No Japão, bispos dizem ao governo que é um erro voltar à energia nuclear

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Por: Caroline | 06 Junho 2014

“Pedimos ao premier Shinzo Abe que abandone o caminho da energia nuclear. Contudo nosso povo, para escolher realmente o caminho alternativo das energias renováveis, deve estar preparado para mudar o estilo de vida. Se não for assim, é apenas hipocrisia”.

O bispo japonês Isao Kikuchi (foto) toca em um tema delicado e denuncia o risco de uma visão puramente ideológica sobre a questão nuclear. Kikuchi, 56 anos, é bispo de Niigata e presidente da Cáritas Japão, entidade que tem assumido um papel e um prestígio importante no país do Sol nascente, dado o trabalho dos últimos três anos após o terremoto, o tsunami e o desastre da central de Fukushima. Cerca de 267 mil pessoas vivem em abrigos temporarios nas zonas afetadas e a Cáritas continua sua obra de assistência, reabilitação dos desabrigados e reconstrução. Além disso, acaba de anunciar que o apoio continuará durante os próximos três anos.

A repostagem é de Paolo Affatato, publicada por Vatican Insider, 05-06-2014. A tradução é do Cepat.

Fonte: http://goo.gl/2MsBWe

Um dia antes da visita do premier japonês Shinzo Abe ao Vaticano, o bispo Kikuchi, em uma conversa exclusiva com o Vatican Insider, interveio no debate que tem atravessado o país desde o dia seguinte ao desastre nuclear e que, três ano após aquele fatídico 11 de março de 2011, voltou à primeira página. Também por causa da reviravolta do governo de Tóquio: na onda emotiva dos danos causados pela planta de Daiichi, o então dirigido pelo executivo Naoto Kan, anunciou publicamente o adeus à energia nuclear e a implementação de um plano de conversão para fontes de energia renováveis.

Seu sucessor Abe, um ano e meio após sua chegada ao poder, fez a vaga promessa de “implementar novamente a política energética nacional na era pós-Fukushima”. No novo plano para a energia, apresentado em fevereiro de 2014, definiu-se a energia nuclear como uma “importante fonte de energia elétrica” a longo prazo e prevê a reativação de uma de uma dúzia dos 50 reatores nucleares, que permanecem ainda hoje fechado a espera de uma revisão das plantas.
 
Os bispos japoneses, já em novembro de 2011, solicitaram oficialmente “o fechamento imediato de todas as centrais nucleares no Japão” e o “início de um caminho na busca de fontes de energias alternativas”. Hoje, frente à aclamada mudança na política energética e a escolha pela energia nuclear do governo Abe, confirmam sua posição, sem esconder sua perplexidade e desacordo. “O debate na nação foi sério e profundo – recorda Kikuchi – e envolveu a todos os setores da sociedade. Os bispos cristãos e os líderes de outras comunidades religiosas expressaram seu apoio para a escolha de fontes de energia alternativas para zelar pelo homem e o ambiente. Promover fontes de energia renováveis é a única possibilidade que temos e o único caminho responsável a trilhar pelo bem das novas gerações do Japão”.

Todavia, para não ficarmos em uma mera declaração sobre estes princípios “esta ideia - explica – deve ir de mãos dadas com a mudança em nosso próprio estilo de vida. Se mantivermos o estilo de vida atual, com um altíssimo consumo energético, a promoção das fontes de energias alternativas parece-me um debate bastante hipócrita. Cada pessoa deve estar realmente disposta a renunciar a algo, pelo bem comum dos homens, de seus próprios filhos e de todas as criaturas de Deus”.

E enquanto as autoridade de Fukushima, um território que ainda hoje vive as consequências do acidente nuclear, pretende, antes de 2040, passar a uma alimentação  baseada 100% nas energias renováveis – uma escolha que, hoje em dia, vai contra a corrente em relação a agenda do governo – o bispo não esconde os problemas reais que poderão ser enfrentados apenas com uma real vontade política: “A ideia é boa. Contudo, para escolher as soluções energéticas alternativas é necessário esclarecer o que será feito com os resíduos nucleares que tem se acumulado nos últimos anos. Queremos deixar este problema para as próximas gerações enquanto nós continuamos a desfrutar de uma vida na qual se pensa apenas no bem estar no presente? Esta pergunta nos leva a analisar o problema a partir de uma perspectiva mais profunda”. O Japão de hoje, toda a nação, está “convocada para um exame profundo de consciência para realizar escolhas cruciais para o futuro”. “Também entre as comunidades católicas – assegura o bispo – alguns parecem apreciar a decisão do governo porque pensam que permitiria manter o estilo de vida atual: tem medo de perder algumas coisas”.
 
Entretanto hoje em dia, de acordo com Kikuchi, basta olhar as centenas de voluntários, católicos ou não católicos, que trabalham com a Cáritas na área de Sendai, a zona mais devastada pelo terremoto de 2011, para entender qual é a escolha justa: “A Igreja católica no Japão quer caminhar junto com as pessoas que foram vítimas do desastre, que ocorreu há três anos, enquanto não recuperam suas vidas normais. Muitos ainda vivem em condições precárias. Outros sofrem de problemas como a ansiedade ou a depressão e parecem ter perdido a esperança. Tentamos os acompanhados em suas vidas para que possam recuperar a confiança e a esperança no futuro. Este é o caminho da misericórdia”.

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