Poucas mudanças são propostas para a declaração dos bispos dos EUA sobre abusos

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17 Junho 2011

Se aprovada tal como foi apresentada aos bispos católicos dos EUA nesta quarta-feira, durante a sua reunião semestral em Bellevue, Washington, a revisada Declaração para a Proteção de Crianças e Jovens apresentaria pouco mais do que algumas atualizações de datas e de números e correções linguísticas para maior clareza. E isso tem desencorajado alguns observadores.

A reportagem é de Dan Morris-Young, publicada no sítio National Catholic Reporter, 15-06-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A maior parte da assembleia geral foi reservada para uma revisão da declaração primeiramente aprovada em Dallas, em 2002, e depois revisada em 2005.

Esperava-se que o debate seria alimentado pelo recente lançamento do relatório As causas e o contexto do abuso sexual de menores por padres católicos nos Estados Unidos, 1950-2010, muitas vezes chamado de relatório John Jay, por ter sido escrito por pesquisadores do John Jay College de Justiça Criminal, de Nova York. O relatório levou oito anos para ficar pronto.

O relatório John Jay "é um ponto de partida a partir do qual a Igreja Católica e, especialmente, seus líderes devem continuar tomando medidas para mostrar que serão firmes na abordagem dos abusos sexuais de menores", escreveu Dom Blase J. Cupich, de Spokane, Washington, presidente da Comissão para a Criança e a Proteção da Juventude dos bispos dos EUA, na edição do dia 30 de maio da revista America.

"Este não é um tempo para que os bispos se sentem e se aplaudam por terem compreendido um momento vergonhoso da história da Igreja", acrescentou. "No mínimo, as lideranças da Igreja devem agora dar um passo à frente e oferecer uma nova vitalidade à sua promessa de proteger e ao seu compromisso de curar".

De acordo com o cronograma do encontro, o esboço da revisão da declaração está programado para ser apresentado ao corpo geral dos bispos na manhã desta quarta-feira, e o debate está agendado para durante um jantar na noite do mesmo dia, fechado à imprensa.

Um membro da Comissão de Proteção de Crianças e Jovens dos bispos, que preparou o documento da declaração atualizado observou que as alterações a ele poderiam ser oferecidos a partir da tribuna do encontro dos bispos. Ele indicou ter ouvido de alguns que poderia ser oferecido um potencial que "pode tornar a declaração ainda mais compacta, mais forte". Mas não deu mais detalhes.

Os advogados das vítimas de abuso sexual do clero esperavam que os bispos usariam essa oportunidade – que vem na esteira das recentes revelações de abuso sexual clerical em lugares como a Filadélfia e Kansas City, Missouri – para dar mais poder à declaração e ao documento de acompanhamento "Normas essenciais para políticas diocesanas/eparquiais para lidar com alegações de abuso sexual de menores por padres ou diáconos".

No entanto, a maioria das mudanças para a declaração sob consideração envolvem o alinhamento do documento às recentes instruções do Vaticano em resposta à crise dos abusos sexuais de menores por padres.

O site BishopAccountability.org emitiu um comunicado de imprensa nesta terça-feira dizendo que estava "consternado" pelo fato de o esboço da declaração revisada ser "quase idêntica à atual política, apesar das horríveis evidências... de que as atuais políticas da Igreja são perigosamente lenientes e cheias de lacunas".

O site obteve uma cópia antecipada do projeto de "um bispo que não quer ser identificado nem entrevistado", contou o fundador da organização com sede em Boston, Terence McKiernan.

O grupo divulgou uma cópia do esboço proposto em seu site, juntamente com uma crítica da declaração.

O BishopAccountability.org pediu estas alterações na declaração:

  • Denúncia obrigatória de todas as alegações de abuso sexual aos conselhos de revisão diocesanos, "não apenas aqueles que o bispo seleciona";
  • Exigir que os "bispos e seus auxiliares denunciem todas as alegações, sem exceção, às autoridades civis";
  • Reforçar a "tolerância zero" exigindo que os bispos "removam imediatamente padres que são acusados de abuso", argumentando que, "atualmente, os padres acusados podem continuar no ministério por meses ou até mesmo anos, a critério do bispo";
  • Restabelecer os conselhos de revisão de apelações para que as vítimas de abuso "possam recorrer a uma decisão do conselho de revisão";
  • Reforçar a linguagem de acordo à confidencialidade para enfrentar situações em que parece "que os sobreviventes ainda estão sendo coagidos a aceitá-las";
  • Desenvolver um "rigoroso código de conduta" para os coordenadores de assistência às vítimas na esteira da evidência de "traição dos sobreviventes... recentemente revelada na Filadélfia e em Cleveland";
  • Especificar que "qualquer bispo que abusa de uma criança, ou que permite o abuso de uma criança, ou que o tenha feito no passado" deve ser denunciado às autoridades civis, e não ao núncio papal como as revisões dos bispos propõem".

O outro grande documento a ser votado pelos bispos é To Live Each Day With Dignity [Viver cada dia com dignidade], que será a primeira declaração sobre o suicídio assistido de todo o corpo dos bispos.

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