Estudo liga extremos climáticos a aquecimento global

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Por: Cesar Sanson | 27 Fevereiro 2013

Pesquisa revela que eventos climáticos extremos são causados por distúrbios nos padrões de fluxos atmosféricos, o que pode ser uma evidência de que esses fenômenos tem um fator comum, as mudanças climáticas.

A reportagem é do sítio Instituto Carbono Brasil, 27-02-2013.

O que a seca de 2011 nos Estados Unidos, a onda de calor de 2010 na Rússia e as enchentes sem precedentes no Paquistão nesse mesmo ano têm em comum? Para os céticos climáticos, nada, mas um novo estudo do Instituto Potsdam para Pesquisas de Impacto Climático (PIK) sugere que esses extremos climáticos podem ter uma causa em comum: o aquecimento global.

Os dados da nova análise do PIK, que levaram 32 anos para serem coletados, indicam que alterações nos padrões de fluxos atmosféricos, responsáveis pelas correntes de ar, ventos e deslocamento de umidade e calor pela Terra, são a causa comum que pode estar ocasionando esses fenômenos extremos.

O que acontece é que uma parte importante do movimento atmosférico nas latitudes médias da Terra normalmente forma ondas de ar que vagam pelo planeta, oscilando entre as regiões tropicais e árticas. Quando há esse deslocamento, as ondas absorvem o ar quente dos trópicos e o levam para o Hemisfério Norte, posteriormente absorvendo o ar frio do Ártico e fazendo o movimento inverso.

No entanto, os cientistas descobriram que durante os eventos climáticos extremos, essas ondas atmosféricas ficam estagnadas, às vezes por semanas. Então, em vez de, por exemplo, trazer o ar frio depois de ter trazido o ar quente, elas continuam a emanar calor por mais tempo em uma mesma região.

“O tempo é essencial aqui: dois ou três dias de 30 graus Celsius não são problema, mas 20 ou mais dias levam a um extremo de estresse de calor. Como muitos ecossistemas e cidades não são adaptados a isso, períodos de calor prolongados podem resultar em um elevado número de mortos, incêndios florestais, e perdas dramáticas de colheitas”, diz o estudo.

O que agrava essa situação é o fato de que as mudanças climáticas causadas pela emissão de gases do efeito estufa (GEEs) provenientes da queima de combustíveis fósseis não levam a um aquecimento uniforme – pelo contrário.

No Ártico, por exemplo, o aumento das temperaturas é maior, o que reduz a diferença de temperatura entre a região ártica e região temperada, e é essa diferença que leva à movimentação das ondas atmosféricas. Por isso, o aquecimento do Ártico tem como consequência uma maior estagnação das ondas, levando aos extremos climáticos.

Além disso, a diferença de absorção de calor entre oceanos e continente também ajuda a gerar uma movimentação das ondas atmosféricas, mas as atuais transformações, como o degelo no Ártico, estão fazendo com que essa diferença também diminua.

“Esses dois fatores são cruciais para o mecanismo que detectamos. Eles resultam em um padrão não natural do fluxo de ar das latitudes médias, então para períodos prolongados as ondas sinópticas ficam presas”, afirma Vladimir Petoukhov, principal autor da pesquisa. Apesar de admitirem que alterações naturais também influenciam nos eventos climáticos extremos, os dados mostram um aumento na ocorrência desses padrões atmosféricos específicos que é estatisticamente significativo, chegando a um nível de 90% de confiança.

“Nossa análise dinâmica ajuda a explicar o crescente número de extremos climáticos. Ela complementa pesquisas anteriores que já ligavam tais fenômenos às mudanças climáticas, mas não identificavam um mecanismo por trás disso”, comentou Hans Joachim Schellnhuber, diretor do PIK e coautor do estudo.

“Esse é um grande avanço, mesmo que as coisas não sejam nada simples – o processo físico sugerido aumenta a probabilidade de extremos climáticos, mas fatores adicionais certamente também têm um papel, incluindo a variabilidade natural”, acrescentou Schellnhuber.

Mesmo não esclarecendo o fenômeno por completo , a pesquisa ajudou a avançar significativamente na compreensão da relação entre os extremos climáticos e as mudanças climáticas antropogênicas. As novas informações mostram que o aumento nos extremos climáticos não é apenas uma resposta linear a uma tendência média de aquecimento, e o mecanismo descoberto explica, ainda que parcialmente, a ligação entre os fenômenos.

O estudo será publicado em breve no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences.

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