Vaticano: investigação antivazamentos

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26 Abril 2012

Uma comissão cardinalícia, presidida pelo cardeal Julián Herranz e composta por Josef Tomko e Salvatore De Giorgi irá investigar e lançar luz sobre o vazamento de documentos confidenciais do Vaticano.

A nota é de Giacomo Galeazzi, publicada no blog Oltretevere, 25-04-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

"Após a recente divulgação na televisão, nos jornais e em outros meios de comunicação de documentos cobertos pelo sigilo de ofício, o Santo Padre dispôs a constituição de uma Comissão Cardinalícia, para uma investigação com autoridade para lançar plena luz sobre tais episódios", lê-se em uma nota da Secretaria de Estado divulgada nessa quarta-feira, 25, pela Sala de Imprensa da Santa Sé.

"Sua Santidade – continua o texto – convocou para fazer parte de tal Comissão Cardinalícia, que atuará sob a força do mandato pontifício em todos os níveis, os eminentíssimos senhores cardeais Julián Herranz, que foi designado para presidi-la, Jozef Tomko e Salvatore De Giorgi. A Comissão Cardinalícia tomou posse no dia 24 de abril para estabelecer o método e o calendário dos trabalhos".

O cardeal Herranz, membro da prelazia Opus Dei, foi presidente do Conselho Pontifício para a Interpretação dos Textos Legislativos. Tomko liderou a Secretaria do Sínodo e depois a Congregação para a Evangelização dos Povos. E De Giorgi foi assistente da Ação Católica e também arcebispo de Palermo. Trata-se, portanto, de antigos purpurados de grande experiência.

A constituição do novo órgão foi anunciado no último dia 16 de março, em uma entrevista com o vice-secretário de Estado, Dom Angelo Becciu, ao L'Osservatore Romano. "A Secretaria de Estado – dissera ele – dispôs uma acurada investigação que diz respeito a todos os órgãos da Santa Sé: conduzida em nível penal pelo promotor do Tribunal Vaticano e, em nível administrativo, realizada pela própria Secretaria de Estado, enquanto uma comissão superior foi encarregada pelo papa de lançar luz sobre todo o episódio".

"O papa – revelara Becciu na entrevista concedida ao diretor do L'Osservatore Romano, professor Giovanni Maria Vian – foi mantido continuamente a par desse deplorável e triste fenômeno. Ele está entristecido, mas está sereno e olha para a frente. A esperança – acrescentara Dom Becciu – é que se recomponha a base do nosso trabalho: a confiança recíproca", que obviamente pressupõe "seriedade, lealdade, correção".

Bento XVI, apesar da dor que tudo isso lhe provoca, "nos encoraja – assegurara o arcebispo da Sardenha – a olhar para a frente, e o seu testemunho diário de serenidade e de determinação é um estímulo para todos nós". Segundo Becciu, "a deslealdade esteve na base dos vazamentos de documentos que tiveram ressonância midiática especialmente na Itália".