Pell compara a Igreja a uma empresa de transportes, alguns motoristas abusaram de pessoas que pegaram carona

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Por: André | 25 Agosto 2014

Grupos de apoio às vítimas de pedofilia do clero estão indignados com as declarações consideradas insultantes e negacionistas do cardeal australiano George Pell (foto) sobre este controvertido tema. O religioso, diante de uma comissão de investigações, comparou a Igreja a uma empresa de transportes, na qual alguns motoristas abusavam de pessoas que pegaram “carona”.

 
Fonte: http://clar.in/1smkqzn  

A reportagem está publicada no jornal argentino Clarín, 23-08-2-2014. A tradução é de André Langer.

O prelado, prefeito para os Assuntos Econômicos do Vaticano, depôs, na sexta-feira, dia 22 de agosto, por videoconferência de Roma a uma Comissão Nacional de Investigação australiana sobre as respostas das instituições aos abusos sexuais contra menores.

A comissão interrogou-o sobre seu papel quando era arcebispo de Melbourne e introduziu, em 1996, o esquema de ressarcimento das vítimas de padres pedófilos, chamado de Melbourne Response.

Para afirmar que a culpa legal não pode ser imputada aos líderes da Igreja, Pell recorreu, de improviso, à analogia dos caminhoneiros: “Não seria apropriado que os dirigentes da companhia fossem considerados responsáveis”.

Mesmo aceitando que a Igreja tem obrigações morais para com as vítimas, defendeu que quando se trata de responsabilidade legal, as ações de seus sacerdotes não são necessariamente culpa da Igreja. Esse ponto de vista foi discutido em muitos países que consideram que a Igreja é responsável pelos atos dos padres, de qualquer instância hierárquica. Devido a isso, a cúria teve que pagar indenizações fixadas pela Justiça pelos crimes cometidos por religiosos. A analogia com os caminhoneiros deixou os presentes “boquiabertos”, disse Nicky David, da Rede dos Sobreviventes aos Abusos dos Sacerdotes.

“Dissemos literalmente um ao outro: ele realmente disse isso? Demonstra não ter nenhum conceito do que é um comportamento apropriado ou inapropriado, e o que é apropriado dizer aos sobreviventes. Demonstra preocupar-se apenas em proteger-se e em buscar desculpas por comportamentos imperdoáveis”, afirmou o ativista indignado e incrédulo.

Segundo Cathy Kezelman, da organização Adultos Sobreviventes de Abusos, a analogia “ultrajante e chocante” pode causar muito dano. “As vítimas já foram traumatizadas reiteradas vezes – acrescentou – e ouvir que suas experiências são negadas novamente é como meter a faca na chaga”.

A declaração também foi contestada pelo sindicato dos motoristas, igualmente irritado. Os protestos da associação dos 170.000 caminhoneiros do país vieram imediatamente. “Eles têm famílias e filhos. A analogia é um profundo insulto a cada um deles”, disse a presidenta da organização sindical, Noelene Watson.

As vítimas que testemunharam na comissão disseram sentir-se traídas pela Melbourne Response, que impunha um teto para os ressarcimentos em 50.000 dólares australianos (equivalente a cerca de 35.000 euros), enquanto que quem entrou com uma ação legal recebeu em média um ressarcimento de 293.000 dólares (205.000 euros).

A este propósito, o cardeal Pell observou que antes de 1996 não estavam previstos ressarcimentos. “Muitas das pessoas assistidas por nós teriam recebido pouco ou nada, caso se tivessem remetido aos tribunais”.

O cardeal, no entanto, defendeu que a Igreja, agora, deveria renunciar aos procedimentos internos de investigação e ressarcimento e criar uma entidade independente que responda às ações legais ao seu encargo. Não houve um pronunciamento imediato do Vaticano.

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