez recebeu uma carta de Pell com algumas ordens ao que respondeu com uma clássica riposta: “Vossa Eminência, eu reconheço um papa somente, e o nome dele é Francisco, não George”.

Os céticos acusam Pell de usar os meios de comunicação para se promover, e dizem que sua equipe tem produzido resultados insatisfatórios – por exemplo, citando dúvidas sobre o que está acontecendo no Banco do Vaticano sob a liderança de Jean-Baptiste de Franssu. Eles também se queixam de que Pell prometeu eliminar o nepotismo, no entanto na maior parte contrata amigos, com o que estaria criando uma “lacuna de credibilidade”.

No fundo, a discussão é que se se quer uma reforma bem-sucedida, é preciso incluir limites e ela deve refletir as características singulares do Vaticano, e não modelos empresariais ou diocesanos. Os críticos de Pell dizem que estão buscando este tipo de mudança na Igreja, e não defendendo o status quo.

De sua parte, Pell insiste não estar interessado no poder, mas sim nos resultados, e que o novo enquadramento jurídico vigente garante freios e contrapesos robustos. Ele também diz que, apesar da resistência, tem encontrado amplo apoio para o seu trabalho.

Em termos gerais, Francisco tem apoiado Pell, ainda que alguns digam que este apoio tem diminuído na medida em que o pontífice adota uma visão mais nuançada da velha burocracia vaticana.

Alguns de dentro do Vaticano acreditam que Francisco aprovou vazamentos de informações em momentos importantes questionando as declarações de Pell, e que na fala bombástica do papa na semana do Natal a autoridades vaticanas, condenando a busca pelo poder “em nome da justiça e transparência”, era, em parte, direcionada a Pell.

Os amigos do cardeal australiano não concordam com esta afirmação. O que eles aceitam sem questionar, no entanto, é a tensão que está no ar.

Mesmo concordando que ambas as partes tenham motivos legítimos pensar e agir conforme vêm fazendo, reconciliá-las pode ser uma proposta arriscada.

Pell é uma pessoa difícil, comprometida em fazer as coisas acontecer. Às vezes, os seus inimigos pressupõem ter uma sabedoria superior simplesmente por estarem em Roma há mais tempo. É difícil saber o quanto de verdade tem aí, todavia.

Mesmo assim, talvez se a tensão puder ser enquadrada não como “bons garotos X maus garotos”, mas sim como diferenças entre pessoas que partilham dos mesmos fins básicos, então Francisco pode produzir uma síntese criativa.

Por fim, agir assim não é tapar o sol com a peneira. Tem a ver, isto sim, com garantir com que o dinheiro da Igreja sirva, de fato, aos pobres; que ele seja empregado na defesa da dignidade humana, trazendo as pessoas à fé, e todas as demais causas nobres pelas quais incontáveis milhões de católicos ao redor do mundo doam diariamente.

O enfrentamento das ameaças globais pode ajudar nos debates sobre a liberdade religiosa

Nesta semana, a Comissão para a Liberdade Inter-Religiosa, criada em 1998 para monitorar as violações da liberdade de religião no mundo e propor recomendações aos governos, emitiu o relatório anual 2015.

Aos que estão atentos à situação mundial nos últimos tempos, não será surpresa alguma ouvir que a situação não está boa.

O relatório cita uma onda crescente de “violência mascarada como devoção religiosa”, em particular as atrocidades cometidas pelo Estado Islâmico no Iraque e na Síria contra os yazidis e cristãos, bem como a relação entre os muçulmanos xiitas e sunitas.

“Os yazidis e os cristãos sofreram o pior impacto nestas perseguições”, conclui o relatório. “Desde execuções sumárias a conversões forçadas, de estupro a escravidão sexual, crianças sequestradas a templos de adoração destruídos, ataques contra estas comunidades fazem parte de um esforço sistemático para erradicar a presença deles do Oriente Médio”.

No entanto, está claro que o problema não se restringe ao Oriente Médio ou aos países islâmicos. A lista de “países em situações particularmente preocupantes” proposta pela Comissão inclui a China, a Birmânia, a Coreia do Norte e o Vietnã, além de outros que se encontrariam em situações particularmente muito difíceis: Cuba, Índia, Laos e Rússia

“Os horrores do ano passado são prova substancial do quanto e do porquê a liberdade religiosa, além da proteção às comunidades religiosas vulneráveis, é importante”, lê-se no texto do relatório. O documento pede uma resposta em três frentes: a assistência emergencial aos que sofrem, a promoção do reconhecimento da liberdade religiosa como um direito humano fundamental e a abordagem das causas da violência (a pobreza e a corrupção).

Em termos gerais, talvez o elemento mais intrigante do relatório seja a sua discussão de que promover a liberdade religiosa em lugares distantes não é apenas uma questão de direitos humanos, ou uma obrigação moral; é também uma prioridade nacional e antiterrorista.

O relatório cita o arcebispo católico de Bagdá, Jean-Benjamin Sleiman, numa fala em agosto de 2014: “A menos que haja paz (...) e não acho que a Europa vai ter calma. Este problema não se restringe às fronteiras territoriais”.

O documento diz que Jean-Benjamin Sleiman fez um discurso de profeta.

“Cinco meses depois, em janeiro de 2015, as mesmas forças do extremismo religioso violento assolaram a França e invadiram o estabelecimento Hyper Cacher, em Paris, no evento envolvendo o Charlie Hebdo”, diz o texto.

