Sucumbíos. Risco de confronto

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20 Mai 2011

Os 12 religiosos da congregação dos Arautos do Evangelho iam e vinham. Alguns conversavam com os fiéis que chegaram a apoiá-los; outros tentavam continuar suas atividades pastorais. Assim, em um ambiente de tensão, encontrava-se ontem, na metade da manhã, a casa do Vicariato de Sucumbíos, uma espécie de complexo localizado junto ao rio Aguarico e três quilômetros da cidade de Nueva Loja, no Equador.

A reportagem é de Jaime Plaza, publicada no jornal El Comercio, 20-05-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O rumor de que um grupo de membros da Igreja de San Miguel de Sucumbíos - Isamis tentaria tomar o lugar fez com que o governo local dispusesse um destacamento policial. Sessenta soldados, incluindo cinco membros do Grupo de Operações Especiais - GOE, foram destacados para proteger as portas principais e os corredores do lugar.

Grupos seculares como os carismáticos e Juan XXIII também se somaram ao apoio dos Arautos.

Por determinação do Vaticano, essa congregação assumiu – no dia 30 de outubro – o Vicariato de Sucumbíos, substituindo a Ordem dos Carmelitas Descalços, que haviam permanecido na região por 40 anos e que formaram a Isamis, com sacerdotes, ministros, pastorais e leigos.

Desde janeiro, estes últimos pediram a saída dos Arautos porque, segundo Bolívar Freire, coordenador da Isamis, "não há respeito pelo trabalho que se faz todos os anos. Existe até o temor de que não se continue com o trabalho social que os carmelitas faziam".

O dirigente descartou a tentativa de tomarem a casa do Vicariato. "Somos respeitosos nesse sentido e não queremos desalojar os religiosos Arautos. Para garantir a sua segurança, vamos evitar o confronto".

O comandante da Polícia de Sucumbíos, coronel Ignacio Benítez, reconheceu ontem que existe o risco de que ocorram confrontos entre os fiéis de ambas as partes. Embora a maioria dos habitantes, assim como as instituições públicas e privadas, continuem suas atividades, nota-se a divisão nas imediações da catedral.

Ao meio-dia de ontem, na entrada da casa paroquial, houve um surto de incidentes entre seguidores da Isamis que colavam cartazes de protesto e outro grupo de fiéis em favor dos Arautos. A polícia agiu. Houve trocas de frases acusatórias de ambos os lados.

Benítez disse que, antes desse conflito, a tarefa da polícia era acalmar o ânimo das partes. Galo Proaño, morador de Sucumbíos, reclamou: "Não é possível se descuidar da segurança da cidade só para dar vigilância aos lugares em disputa".

O chefe da polícia reconheceu que se priorizou a proteção das instalações da Rádio Sucumbíos, do governo local, da casa do Vicariato e do Salão Paroquial. Até o serviço de inteligência tenta advertir algum confronto. Mas assegurou que, nas próximas horas, chegarão reforços de outras províncias.

Desde a tarde de quarta-feira, mantém-se a proteção a um grupo de seguidores dos Carmelitas, que já cumpriram 133 dias de vigília. Eles improvisaram um altar com uma imagem da Virgem de El Cisne, na entrada da catedral, que está sendo construída. Ali, cerca de 30 pessoas rezavam e cantavam, e, segundo Bolívar Freire, todos os dias chegam delegações de diversas comunidades e organizações da Isamis.

Entre os bens do Vicariato se encontra a Radio Sucumbíos. Desde março, a emissora permaneceu sob uma tomada simbólica de fiéis da Isamis, que resistem ao fato de a emissora passar para as mãos dos Arautos. Na segunda-feira, 17 empregados foram notificados com a aprovação dos administradores, os Arautos. Nesse dia, policiais e religiosos entraram nas instalações e houve incidentes.

Mas os seguidores da Isamis continuam na emissora. Ontem, transmitiam mensagens de reivindicação do trabalho social da Isamis. Na metade da manhã, o locutor observou que havia o risco de que a rádio ficasse sem energia elétrica. Isso porque tinham dívidas de 532 dólares de três contas de consumo. Alcívar Bravo, diretor da emissora, disse que era porque as contas estavam congeladas. Em seguida, iniciou-se uma coleta e, até o meio-dia, já se havia oferecido mais de 600 dólares.

Rafael Ibarguren, administrador apostólico do Vicariato e principal representante dos Arautos em Sucumbíos, disse ontem que "essa decisão foi assumida por causa do déficit que a rádio enfrenta e não era possível chegar a nenhum acordo, porque eles (os empregados) estão em uma atitude fechada".

Perto das 19h, os 12 religiosos dos Arautos viajaram por terra para Quito. Segundo um policial, os membros e patrulheiros do GOE os acompanharam, por proteção, até o distrito de El Reventador, a duas horas de Lago Agrio.

Seguidores dos Arautos comentaram que o grupo tinha a intenção de se reunir com a Conferência Episcopal, em Quito. Nesse diálogo, também estará presente, acrescentaram, uma delegação dos Carmelitas Descalços.

Até depois das 21h30, nas ruas de Nueva Loja, dezenas de pessoas a pé e em carros apoiavam os religiosos.

Em Nueva Loja

A sociedade dos Arautos apresentou uma denúncia na Promotoria de Sucumbíos contra membros da Isamis que lideram o protesto na Rádio Sucumbíos, por suposto terrorismo organizado.

A prefeita de Sucumbíos, Nancy Morocho, tentou mediar o conflito. Dispôs a proteção da casa do Vicariato e da Rádio Sucumbíos. Em uma coletiva de imprensa, disse que "a Igreja é responsável por esse problema e tem que encontrar uma solução".

Tanto os Arautos do Evangelho quanto os leigos da Isamis (formados pelos Carmelitas Descalços) rezam missas campais. As missas diárias dos Arautos na casa da Catedral foram suspensas, por causa da tomada de posse dos seguidores da Isamis.

Dos Arautos

Nome: Rafael Ibarguren (foto)
Missão: Administrador apostólico dos Arautos do Evangelho

Rafael Ibarguren, argentino de 59 anos e membro dos Arautos do Evangelho, substituiu Gonzalo López no Vicariato de Sucumbíos. No dia 30 de outubro, o Vaticano decidiu que ele assumiria a representação dessa Igreja. O governo rejeitou a sua nomeação. Mas o modus vivendi prevê que o Executivo só pode se pronunciar sobre os bispos. Ibarguren tem um menor grau na hierarquia católica: administrador apostólico.

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