Girardi, um teólogo em 1968

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

02 Março 2012

Houve um tempo, durante 1968, em que muitos católicos imaginaram poder desempenhar um papel autônomo significativo – naquela época, dizia-se "de vanguarda" – dentro do movimento de contestação. Foram anos de altas taxas utópicas, em que a Cruz era desfraldada ao lado da Foice e do Martelo, e a "teologia da libertação" parecia uma concorrente credível da ideologia marxista.

A reportagem é de Dario Fertillo, publicada no jornal Corriere della Sera, 29-02-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Havia uma grande necessidade de modelos religiosos e, ao mesmo tempo, revolucionários naqueles anos: como o padre colombiano Camilo Torres, morto durante uma ação de guerrilha; e como, em um contexto totalmente diferente, o oferecido por Giulio Girardi, sacerdote salesiano , filósofo e teólogo.

Justamente ele, um dos fundadores da "teologia da libertação" e promotor do movimento Cristãos pelo Socialismo, é chorado nesta quarta-feira, 29 de fevereiro, pelos seus amigos e seguidores após sua morte aos 86 anos.

Uma vida vivida aventurosamente, a do Pe. Girardi, perito do Concílio Vaticano II na qualidade de especialista em marxismo e em ateísmo contemporâneo, depois expulso, em 1969, da Universidade Salesiana de Roma após "divergências ideológicas" por ter defendido a necessidade de uma estreita colaboração entre marxistas e católicos.

Naqueles tempos que já pareciam estar sob o brasão do eurocomunismo e do compromisso histórico, Giulio Girardi pareceu ser um profeta, exceto que, tendo chegado muito cedo, teve que pagar o preço por isso: expulso de várias universidades religiosas, depois da congregação salesiana e, por fim, suspenso a divinis.

Tudo isso não o levou a retrações nem a compromissos: os seus inúmeros livros (um acima de todos: Cristianesimo, liberazione umana, lotta di classe [Cristianismo, libertação humana, luta de classes]) se moveram sempre no mesmo sulco, embora o campo fosse minado.

A Europa também começou a parecer-lhe estreita: colaborou com o movimento sandinista na Nicarágua, tornou-se membro do Tribunal Russell sobre a América Latina, acabou até frequentando os ambientes do regime cubano. As duras réplicas da história não confirmaram as suas teorias, mas ninguém – mesmo entre os seus adversários – jamais lhe acusou de incoerência.