“Há pessoas que estão presas há 185 dias”, diz um dos palestinos sitiados na Síria

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Por: Caroline | 31 Janeiro 2014

Diversas cidades, povoados e distritos da Síria estão tomados por cercos e bloqueios. Uma crise de fome em massa também assola o país. Este é o caso de 20 mil palestinos sitiados dentro de Yarmouk.

A reportagem é de Patrick Cockburn, publicada por Página/12, 30-01-2014. A tradução é do Cepat.

Fonte: http://goo.gl/zcp9ty

“O pão é um sonho para as crianças dos campos de refugiados de Yarmouk”, disse Fuad um sírio-palestino professor de música que ajuda a levar comida aos 20 mil palestinos sitiados no acampamento de Yarmouk. De pé, ao lado de uma barreira de areia e escombros que bloqueiam uma das entradas para o acampamento, localizado ao sul de Damasco, acrescenta que “as pessoas ficaram presas ali por 185 dias e estão doentes, pois estão comendo as plantas que usamos para alimentar nossos animais”.

A Síria está repleta de cercos e bloqueios de cidades, povoados e distritos que, em alguns casos, vivem uma crise de fome em massa. A atenção nacional está atualmente voltada para a Cidade Velha de Homs, onde há entre 2.500 e 4.000 civis sitiados, junto a outros milhares de combatentes rebeldes. Uma comissão do Programa Mundial de Alimentos espera a permissão do governo sírio para entrar na região e afirma que não quer que a ajuda se destine aos combatentes armados da oposição.

Sem que o resto do mundo a note, a única e maior comunidade atualmente sitiada e a beira da inanição na Síria, vive em Zahraa e Nobl, duas cidade xiitas a oeste de Alepo, com uma população total de 45 mil. Neste caso, os sitiantes são rebeldes sunitas que acusam os moradores do povoado xiita de apoiar ao governo do presidente Bashar al Assad, e que estão matando de fome esta população.

Zahraa e Nobl formam um bolsão xiita ilhado em uma zona onde a maioria das pessoas é sunita e que apoiam os rebeldes. As cidades receberam suprimentos vindos do exterior, além das entregas ocasionais trazidas por um helicóptero do governo. Raúl Rosende, o chefe do Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários na Síria, disse “Estamos preocupados pela situação de Zahraa e Nubl, onde 45 mil pessoas estão sitiadas”. Alguns xiitas fugiram para a Turquia, mas rapidamente retornaram pelo noroeste da Síria, região controlada pelos curdos.

As políticas sobre a fome são complexas na Síria e são manipuladas com objetivos publicitários. O problema se deve, principalmente, pela estratégia das forças governamentais que cercam as zonas que foram capturadas pela oposição armada e não deixam que as pessoas, ou seus bens, entrem ou saiam. A eletricidade e a água geralmente estão cortadas e, neste contexto, o exército sírio bombardeia a região com artilharia aérea, provocando um êxodo massivo de refugiados.

Esta estratégia é vantajosa do ponto de vista do governo, pois evita a luta de casa em casa, o que faria com que suas melhores tropas sofressem de forte desgaste.

Nem todos os cercos são mantidos com tanta firmeza quanto o da Cidade Velha de Homs, Yarmouk, Zahraa e Nubl, mas os bloqueios seguem causando graves privações e sofrimentos intensos. As pessoas podem não estar morrendo nas ruas, mas muitos jovens, muitos velhos, e muitos doentes estão morrendo. A maior área da oposição próxima de Damasco é a Ghouta oriental, a leste da capital, onde a ONU estima que 145 mil pessoas estão separadas do mundo exterior, todavia este reduto rebelde é tão grande que é difícil fecha-lo completamente.

A velha cidade de Homs é uma pequena porção de uma grande cidade, a qual teve uma parte ocupada certa vez pelos combatentes rebeldes, contudo estes têm sido gradualmente expulsos. Ainda que o governo tenha buscado fechar a Cidade Velha por um longo tempo, seus defensores conseguiram, até o verão passado, entrar com suprimentos através de uma rede de túneis. Também havia uma linha de suprimentos que atravessava a cidade de Quseir, no Líbano, porém esta foi perdida após um ataque do exército sírio e de um grupo paramilitar libanês, o Hezbollah, em maio e junho do ano passado. Estima-se que 400 mil sunitas de Homs refugiaram-se no distrito de Waar, no oeste da cidade, onde estiveram cercados - mas não completamente confinados - pelos postos de controle do governo e pelas barricadas. Porém na Cidade Velha, como disse Rosende, “a situação é muito ruim e está cada vez pior, sobretudo quando se trata de alimentos e medicamentos”.

Em lugares como Homs, onde as duas partes trocam tiros entre si durante tanto tempo, as agências da ONU têm que estar de acordo mesmo sobre os mínimos movimentos do comboio de ajuda. Mesmo onde o Ministério das Relações Exteriores sírio acordou que se deve permitir que a ajuda passe, os comandantes locais do exército podem ser obstinados e pouco cooperativos.

Ainda que em Homs não haja muitas das organizações jihadistas – do tipo da Al Qaida, como a Jabhat al-Nusra, o Estado Islâmico da Síria e o Levante (ISIS), como existe mais ao norte, os endereços dos rebeldes na cidade velha são esparsos. Enquanto isto os civis compõem uma mescla de famílias combatentes, formado por pessoas muito pobres que ou não têm para onde ir ou que, simplesmente, não querem se mudar.

Cada região sitiada ou bloqueada implica no sofrimento das vítimas, todavia a situação é clara. O cerco de Yarmouk, a área palestina em Damasco chamada “Pequena Palestina” e lar de 160 mil pessoas, é apenas um elemento dentro deste quadro de desastre que afetou a meio milhão de palestinos na Síria. Fuad, o professor de música que está tentando emigrar para o Egito, disse que “trata-se de um segunda al-Nakba para nós”, a primeira al-Nakba, a catástrofe, foi a expulsão palestina em 1948, que posteriormente se transformou no estado de Israel.

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