A Igreja católica alemã obrigada a tornar público o seu patrimônio

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24 Outubro 2013

O escândalo do bispo de Limburg, na Alemanha, Franz-Peter Tebartz van Elst, cujas despesas para o palácio episcopal em curso de construção saltaram de 5 a pelo menos 31 milhões de euros em cinco anos, recai sobre toda a Igreja católica alemã. Enquanto não filtrou nada da audiência que o Papa Francisco concedeu quinta-feira, dia 17 de outubro, a Zollitsch, presidente da conferência episcopal alemã, as despesas suntuárias do bispo de Limburg impeliram os alemães a interrogar-se sobre a riqueza da Igreja.

O comentário é de Frédéric Lemaître e publicada pelo jornal Le Monde, 20-10-2013. A tradução é de Benno Dischinger.

Após as pressões da imprensa, metade das 27 dioceses tornou público nesta semana o seu patrimônio. Muitos alemães descobriram naquela ocasião que conheciam somente uma pequena parte. De fato, embora os bispos devam publicar o seu balancete (entradas e saídas), o patrimônio da Igreja permanece confidencial. Baseando-se na avaliação do perito Carsten Frek, conhecido por ser crítico perante as Igrejas, o cotidiano Bild avaliava, na quinta-feira, 17 de outubro, a fortuna da Igreja católica alemã em 70 milhões de euros.

Além dos bens imóveis clássicos, ela possuiria, de fato, dez bancos, diversas companhias de seguros, 70 hotéis, importantes sociedades de gestão imobiliária e diversos meios de comunicação. Somente a diocese de Colônia, que passa por ser uma das mais ricas do mundo, avalia o próprio patrimônio em 166,2 milhões de euros, segundo um comunicado publicado dia 15 de outubro. Mas, isso só corresponde a uma pequena parte dos seus bens. A diocese admite, de fato, de ter colhido 46,5 milhões dos seus investimentos em 2012. O que corresponde, com base num rendimento médio de 4%, a um patrimônio de aproximadamente 1,2 bilhões.

Esta operação transparência, embora limitada, permite à imprensa controlar o teor de vida dos prelados. Embora o bispo Tebartz-van Elts seja, sem dúvida, o único bispo que dispõe de uma banheira de 15.000 euros, os outros prelados não vivem na miséria. O arcebispo de Munique reside num soberbo palácio barroco, cuja restauração custou 8,7 bilhões de euros (três quartos dos quais foram a cargo dos contribuintes). Com um estipêndio de 11.500 euros mensais, o bispo Reinhard Marx dispõe, entre outros bens, para visitar os seus fiéis de uma soberba BMW 730 com motorista, naturalmente.

É um argumento sensível, enquanto os alemães católicos e protestantes pagam um imposto à sua Igreja, através dos serviços do fisco. Em 2012, os católicos contribuiram com 5,12 bilhões de euros à sua Igreja. Um pouco mais do que os protestantes (4,63 bilhões). Neste país no qual as Igrejas gerem inumeráveis serviços sociais (creches, escolas, hospitais, casas de repouso...) a ponto de ser o segundo fornecedor de trabalho após o Estado, muitos fiéis se perguntam, por ocasião deste escândalo, se seu dinheiro é bem usado. Não seria possível destinar uma parte de tais despesas a missões de tipo social?

Na Alemanha, as Igrejas ocupam um lugar importante, também na vida política. Simbolicamente, a primeira sessão do novo Bundestag (parlamento), na terça-feira, 22 de outubro, será precedida por uma celebração ecumênica da qual participarão o presidente da República, Joachim Gauck (aliás também pastor), e Angela Merkel. Esta, embora protestante, de resto fez saber, através de seu porta-voz, que as despesas suntuárias do bispo de Limburg constituem “uma grande prova” para os fiéis.

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