Aquela iluminação na Capela Sistina que alimenta escolhas inovadoras

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07 Outubro 2013

Das trevas à luz, da ansiedade à paz: na conversa com Scalfari, o papa nos informa que, na origem da sua aceitação do papado, houve uma experiência mística, e ele a chama justamente assim. "Eu pedi para me retirar por alguns minutos", conta: "Eu fechei os olhos" e "uma grande luz me invadiu".

A reportagem é de Luigi Accattoli, publicada no jornal Corriere della Sera, 02-10-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Essa luz na escuridão da Capela Sistina, que o faz papa, não é apenas um vivo elemento autobiográfico, mas também nos fornece a chave para entender a serenidade e a audácia com que ele segue em frente como papa: ele não queria o papado, agora ele sabe que o viverá "com firmeza e tenacidade", com "a humildade e a ambição" que tal papel exige.

Essas também são palavras da entrevista, e ele as usa para dizer que vai manter a sua promessa no compromisso de realizar uma Igreja pobre, separada dos interesses temporais, capaz de "incluir os excluídos".

Depois dessa entrevista, sabemos algo mais sobre a nova figura papal encarnada por Francisco: de onde vem a sua liberdade e, se poderia dizer, a alegria com que ele faz contínuas escolhas inovadoras, e as defende e as multiplica com palavras tranquilas que não se poderia imaginar, levando em consideração que o cardeal Bergoglio já havia sido votado no conclave de 2005 e tinha recuado: por humildade, dizia-se. Ou abalado pelo confronto nas votações com o "decano" Ratzinger.

Lembro-me de uma conversa com o cardeal argentino Jorge Mejia, às vésperas do conclave de 2005. Questionado sobre a eventualidade da eleição de Bergoglio, ele exclamou: "É melhor que não votem nele! É um santo, seria um bom papa, mas é tão humilde e se assusta tão facilmente que seria capaz de não aceitar".

Essa impressão que os cardeais que o conheciam tinham à época acabou confirmada, depois, na pausa para o almoço do segundo dia daquele conclave, depois do terceiro escrutínio no qual, aparentemente, ele chegou a ter 40 votos, quando pediu que os seus apoiadores votassem em Ratzinger.

Ele voltou a se assustar oito anos mais tarde, mas desta vez encontrou a coragem de ousar o papado. Por um dom do céu, ele nos assegura. O portador de tal pontificado, aceito depois de tão viva resistência, pode tirar da própria experiência da aceitação, que deve ter significado dor e consolação, mais do que um encorajamento: por exemplo, não temer críticas e cálculos, tendo havido no início daquele duplo mergulho na escuridão e na luz.

A entrevista confirma a sua falta de temores. Ele diz que quer uma Igreja a serviço do homem: "Que o seja mais". As palavras sobre a consciência que sempre deve ser seguida, que ele dissera na carta a Scalfari – e que haviam causado polêmica –, ele as "repete" aqui sem hesitar. Ele promete que "fará de tudo para mudar" a visão "Vaticano-cêntrica" da Cúria romana. Ele diz que a Igreja "não vai se ocupar com política", ao menos "enquanto eu estiver aqui".

Quem pode objetar a alguém que não quis ser papa e confessa que o é por causa de uma luz do alto?

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