Carta de Dom Gonzalo López Marañón sobre o fim do seu jejum

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19 Junho 2011

No dia 16 de junho de 2011, terminou o jejum de Dom Gonzalo López Marañón, depois de 24 dias pedindo paz e reconciliação em Sucumbíos, no Equador. Em uma carta, o bispo explica as motivações de seu jejum.

A nota é do blog da Igreja de San Miguel de Sucumbíos - Isamis, 17-06-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Carta de Dom Gonzalo
16 de junho de 2011

Aos irmãos bispos do Equador e do mundo.
A@s irm@os na fé e cidad@os de Sucumbíos e de todo o Equador.
A todas as pessoas de boa vontade.

PAZ NO SENHOR:

No dia 24 de maio passado, comuniquei-me com vocês para que soubessem o meu propósito de iniciar, nesse mesmo dia, um jejum pessoal por tempo indeterminado buscando a reconciliação entre todos os irm@os da província e da Igreja de Sucumbíos, tão cruelmente partida desde o final do ano passado, e para que se curem as feridas abertas e retorne a paz àquela terra, muito querida para mim.

E hoje, nesta tarde do dia 16 de junho, alegra-me anunciar-lhes que dou por concluído esse tempo de 24 dias de jejum e de bênção com a mesma esperança com que comecei, pois já aparecem indícios e sinais confiáveis e claros em Sucumbíos de que as coisas vão se endireitar pelo caminho justo, abrindo de novo caminhos de esperança e de concórdia rumo a essa paz cidadã e eclesial que o Senhor venturosamente nos presenteou no nordeste [do Equador] durante as últimas décadas.

Por isso, de todo o coração, dou graças ao Pai de toda a bênção, assim como à nossa amada Mãezinha do Cisne, padroeira tão querida de todos os sucumbienses. E não posso deixar de lado, nesta hora de agradecimentos, a tantas pessoas particulares e instituições de muitas partes do mundo, tanto da Igreja quanto do Estado e de outros âmbitos institucionais, que, de mil maneiras, expressaram seu carinho e adesão, não só comigo, mas também com a Igreja e o povo de Sucumbíos.

Depois de tudo, foi unicamente um desejo profundo de irmandade humana e cristã que me levou a dar a Jesus e ao meu povo essa amostra extrema de amor, oferecendo-lhe assim tudo o que posso lhe dar da minha pobre humanidade.

Nós também, os de Sucumbios (como Jesus e os seus), fomos sacudidos por furacões e tormentas infindáveis, e alguma vez nos atrevemos a reclamar a Jesus, muito assustados, assim como fizeram aqueles discípulos atemorizados: "Não te importa que naufraguemos?". E ele nos responderá: "Por que sois tão cõvardes? Ainda não tendes fé?" (Mc 4, 35-41).

E embora isso pôde nos acontecer às vezes em meio a tantas turbulências ameaçadoras, dou graças ao Pai e ao seu Filho e nosso Mestre JESUS, sobretudo por vocês, meus irmãos e irmãs de Sucumbíos, por esse exemplo formidável de serenidade, fidelidade e força, que deram a todas as Igrejas e ao mundo, mostrando em sua simplicidade que outra Igreja é possível e que outro mundo é possível. Graças sejam dadas a Deus por todos vocês, por meus irmãos e irmãs no Carmelo, meus amigos e amigas, mas, atenção: que o caminho do retorno apenas começou.

Pe. Gonzalo López Marañón, carmelita descalço

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