Filme sul-coreano leva o Leão de Ouro em Veneza. Uma denúncia "das consequências do capitalismo extremo"

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10 Setembro 2012

Pietà, filme do sul-coreano Kim Ki-duk, é o grande vencedor do Festival de Veneza. Com sua fábula de denúncia ao que definiu como "as consequências do capitalismo extremo", derrotou o favorito, The Master, de Paul Thomas Anderson.

O filme de Anderson, no entanto, rendeu o Leão de Prata pela melhor direção e também a Coppa Volpi de interpretação masculina, dividida entre seus dois protagonistas, Philip Seymour Hoffman e Joaquin Phoenix.

A reportagem é de Luiz Zanin Oricchio e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 09-09-2012.

O Prêmio Especial do Júri foi para o anticlerical Paraíso Fé, do austríaco Ulrich Reidl. A Coppa Volpi de atriz ficou para Hadas Yaron, pelo inexpressivo israelense Fill the Void. Para Olivier Assayas e seu belo Aprés Mai restou apenas o prêmio de melhor roteiro.

È Stato il Figlio ("Foi o Filho"), de Daniele Ciprì, ganhou o troféu pela melhor contribuição técnica - no caso, a fotografia dessa história desenrolada na Sicília.

E o troféu Marcello Mastroianni, para ator estreante, foi para o jovem Fabrizio Falco por Bella Adormentata e È Stato il Figlio. O duplo e competente trabalho garantiu ao rapaz essa conquista. Parece, de fato, um dos talentos do novo cinema italiano.

Troca

A cerimônia de premiação não se deu sem confusões, como já virou hábito na Itália. Para se ter ideia, dois dos principais prêmios, o de direção e o Prêmio Especial do Júri, foram trocados e, depois de constatado o equívoco, tiveram de chamar os premiados para que pegassem o troféu certo.

A premiação de Kim Ki-duk não foi uma surpresa. Há uns dois dias se falava, no Lido, de que levaria o Leão. Mas sempre havia a tese de que Paul Thomas Anderson fora a presença mais esperada no Lido e entrara à última hora com um filme tecnicamente complicado, rodado em 35 milímetros. Além disso, o júri era presidido pelo americano Michael Mann, que poderia ficar tentado em trazer mais um Leão de Ouro para seu país, como fizera recentemente Quentin Tarantino. Mas não foi assim. Se Anderson ficou com prêmios muito significativos, o principal lhe escapou.

O premiado principal tem muitos méritos. Conta a história de um cobrador de dívidas cruel, que trabalha para um usurário. Ele tem métodos de cobrança cruéis, que consistem em forjar acidentes para que os endividados possam levantar indenizações e assim pagar o credor. Sua vida muda com a chegada de uma mulher que se apresenta como sua mãe, que o teria abandonado na infância. Cruel, poético e subversivo, encantou crítica e público em Veneza. O júri o reconheceu.

Em sua 69.ª edição, e sob nova direção, Veneza fez um belo festival. Se não houve nenhuma obra-prima, não faltaram filmes muito bons e muito estimulantes. No atual estado do cinema mundial, é algo para se comemorar.

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