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Por: Jonas | 20 Fevereiro 2013

“Temos que consolidar os processos revolucionários” do continente, disse o presidente reeleito do Equador, um comentário ressonante em um país que utiliza o dólar norte-americano.

A reportagem é de Mercedes López San Miguel e publicada no jornal Página/12, 20-02-2013. A tradução é do Cepat.

Ao se analisar o discurso de um mandatário, é possível se aproximar da construção simbólica que este faz da realidade, sustentam alguns acadêmicos. Nesta perspectiva, da sacada do Carondelet, Rafael Correa deixou claro o seu interesse pela região e sua visão da situação internacional. Disse no domingo, diante do olhar atento de seus seguidores: “Estamos construindo a pátria pequena, o Equador, e a pátria grande, a nossa América”. E, minutos depois, acrescentou: “Temos que consolidar os processos revolucionários que estão acontecendo na América Latina”.

Antes da chegada deste economista, com estudos no exterior, ao poder, o Equador possuía uma estreita relação com os Estados Unidos. Desde 2007, este país com 14 milhões de habitantes se aproximou com passo firme de seus vizinhos, rejeitando os tratados de livre-comércio que o Norte propunha. Correa afirmou que seu país recuperou a soberania, durante seu governo, com o foco centrado na integração regional. O analista da Flacso (Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais), Franklin Ramírez Gallegos, destaca que a reeleição de Correa abre perspectivas para que o Equador assuma maior protagonismo no processo de integração. “Correa enfatizou a necessidade de uma união financeira, consciente de que existe um amadurecimento geopolítico regional”.

Os rivais de Correa acusam-lhe de antepor a ideologia aos interesses do país e de não priorizar o investimento estrangeiro. O presidente reeleito se dirigiu a eles quando disse: “Bem-vindo ao investimento estrangeiro que está chegando, mas supondo que não estivesse chegando, estamos alcançando os objetivos, não se pode confundir os meios com os fins”. Dois de seus adversários nesta campanha, o ex-banqueiro Guillermo Lasso e o ex-coronel Lucio Gutiérrez, propuseram comercializar acordos com Washington e se integrar à Aliança do Pacífico, formada por Chile, Peru, México e Colômbia. Algo que não está nos planos de Correa, que se sente a vontade por participar da ALBA, um bloco que surgiu para se contrapor à ALCA, incentivada por Bush.

As relações entre Equador e Estados Unidos têm sido distantes e tensas. Correa não apenas acusou Washington de se infiltrar na polícia equatoriana e de dominar a Organização de Estados Americanos (OEA), como também, em 2010, expulsou a embaixadora norte-americana em razão de um documento vazado pelo Wikileaks, que sugeria que ele havia nomeado um corrupto como chefe da polícia, conscientemente, para controlá-lo. Em resposta, o governo de Obama retirou o embaixador equatoriano. Recentemente, reestabeleceram o contato diplomático.

A ideia de que o Equador integre o Mercosul agrada Correa. No entanto, alguns especialistas advertem que se esse passo fosse dado, não se poderia firmar um acordo comercial com a União Europeia, seu segundo maior mercado, pois teria que adotar as tarifas exteriores comuns ao bloco sul-americano, não podendo negociar taxas diferenciadas com Bruxelas. O analista Ramírez Gallegos aponta que o Equador, como país dolarizado, possui problemas de acesso aos recursos internacionais. “Para o Equador é sensível assegurar os acordos comerciais, pois não temos soberania monetária e não está na agenda de Correa sair do dólar”. Em sua opinião, está para ser observado se os países são capazes de fortalecer os processos com mais instituições. “É necessário que saltem de uma diplomacia presidencial para uma diplomacia mais institucional, de consolidação dos mecanismos de integração”.

Diante das críticas, Galo Mora, secretário executivo da Aliança País, em declarações à agência EFE, disse que na política exterior Correa atuou no cumprimento do direito internacional. Como exemplo, Mora apresentou o fim do contrato com os Estados Unidos, que lhes permitiam o uso de uma base militar – Manta – para a luta antinarcóticos e a concessão de asilo a Julian Assange, fundador do Wikileaks. O fato do Equador ter abrigado em sua embaixada, em Londres, o arqui-inimigo de Washington e defensor da liberdade de expressão, centrou a atenção da impressa mundial como nunca.

Há quem veja Correa como um sucessor de Hugo Chávez. Em relação a isto, Correa mostrou-se respeitoso e disse que não se trata de um posto que esteja vacante. E que ele estará onde a pátria pequena, Equador, e a pátria grande, América, requeiram-lhe.

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