O padre que morreu antes da extradição

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Por: André | 09 Junho 2014

Enquanto estava recluso no Paraguai, aguardando ser enviado à Argentina, o padre acusado por crimes de lesa humanidade apareceu morto aos 80 anos. “Vara (foto) morreu impune e foi protegido pela Igreja até o momento da sua morte”, lamentou a organização HIJOS.

 
Fonte: http://bit.ly/1lcbTxS  

A reportagem está publicada no jornal argentino Página/12, 06-06-2014. A tradução é de André Langer.

O padre Aldo Vara, processado por crimes de lesa humanidade como capelão militar em Bahía Blanca durante a última ditadura, morreu na terça-feira, dia 03, aos 80 anos, em Ciudad del Este, Paraguai, onde cumpria prisão paroquial à espera da sua extradição. “Vara morreu impune”, lamentou a organização HIJOS de Bahía Blanca, e recordou que “foi protegido pela Igreja católica até o momento da sua morte”.

O ex-capelão, que prestou serviços ao terrorismo de Estado na categoria de capelão, esteve refugiado durante oito meses, até que a Interpol o localizou, no dia 28 de abril, em uma paróquia de Ciudad del Este. Por seu encobrimento está imputado o arcebispo de Bahía Blanca, Guillermo Garlatti. A arquidiocese continuou a pagar-lhe mês a mês uma espécie de aposentadoria, mesmo sabendo que Vara estava sendo procurado pela Justiça e o Estado oferecia uma recompensa para localizá-lo. O promotor-geral Alejandro Cantaro pediu o interrogatório de Garlatti, documento que está há semanas nas mãos do juiz federal subrogante Santiago Ullpiano Martínez, o mesmo que não encontrou “elementos suficientes” para incriminar o capelão. Garlatti “deve declarar e defender-se e dizer o que tiver a dizer”, destacou o promotor Cantaro na semana passada.

A imprensa paraguaia informou que “pouco depois das 19h30, Vara foi encontrado morto em seu quarto na Paróquia Virgem do Rosário, no Bairro Pablo Rojas de Ciudad del Este”, a mesma onde viveu escondido da Justiça. “Foi levado à Clínica Santa Lucía”, onde “chegou sem sinais de vida”, acrescentou. Após a notícia, o promotor Miguel Palazzani informou por uma rede social que “o juiz federal Alvaro Coleffi e o Ministério Público realizam trâmites de identificação e averiguação das causas da morte”. Até à noite da quinta-feira, no entanto, não haviam recebido uma notificação oficial da morte do acusado. Fontes da Interpol informaram que o velório foi interrompido para realizar a autópsia solicitada pela Justiça argentina.

A diocese de Ciudad del Este, que tentou justificar o abrigo dado ao refugiado pelo fato de que não tinha “sanção canônica”, divulgou na quinta-feira à tarde um comunicado em que sugeriu que “para constatar fidedignamente as razões naturais (sic) da morte, foi solicitada ao Ministério Público a realização da correspondente autópsia”. Minutos depois, apagou a explicação sobre “as razões naturais” e para evitar suspeitas substituiu-a pela frase “como é costume nestes casos”.

“O padre Vara morreu impune e era o único religioso que ainda estava vivo dos que tiveram participação na repressão em Bahía Blanca”, recordou HIJOS, e mencionou os casos do “ex-arcebispo Jorge Mayer, que chegou a dar a bênção em medalhas de torturadores hoje condenados; do seu segundo, Emilio Ogñenovich, que justificou que “os profetas de uma moral sem Deus estão recolhendo as consequências lógicas”, e de Dante Vega, capelão do Corpo V. Vara “foi protegido pela Igreja católica até a sua morte e teve ajuda do seu procurador, o empresário bahiense Leopoldo Bochile, que lhe pagava um subsídio no tempo em que esteve refugiado”, destacou. “A maioria dos nossos avós morreu sem poder ver este processo de justiça. Não queremos que haja mais genocidas mortos sem julgamento nem castigo. Por isso, reiteramos o nosso pedido à Justiça para que realize seu trabalho com celeridade, atendendo ao significado e magnitude que têm os julgamentos de lesa humanidade no marco do genocídio”, acrescentou.

Página/12 informou há um mês sobre o encobrimento da arquidiocese bahiense, que assegurava desconhecer o paradeiro do refugiado. A partir da denúncia dos promotores Palazzani e José Nebbia, iniciou-se um processo que derivou na vistoria da cúria e da casa do procurador, e no pedido de interrogatório de Garlatti e Bochile. “Objetivamente, entendemos que devem ser interrogados”, explicou o promotor Cantaro. “Se alguém cobra uma aposentadoria ou uma contribuição por outro e o envia a este, alguém sabe onde o sujeito se encontra”, acrescentou.

Tendo em conta os antecedentes do juiz Martínez, que se negou a interrogar Vara e o diretor do jornal La Nueva Provincia, Vicente Massot, o promotor esclareceu que “se a resolução for adversa e não tiver fundamento tentaremos recorrer à Câmara de Apelações para revertê-la”.

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