Resultados da visitação às religiosas dos EUA são silenciosamente submetidos ao Vaticano

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13 Janeiro 2012

Três anos depois de seu anúncio ter causado uma mistura de ansiedade, raiva e ressentimento entre muitas irmãs, os resultados de uma visitação apostólica iniciada pelo Vaticano às religiosas dos Estados Unidos foram silenciosamente submetidos a Roma. Notícias da apresentação veio em um comunicado de imprensa do escritório de visitação nos EUA 09 de janeiro.

A reportagem é do sítio National Catholic Reporter, 11-01-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Notícias da submissão dos resultados surgiram em uma nota de imprensa do escritório norte-americano da visitação do dia 9 de janeiro. [Leia aqui, em inglês].

De acordo com o Catholic News Service, o padre jesuíta Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano, confirmou no dia 10 de janeiro que a congregação vaticana para a Vida Religiosa tinha recebido os relatórios e "agora os está estudando".

A Ir. Kieran Foley, responsável de comunicação do escritório norte-americano da visitação, disse ao NCR que o escritório não irá comentar a submissão dos documentos. Os próximos passos da investigação cabem "inteiramente à congregação [vaticana]", afirmou.

Na nota de imprensa, o escritório da visitação diz que a Madre Mary Clare Millea (foto), superiora-geral das Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus e visitadora apostólica nomeada pelo Vaticano para realizar o estudo, entregara "recentemente" um "resumo geral" das descobertas da visitação ao arcebispo Joseph Tobin, secretário da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica.

A nota afirma que Millea tinha apresentado a maior parte dos relatórios sobre cada uma das quase 400 congregações religiosas dos EUA e espera concluir o restante até a metade do ano que vem.

Nenhum detalhe dos relatórios ou dos resultados da visita foi incluído na nota de imprensa. Foley, membro das Irmãs Franciscanas da Eucaristia, disse que, "neste momento", o mandato da visitação "foi cumprido".

Notícias da submissão do relatório parecem aproximar do fim um processo que foi marcado pela polêmica e pelos problemas de comunicação e que alimentou temores de que as autoridades vaticanas queriam tomar medidas sérias contra congregações religiosas errantes ou impor restrições às irmãs norte-americanas.

A visitação iniciou em janeiro de 2009 sob o comando do cardeal Franc Rodé, então presidente da Congregação para a Vida Religiosa. Rodé, que já se aposentou, inicialmente disse que seu objetivo seria o de estudar a comunidade, a oração e a vida apostólica das ordens femininas.

Mas, depois de quase um ano de estudo, Rodé disse à Rádio do Vaticano que a investigação ocorria em resposta a preocupações, incluindo "de um importante representante da Igreja dos EUA" com relação a "algumas irregularidades ou omissões na vida religiosa norte-americana. Acima de tudo, se poderia dizer, isso envolve uma certa mentalidade secular que se espalhou nessas famílias religiosas e, talvez, também um certo espírito 'feminista'".

As notícias sobre a visitação foram seguidas por um anúncio de que a Leadership Conference of Women Religious, que representa muitas das ordens religiosas femininas dos Estados Unidos, seria submetida a uma avaliação doutrinária pela Congregação para a Doutrina da Fé.

Também se seguiu a notícia de que Rodé havia pedido que a Conferência dos Bispos dos EUA ajudasse a cobrir os custos da visitação, que foi estimado em cerca de um milhão de dólares.

O processo de visitação começou com encontros entre Millea e 127 lideranças das ordens femininas dos EUA. Um questionário foi enviado aos membros das ordens perguntando-lhes sobre a identidade, o governo, a promoção vocacional, as políticas de formação, a vida espiritual e as finanças das ordens.

Preocupações acerca da extensão e da intenção da investigação levaram muitas religiosas a se recusar a preencher o questionário ou a enviar cópias das constituições de suas ordens no lugar das respostas.

Essa resposta levou Millea a escrever ao menos três cartas, pedindo que as irmãs reconsiderassem o preenchimento do questionário. Em uma delas, Millea escreveu que seu relatório final "pode levar em conta apenas os dados que eu receba".

"Portanto, mais uma vez, eu as convido a me enviar os dados não previamente submetidos no questionário da visitação apostólica", escreveu ela na carta do dia 3 de dezembro de 2010,.

Depois da coleta dos questionários, equipes de visitadores coordenadas por Millea viajaram por todo o país em 2010 para se encontrar com as lideranças das congregações, assim como com membros individuais das ordens religiosas. Dezenas de voluntários visitaram cerca de 90 congregações.

Enquanto a investigação continuava, uma mudança marcante de tom pareceu ocorrer quando os membros da congregação vaticana para os religiosos mudaram. O número dois da congregação, o arcebispo Gianfranco Gardin, se aposentou em 2009, e Rodé a deixou em 2011.

Quando Tobin assumiu o cargo o secretário da congregação em 2010, a retórica da visitação mudou. Tobin, norte-americano, encontrou-se com as religiosas norte-americanas para discutir o processo. Ele disse ao CNS, em agosto de 2011, que a fase inicial da visitação "realmente não favoreceu" o diálogo e afirmou que esperava curar as fissuras entre as irmãs e o Vaticano.

Pouco depois que o Vaticano nomeou o substituto de Rodé, o arcebispo brasileiro Dom João Braz de Aviz, há um ano, o novo presidente da congregação para os religiosos disse ao NCR que queria "aprender a caminhar com" as religiosas dos EUA e queria "criar confiança".

Na declaração do escritório da visitação do dia 9 de janeiro, Millea reconheceu que a visitação tinha "gerado um interesse generalizado" e disse que tinha levado a uma "apreciação renovada pelo papel das religiosas na Igreja e na sociedade e aumentou o diálogo e a consciência mútua entre as várias comunidades dos Estados Unidos".

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