“A Igreja está na primeira linha contra as guerras”. Entrevista com o historiador Marco Impagliazzo

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Por: André | 26 Agosto 2014

Francisco chama todos para despertar e seguir sempre em frente”, explicou ao Vatican Insider o historiador da Igreja Marco Impagliazzo, desde 2003 presidente da Comunidade de Santo Egídio e assessor dos dicastérios vaticanos dos Migrantes e da Cultura.

 
Fonte: http://bit.ly/1q6PO6k  

A entrevista é de Giacomo Galeazzi e publicada no sítio Vatican Insider, 23-08-2014. A tradução é de André Langer.

Eis a entrevista.

Professor, o que significa passar de uma Igreja eurocêntrica a uma Igreja das periferias geográficas e existenciais?

A Igreja no mundo globalizado apresenta-se como uma realidade internacional com uma condução central que, mediante seus fiéis espalhados em todo o mundo, vive as alegrias e os sofrimentos de todos os povos. A atenção pelos pobres, pelas pessoas em dificuldades e pelas periferias que o Papa Francisco destacou com grande ênfase abriu uma nova estação para a Igreja, que renova seu compromisso pela paz, pela reconciliação e pela justiça no mundo.

Por que o Vaticano voltou a ter protagonismo nas crises em nível internacional?

A causa é a fidelidade ao Evangelho e a atenção pelos pobres que dela deriva. Os que escutam e vivem o Evangelho encontram os pobres pelo caminho. Por esta razão, encontra muitas situações de dificuldade e de sofrimento que devem ser enfrentadas. O objetivo é que o Evangelho, o amor e a misericórdia do Senhor sejam comunicados a todos, sobretudo aos mais pobres. Além disso, trata-se de que os povos e as pessoas voltem a encontrar esse espírito de fraternidade que muitas vezes falta, e com ele a paz.

O pacifismo não é suficiente...

Há alguns anos estudo a relação entre a Igreja católica e a guerra. É preciso dizer, resumindo, que desde a Primeira Guerra Mundial até agora, as palavras da Igreja foram de nítido rechaço dos conflitos. Sobretudo devido ao fato de que as guerras contemporâneas envolvem os civis e semeiam morte e destruição. A guerra é um terreno no qual a Igreja não pode viver, porque é realidade universal e conta com fiéis em todo o mundo.

Desde Bento XV, que disse que a Primeira Guerra Mundial foi um massacre inútil, até o Papa Francisco, a pregação e a ação dos Papas foram no sentido de defender a paz e para opor-se às guerras. E hoje vemos que o Papa converteu-se em uma figura decisiva na busca da paz em nível mundial. Ao seu lado, os órgãos da Santa Sé trabalham nos níveis político e diplomático a favor da paz. Também não falta o apoio e o compromisso dos bispos, sacerdotes e leigos nessa enorme obra para a construção da paz. Penso no compromisso da Comunidade de Santo Egídio pela paz na África e no diálogo entre as religiões, que hoje se tornou tão necessário.

Devemos reencontrar a vocação missionária?

Wake up!” e “Go ahead!” foram as frases do último dia na Coreia. Devemos despertar e seguir em frente sempre: há um mundo que espera a palavra do Evangelho e da paz. A Igreja católica vive com continuidade a fidelidade ao Evangelho. Os que escutam e vivem o Evangelho “veem” os pobres. Bento XVI falava de um “coração que vê”. Hoje, a Igreja “vê” com um coração inspirado pelo Evangelho tantas realidades periféricas, de sofrimento e pobreza, e se deixa interrogar por elas. Ao ser uma instituição composta por pessoas, sempre existe a tentação de voltar-se para os problemas internos. “Pentear as ovelhas”, diria o Papa Francisco. Mas, hoje, a palavra do Papa chama todos para sair.