Dilma aconselha ministra a "ficar firme" e enquadra PT

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11 Mai 2011

A presidente Dilma Rousseff deu ontem pessoalmente uma demonstração de apoio à ministra da Cultura, Ana de Hollanda, cuja permanência no cargo foi colocada em dúvida nesta semana por setores do PT e do governo.

A reportagem é de Natuza Nery, Ana Flor e Vera Magalhães e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 12-05-2011.

Dilma cruzou com a ministra ao deixar o salão nobre do Planalto, após um evento. Virou-se, colocou as mãos em seus ombros e disse, antes de entrar no elevador privativo: "Fica firme, Ana".

A ministra, no centro de uma crise dentro da própria pasta e no meio cultural, retribuiu com um sorriso.

Mais tarde, coube ao ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, reforçar o apoio da presidente, em reunião no MinC com os secretários da pasta e das entidades vinculadas.

Carvalho disse a todos que Dilma apoia integralmente as políticas da ministra para a pasta, inclusive a ampliação do debate sobre a mudança na Lei de Direito Autoral -um dos principais focos de insatisfação no PT.

A reunião durou duas horas e contou com cerca de 15 pessoas. O ministro avisou aos presentes que quem tentar "desestabilizar" a ministra vai "quebrar a cara". "Não passarão", afirmou.

Ele pediu "coesão" dos secretários em apoio a Ana de Hollanda. O recado foi entendido como uma forma de cessar o "fogo amigo" do segundo escalão contra ela.

Carvalho abriu o encontro parabenizando a ministra pela "coragem" que demonstrou ao manter um compromisso público em São Paulo no início da semana, apesar dos boatos de que haveria manifestações contra ela.

Ana de Hollanda pouco falou. Quando o fez, procurou mostrar que está trabalhando normalmente. Citou a própria discussão sobre direitos autorais e os projetos do ministério para a Copa de 2014.

Também estava na reunião Morgana Eneile, dirigente do PT nomeada sua assessora especial - "interventora" escalada para ajudar a conter a disputa no órgão.

Após a reunião, todos os secretários e órgãos vinculados ao ministério divulgaram nota na qual repudiam "a forma como o ministério vem sendo atacado por aqueles que insistem em não reconhecer o diálogo e as ações concretas empreendidas nesses primeiros 120 dias".

Declarando "união" em torno de Ana de Hollanda, afirmaram que "esse processo deve sempre ser orientado pela defesa dos melhores valores culturais".

Mais tarde, no Planalto, Carvalho disse que "as plantações" contra a ministra "não estão frutificando" e repetiu que quem aposta "na instabilidade vai quebrar a cara". Ele afirmou que "em nenhum momento" Dilma pensou em demitir a auxiliar.

Além dos direitos autorais, as críticas à ministra se devem à suspensão de pagamento de convênios e à retirada do selo Creative Commons (licença para uso de conteúdo) do site da pasta.

A campanha contra ela no PT começou quando cancelou a nomeação do sociólogo Emir Sader para presidir a Fundação Casa de Rui Barbosa. Ele havia dito à Folha que a ministra era "meio autista".