Círculos do Sínodo: que o relatório final recorde o modelo de família

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Por: Jonas | 17 Outubro 2014

É necessário apontar modelos positivos de famílias cristãs. O Evangelho da família. Mas, também confirmar a misericórdia da Igreja frente às situações irregulares. São alguns dos pontos que mais se repetem nas redações que foram apresentadas hoje no Sínodo Extraordinário sobre a Família, que está sendo realizado no Vaticano (de 5 a 19 de outubro) por círculos menores, grupos de trabalho divididos por regiões linguísticas (três italianos, três ingleses, dois espanhóis e dois franceses), e publicadas pelo Vaticano em vista das emendas à redação intermediária (a chamada “Relatio post disceptationem”, apresentada na segunda-feira passada) que serão submetidas à votação no próximo sábado, pela tarde, e que formarão o relatório final (a “Relatio Synodi”). Quanto a duas questões particularmente delicadas, surge, em relação ao documento intermediário de segunda-feira passada, a confirmação de um debate aberto sobre a comunhão aos divorciados que contraíram novas núpcias; por outro lado, em vários círculos se expressou a necessidade da prudência em relação à abertura para os casais homossexuais.

A reportagem é de Iacopo Scaramuzzi, publicada por Vatican Insider, 16-10-204. A tradução é do Cepat.

“Se alguns padres do Sínodo dizem: “Cuidado, porque não podemos esquecer a doutrina”, por outro lado, também existe a necessidade de acompanhar todas aquelas situações pelas quais o Papa fala de “hospital de campanha”, disse o cardeal Christoph Schönborn, arcebispo de Viena, ao participar da coletiva de imprensa diária. “Muitas vezes, acontece que a mãe diz: ‘É muito perigoso’; e o papai diz: ‘Não, não tenha medo’. Somos uma grande família”.

Um debate aberto, colegial e não sem divergências, que não se encerra esta semana. Trata-se somente do primeiro passo do caminho sinodal que concluirá, no próximo domingo, com a beatificação de Paulo VI, mas que continuará com um segundo sínodo, em outubro de 2015, mas ordinário.

As redações, heterogêneas em seus estilos, características e temáticas enfrentadas, foram lidas na aula, nesta manhã, e enfatizaram que o documento intermediário que alguns teriam preferido não ter publicado, concentrou-se muito na atenção às famílias em crise, sem fazer uma referência maior à mensagem positiva do Evangelho da família, ao fato de que o matrimônio como sacramento (união indissolúvel entre um homem e uma mulher) é ainda um valor de muita atualidade e no qual muitos casais acreditam.

No que diz respeito às situações “familiares difíceis”, a hipótese de permitir caminhos penitenciais para que os divorciados em segunda união alcancem a admissão à Eucaristia “exige um estudo ponderado, uma apresentação sem conflitos e uma solução comum na comunhão”, afirmou um dos círculos italianos. Em outro dos círculos italianos, propôs-se fazer uma referência à “Familiaris consortio”, de João Paulo II. O terceiro dos círculos italianos votou, por maioria, em uma proposta para abrir a possibilidade à Eucaristia “em condições precisas e em momentos definidos da vida eclesial e familiar”, ao passo que “alguns padres” consideraram “vinculante a disciplina atual”. O primeiro dos grupos de língua inglesa escreveu sem meias palavras: “Não aconselhamos a readmissão dos divorciados em segunda união ao sacramento”.

O segundo deles, ao contrário, “aconselha o exame de possíveis caminhadas penitenciais e de discernimento, a partir das quais, em particulares circunstâncias, um divorciado em segunda união possa participar dos sacramentos”. O terceiro dos grupos ingleses se limitou em insistir na doutrina tradicional da Igreja. O primeiro dos grupos hispânicos elogiou aqueles que, sem voltar a se casar, são “testemunhos heroicos da indissolubilidade e da fidelidade”. O segundo adia as decisões para a assembleia sinodal de 2015. O primeiro dos círculos franceses afirma que a disciplina não pode ser modificada; e o segundo aponta que “alguns padres” apresentaram argumentos a favor da disciplina atual e outros pela admissão à comunhão.

Prevalecem os tons de prudência em relação aos homossexuais. O primeiro dos grupos italianos, por exemplo, enfatizou a “proximidade” da Igreja, “casa aberta”, e reafirmou que a união entre pessoas do mesmo sexo não pode ser comparada com um matrimônio, além de expressar “preocupação” pelos “direitos dos filhos”. Um dos grupos de língua inglesa aconselha que os homossexuais encontrem “acolhida na Igreja, como qualquer outra pessoa”, outro afirma que não se deve falar de homossexualidade “como se fosse parte do ser ontológico”. Um dos grupos franceses ressalta que “acompanhar pastoralmente uma pessoa não significa validar uma forma de sexualidade, nem uma forma de vida”.

Em relação à versão original, a tradução em inglês da redação intermediária mudou o termo “welcoming” aos homossexuais por uma fórmula, mais neutra, “providing for”. Além disso, também não manteve a referência ao “espaço fraterno” aos homossexuais e modificou com a fórmula “valuable support” (apoio apreciável) a fórmula original “precious support” (apoio precioso) dentro das uniões entre pessoas do mesmo sexo. Mesmo assim, a versão oficial continua sendo a que foi escrita em língua italiana.

Os padres sinodais votaram a decisão de publicar os trabalhos de todos os grupos. Além de apresentar a síntese na aula, os círculos depositaram centenas de emendas que serão avaliadas pela comissão para a mensagem final. Nesta comissão, depois que alguns observaram que não havia um membro africano, o Papa Francisco decidiu incluir o cardeal Napier (da África do Sul) e dom Hart (da Nova Zelândia).

O Papa Francisco “nos disse: não julguem, mas, sim, acompanhem as famílias”, recordou Schönborn durante a coletiva de imprensa. Segundo o purpurado austríaco, “não é preciso entrar nos quartos das famílias. Primeiro, é preciso vê-las na sala de estar”.

Por sua parte, o padre Lombardi informou que o cardeal Gerhard Ludwig Müller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, pediu-lhe que “dissesse que tudo o que havia sido mencionado”, a respeito do que o próprio Müller teria dito (que o relatório era indigno, vergonhoso e completamente errôneo), “não estava correto; não é seu vocabulário, não é sua forma de se expressar, disse que não se expressou assim e me pediu que dissesse isso a vocês, uma vez que estas afirmações estavam sendo muito difundidas”.

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