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A mensagem do Papa, muitas vezes, fica perdida na tradução

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14 Janeiro 2015

"Traduzir qualquer papa é sempre algo delicado. (Confesso: eu era uma das cinco pessoas que trabalharam na tradução para o inglês da famosa entrevista que o Papa Francisco concedeu ao padre jesuíta Antonio Spadaro para a revista America em 19 de setembro de 2013.) Mas traduzir este papa parece ainda mais complicado."

A opinião é do historiador italiano Massimo Faggioli, professor de história do cristianismo da University of St. Thomas, em Minnesota, nos EUA. O artigo foi publicado na revista Global Pulse, 08-01-2015. A tradução é de Claudia Sbardelotto.

Eis o texto.

Os dias em que o latim era a língua oficial no Vaticano há muito se foram. Como resultado do Concílio Vaticano II, o multilinguismo tem cada vez mais se tornado um recurso padrão da Roma eclesiástica. Isso é verdade para as liturgias papais na Basílica de São Pedro e, mais ainda, nos escritórios da burocracia central da Igreja universal, na Cúria Romana.

Mas, se as autoridades do Vaticano admitiram que o latim já não é a língua universal, eles abraçaram o italiano moderno como a língua franca de fato da burocracia eclesiástica. O Papa Francisco quase oficializou isso em outubro passado, quando declarou que o italiano seria a língua oficial do Sínodo sobre a família. Bem ou mal, a facilidade com a língua dá uma vantagem distinta para se compreender e ser compreendido no Vaticano. E o reconhecimento mesmo semiformal do papa dessa realidade serve para dificultar qualquer tentativa de voltar a usar o latim como língua universal ou de introduzir a única outra alternativa viável, o inglês.

Tudo isso é muito importante para tentar entender o Papa Francisco. Falante nativo de espanhol que aprendeu italiano quando criança dos seus pais e parentes imigrantes, ele continuamente usa frases muito coloridas que são, por vezes, uma mistura de ambas as línguas. Adicione a isso o leve, mas charmoso, sotaque latino-americano e o resultado é que, às vezes, é difícil de traduzir o que ele está dizendo, especialmente para o inglês.

Isso é verdade até mesmo para os textos oficiais do papa, que o Vaticano traduz a partir do original em italiano (ou, em alguns casos, espanhol) para várias outras línguas. Essas traduções nem sempre são feitas rapidamente. De qualquer modo, aquelas em inglês, por vezes, tendem a ser sobre-interpretativas; ou seja, elas parecem serem feitas para ser mais digeríveis pela parte conservadora do episcopado de língua inglesa. Considere, por exemplo, a exortação apostólica de 2013, Evangelii Gaudium.

A seção que trata sobre as Conferências Episcopais e a colegialidade (parágrafo 32) sugere, manifestamente, a necessidade de esclarecer a autoridade doutrinária das conferências episcopais nacionais. O texto em italiano diz: "ancora non si è esplicitato sufficientemente uno statuto delle Conferenze episcopali che le concepisca vir soggetti di attribuzioni concreto, includendo anche qualche autentica autorità dottrinale", (grifo meu). A tradução oficial para o inglês: "a juridical status of episcopal conferences which would see them as subjects of specific attributions, including genuine doctrinal authority has not yet been sufficiently elaborated" (novamente, ênfase minha). Enquanto o italiano utiliza o termo "statuto", o inglês diz "juridical status" [situação jurídica]. Não há má intenção aqui, uma vez que a segunda parte da frase menciona a autoridade doutrinária das Conferências Episcopais. Mas parece-me que traduzir "statuto" por "situação jurídica" reduz o significado da primeira parte da frase.

Outro exemplo de coisas que ficaram perdidas na tradução no Vaticano vem não de textos papais, mas do controverso relatório intermediário do Sínodo de outubro passado, especificamente a famosa passagem sobre a atitude da Igreja para com os homossexuais. No original em italiano (a base oficial para todas as traduções), o texto diz "accogliere le persone omosessuali", isto é, "acolher as pessoas homossexuais". A tradução do Vaticano para o inglês resultou em "providing for homosexual persons" [servir às necessidades, fornecer]. Servir às necessidades é claramente diferente de acolher. Aqui parece que os bispos de língua inglesa pressionaram a liderança do Sínodo, a fim de ter uma tradução que atenuasse a impressão de uma verdadeira mudança na atitude da Igreja para com os homossexuais.