“Todos os países devem se preocupar com os casos de abuso em seus territórios, sustenta o relatório, “porque o que acontece em outros países raramente permanece só neles. Ficar ao lado dos perseguidos, e contra as forças do extremismo religioso violento, não é apenas um imperativo moral; é uma necessidade prática para qualquer país que busque proteger os seus cidadãos”.

O relatório visa parcialmente os políticos americanos, e portanto precisa argumentar que o que acontece em lugares distantes deve ter, de uma forma ou de outra, certa importância. Nesse sentido, relacionar a preocupação com a liberdade religiosa à segurança nacional é, muito provavelmente, uma boa cartada.

Aos cidadãos de fé americanos, no entanto, há na verdade uma outra discussão sobre as implicações domésticas, não presentes no relatório, que podem ter ainda mais peso: a conscientização de que o que acontece alhures pode ser uma ferramenta útil para os nossos próprios debates sobre a liberdade religiosa.

Peguemos, por exemplo, o impasse entre os grupos religiosos e o governo Obama relativo aos requisitos para a cobertura de métodos contraceptivos na reforma do sistema de saúde. As pesquisas revelam que muitos americanos acreditam que os métodos anticoncepcionais deveriam fazer parte de um pacote básico do sistema de saúde, e alguns poderão estar tentados a ver os pedidos de isenção por grupos religiosos em termos de privilégio ou tratamento especial.

Um outro exemplo: a Arquidiocese de Washington reivindicou vitória nessa quinta-feira (30 de abril) quando a Câmara dos Representantes derrubou uma lei do Distrito de Columbia que proíbe empresas de discriminar ou retaliar trabalhadores que acessam ao direito de fertilização in vitro, que usem métodos artificiais para o controle de natalidade, que façam sexo antes do casamento ou que busquem métodos abortivos (a questão agora vai para o Senado). A arquidiocese acredita que a lei “forçaria as instituições religiosas e outras organizações a contratar ou manter empregados que publicamente agem em desacordo com a missão de seu empregador”. Sem dúvida, alguns verão esta vitória da arquidiocese em termos de manutenção de seu próprio poder.

Uma década antes que os estados de Indiana e Arkansas adotassem leis polêmicas, o jornalista israelo-americano Jeffrey Goldberg chamou a preocupação então nascente sobre a liberdade religiosa nos EUA de “uma questão fabricada em Washington, num setor que produz as commodities políticas mais inestimáveis: uma política da divisão”.

As políticas da liberdade religiosa, observou ele, tendem a opor os ativistas pelos direitos humanos seculares contra os grupos religiosos, e dentro do ambiente cristão eles tendem a dividir os protestantes mais progressistas diante dos evangélicos e católicos.

Em outras palavras, a discussão sobre a liberdade religiosa nos EUA tende a funcionar como um outro fronte nas guerras culturais.

Mesmo assim, poucos americanos veriam nestes termos os pedidos de ajuda por parte dos yazidis, cristãos e muçulmanos moderados que sofrem nas mãos do Estado Islâmico.

A situação mundo afora põe o problema da liberdade religiosa em sua forma mais clara, e quanto mais os americanos se engajarem na ajuda às vítimas de perseguição no exterior, mais eles irão querer a defender a liberdade religiosa aqui também.

Em outras palavras, a ameaça global não é necessariamente uma distração às preocupações internas do país. Pelo contrário, ela pode ser a melhor forma de superarmos a atual polarização quando pensamos sobre elas.

Um esclarecimento sobre os “problemas de luxo”

No artigo publicado semana passada no sítio All Things Catholic, fiquei surpreendido pela quantidade de pessoas que pareceram interpretar o que escrevi como sendo que a defesa do matrimônio e da família, ou das guerras culturais em geral, é um “problema de luxo”, termo que empreguei para me referir às preocupações existentes em culturas afluentes.

Eu usei este termo especificamente para falar de uma polêmica em torno do Catholic Relief Services – CRS, órgão dos bispos americanos para a ajuda internacional, sobre se é apropriado ter um funcionário não católico em um cargo técnico e que esteja engajado num casamento homoafetivo.

Embora seja certamente legítimo pensar sobre a forma como uma organização católica deva refletir os ensinamentos católicos em suas contratações, o que eu queria dizer era que, em muitas partes do mundo, tais problemas estariam longe de ser questões urgentes, diante das ameaças bem mais preocupantes que enfrentam muitos cristãos e que estas, portanto, mereceriam uma atenção, no mínimo, igual.

Era isso o que eu tinha em mente quando escrevi o artigo.

À guisa de explicação, passei grande parte da semana passada conversando com cristãos na linha de fogo cruzado, inclusive com um bispo do Quênia que conheci em Roma e com um arcebispo sírio. Realmente, tudo o que eu queria dizer era que o sofrimento destas pessoas recebesse o mesmo nível de atenção daquelas coisas que nós, na imprensa americana, damos em nossas outras coberturas.

Pensando agora, talvez eu deveria ter disso isso de forma mais clara.

A propósito, para uma versão poderosa do caso de que defender o matrimônio e defender os cristãos perseguidos não precisa vir às custas dos outros, confira um extraordinário texto publicado no sítio Crux, na quinta-feira passada, escrito por Helen Alvaré, na sequência do artigo que é motivo desta nota aqui.

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