Papa estende a mão aos ortodoxos: ''Caridade na relação com as Igrejas''

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07 Abril 2013

Palavras novas em um rito antigo. Na tarde desse domingo, o Papa Francisco entrou pela primeira vez na Basílica de São João de Latrão para tomar posse como bispo da Urbi na Cathedra romana.

A reportagem é de Paolo Rodari, publicada no jornal La Repubblica, 07-04-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

No rito, previsto pela Universi Dominici Gregis, de João Paulo II, e modificado recentemente por Bento XVI, mais uma novidade significativa aprovada desta vez pelo Papa Francisco: o texto, inspirado em uma tradição patrístico-litúrgica antiga – com a qual o cardeal vigário de Roma o saúda logo antes de ele se sentar na Cathedra –, recita palavras completamente inéditas.

Antes, de fato, o cardeal de Roma dizia ao novo papa: "Como o vinhateiro que supervisiona a vinha do alto, tu estás posto em posição elevada para governar e guardar o povo que te foi confiado". Hoje, no entanto, o cardeal Agostino Vallini disse, lendo um texto totalmente novo, que o papa, desse "lugar eleito, preside na caridade todas as Igrejas e com firme doçura a todos guia nos caminhos da santidade".

Palavras que lembram aquelas já pronunciadas da loggia da Praça de São Pedro, no dia da eleição e nas quais há o eco de novos canais: de um lado, a vontade de Francisco de ressaltar que o bispo de Roma é, sim, primaz, mas na caridade. Por outro lado, o impulso por um governo da Igreja Católica mais colegial, uma nova horizontalidade interna.

Como era no primeiro milênio, Francisco, que desde o início do seu pontificado prefere se chamar de "bispo" mais do que de "papa", segundo o ensinamento dos padres Irineu de Lyon e Inácio de Antioquia, indica o retorno a um primado de Pedro na fé e na caridade, que se expressa como serviço, e não como poder de jurisdição universal.

Certamente, é uma estrada já aberta anteriormente, a seu modo por Ratzinger, embora este novo gesto a valorize ainda mais. Vallini recitou também os votos de que, "de um confim ao outro da terra, forme-se um só rebanho sob o único Pastor".

Palavras que levam àquilo que a Ut unum sint, de João Paulo II, já desejava: a superação da ruptura com a Igreja do Oriente, que surgiu das excomunhões recíprocas de 1054. Um primeiro passo para a plena comunhão havia sido dado em 1965, quando Paulo VI e o Patriarca Atenágoras I haviam "removido da memória e do meio da Igreja" a recordação da excomunhão. Mas agora, com Francisco, frutos ecumênicos inesperados poderiam amadurecer.

O problema da colegialidade também é ouvido há muito tempo. As relações entre o poder pontifício e o dos bispos havia estado no centro dos concílios do século XV. Em Constança (1414-1419), prevaleceu a tese conciliar; em Florença (1439), afirmou-se o primado do papa. Em Trento, a questão não foi tratada, tanto que a tensão entre forças centrípetas e centrífugas na Igreja continuou até Pio IX, quando se desenvolveu o modelo do poder pontifício ainda em vigor.

Pio IX isolou os bispos galicanos, promoveu as intervenções das Congregações romanas nos assuntos das dioceses, impôs a liturgia romana, eliminou os textos de direito canônico não conformes às teses romanas, promoveu a imagem de um episcopado reunido em torno de Roma.

O Vaticano I (1870) afirmou a infalibilidade pontifícia nas afirmações feitas ex Cathedra com relação à fé e à moral. E definiu o poder do papa e dos bispos como "ordinário" (ou seja, não delegado), "imediato" (vem diretamente de Deus) e episcopal. A jurisdição do papa foi sobre toda a Igreja; a dos bispos, sobre a própria diocese. Abriu-se assim o problema da coexistência desses dois poderes.

O Vaticano II (1963-1965), ao invés, afirmou a colegialidade, a corresponsabilidade do episcopado com o papa e balanceou a ênfase do poder do papa do Vaticano I. Mas o modelo do poder pontifício continuou sendo aquele desenvolvido por Pio IX, em particular durante o reinado de Wojtyla.

Agora, muita coisa poderia mudar. E o fato de que a primeira nomeação curial de Francisco (nesse sábado) foi a de um religioso franciscano – o padre José Rodriguez Carballo tornou-se secretário dos Religiosos – é um sinal que diz muito.

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