Certamente não é o único caso em que tais discrepâncias na tradução, como essa, podem acabar enviando uma mensagem diferente para diferentes públicos.

Traduzir homilias e discursos do Papa Francisco, muitas vezes, cria outras dificuldades e imprecisões. Um exemplo recente foi a homilia que ele pronunciou no dia 19 de dezembro na missa da manhã na sua residência Santa Marta, onde ele descreveu a Mãe Igreja. Ele disse: "La Chiesa è madre, non una imprenditrice". O site oficial de notícias do Vaticano, News.va, corretamente traduziu (em minha opinião) a frase como: "The Church is a mother, but not an entrepreneur" [A Igreja é mãe, não uma empreendedora]. Mas há outras palavras para "imprenditrice", o que mostra como é complicado traduzir as palavras de improviso de Francisco. Por exemplo, se fosse traduzida como "businesswoman" [empresária, no feminino] alguns poderiam acusar o papa de ser sexista, ao passo que ele estava expressando suas opiniões radicais sobre a relação entre a riqueza e o Evangelho ao falar de uma "Igreja de negócios" ou "Igreja gerencial".

Traduzir qualquer papa é sempre algo delicado. (Confesso: eu era uma das cinco pessoas que trabalharam na tradução para o inglês da famosa entrevista que o Papa Francisco deu ao padre jesuíta Antonio Spadaro para a revista America em 19 de setembro de 2013.) Mas traduzir este papa parece ainda mais complicado, por várias razões. Em primeiro lugar, pela quantidade e natureza dos textos disponíveis. Muitos dos textos são seus e não o trabalho de escritores-fantasma ou de mãos da Cúria Romana. E, como todos estamos conscientes agora, ele gosta de falar livremente, de forma espontânea e improvisada, como um pastor. O melhor e mais importante exemplo são suas homilias na missa matinal diária na residência Santa Marta, uma das inovações mais significativas do seu pontificado.

A segunda razão é porque o seu italiano, embora fluente, não deixa de ser uma tradução do espanhol. Isso significa que cada tradução do italiano para outro idioma é realmente a tradução de uma tradução.

Em terceiro lugar, é a maneira pela qual ele fala. O Papa Francisco usa uma linguagem decididamente pastoral, cheia de imagens, ditos populares, metáforas e anedotas, todos baseados em sua própria experiência humana e espiritual. Ele não usa uma linguagem teológico-filosófica acadêmica. Alguns especialistas italianos levantaram suas sobrancelhas teológicas quando ele descreveu a Cúria Romana como "um modelo da Igreja", em sua agora conhecida reunião antes do Natal com as autoridades do Vaticano.

O uso de uma linguagem pastoral e espiritual de Francisco está ligada à grande importância que ele dá à homilia (ele escreveu um longo capítulo sobre isso na Evangelii Gaudium). Mas também é parte de sua formação e experiência como professor (na entrevista acima mencionada com o Pe. Spadaro, Francisco disse que ele fez seus alunos se reunirem com o escritor Jorge Luis Borges).

Mas a questão real que faz com que traduzir Francisco seja um desafio é cultural. Seu uso constante de imagens femininas para a Igreja e a maneira como ele frequentemente descreve a Igreja, tanto positiva quanto negativamente, através de metáforas que invocam as mulheres estão ligadas à sua formação cultural e linguística. Ao contrário do inglês, substantivos em italiano e espanhol têm gênero. E o gênero de "Igreja" é sempre e somente feminino (Chiesa, iglesia). 

Considere também que Jorge Mario Bergoglio é um católico de uma parte do globo onde a linguagem teológica e eclesial não foi afetada pelas mudanças culturais típicas do mundo de língua inglesa nestas últimas décadas, tais como a crescente adoção de uma linguagem inclusiva. Inegavelmente, este é um terreno difícil para ele. Mas Francisco também parece relutante em permitir que suas palavras tornem-se parte da "política de identidade", em particular, no seio da Igreja. E respeitar isso é o maior desafio de todos os católicos.


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