Manifesto da Igreja de San Miguel de Sucumbíos

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09 Fevereiro 2011

No final de outubro de 2010, lideranças religiosas do Vicariato de San Miguel de Sucumbíos, no Equador, lançaram um manifesto em que tornam público suas preocupações em relação ao tratamento dado à diocese e seu bispo emérito.

O pronunciamento encontra-se no sítio da Conferência dos Religiosos do Equador. A tradução é do Cepat.

Eis o manifesto.

Hoje, 29 de outubro de 2010, na Província de Sucumbíos, nossa Igreja de San Miguel de Sucumbíos, suas Comunidades, Ministérios, Agentes de Pastoral, Equipes Missionárias, Religiosas, Religiosos e sacerdotes e todo o povo de Deus queremos dizer que:

Durante mais de 40 anos esta Igreja, presidida pelo nosso bispo Gonzalo López Marañón, tem sido um sinal de vida no meio desta parte da Amazônia equatoriana.

Essa vida que foi surgindo, muitas vezes a partir de situações de morte, se manifesta em comunidades cristãs em todos os rincões da província, entre camponeses, indígenas, negros e urbanos. Com uma grande riqueza de ministérios laicos e ministérios ordenados (diáconos permanentes e sacerdotes diocesanos) celebrando a fé em Jesus em torno da Palavra e seguindo o modelo de Maria, como Primeira Discípula Missionária, manifestando-se nas festas religiosas populares. A catequese e a celebração dos Sacramentos são parte central da vivência da fé do povo de Deus. Este caminho é apoiado por estruturas de participação em diferentes níveis desde as comunidades vivas até as diocesanas.

Também se manifesta em uma infinidade de obras sociais, organizações populares nascidas no interior da Igreja, em projetos de promoção humana, na existência de comunidades de vida compartilhada em todos os rincões da Província, em uma defesa continuada dos Direitos Humanos e na felicidade de tantas pessoas pobres que descobriram as fontes de sua dignidade humana e se colocaram de pé como filhas e filhos de Deus e irmãos e irmãs.

Nesta Igreja de Sucumbíos foram se produzindo nestes últimos anos alguns fatos que não podemos ignorar:

  • Em outubro de 2008, Gonzalo, nosso bispo, completou a idade jubilar de seu ministério episcopal, razão pela qual apresentou a renúncia da responsabilidade confiada pela Igreja. Em dezembro do ano passado (2009), tivemos a Visita Apostólica, sendo Visitador o Mons. Filipo Santoro – bispo de Petrópolis-RJ. Nunca se recebeu um relatório de sua visita até a presente data.
  • Transcorridos dois anos desde a renúncia de Gonzalo, e ainda não foi feita a nomeação do novo bispo. Durante este tempo houve um silêncio total, não houve aproximação nem acompanhamento, nem palavras por parte das autoridades competentes, solicitando-lhe que continuasse acompanhando a Igreja enquanto se processava a sua sucessão.
  • No sábado passado (23 de outubro de 2010), o Núncio Apostólico comunicou a Gonzalo que em apenas uma semana, isto é, sábado 30 de outubro, se dará posse ao novo Administrador Apostólico de Sucumbíos, e mediante uma carta do cardeal Mons. Iván Díaz, encarregado da Congregação para a Evangelização dos Povos, se diz que ele terá de entregar imediatamente o Vicariato e se pede que saia da diocese, convidando-o para retornar ao seu país de origem.
  • É muito triste que por parte da Igreja da qual somos parte, o nosso bispo que é o símbolo da Igreja Comunidade, depois de 40 anos dando a sua vida nestas terras, e ao final de seu ministério episcopal, receba este trato, rompendo assim a tradição evangélica, que convida à correção oportuna e fraterna (Mt 18, 15ss). Esperávamos o sucessor de Gonzalo em atitude de confiança porque cremos com João XXIII que a Igreja é Mãe. Mas os fatos relatados doem e questionam o ser da Igreja como Mãe.

Diante desta situação:

DENUNCIAMOS com firmeza, mas com paz, o que sentimos com profunda dor e tristeza:

  • A forma como se deram os fatos e a maneira tão depreciativa com que se despediu o nosso querido amigo e irmão Gonzalo.
  • O fato de que o Núncio Apostólico nunca tenha nos visitado, apesar dos diversos convites que lhe foram feitos.
  • O fato de que se tenha passado por alto a história e a trajetória de uma Igreja participativa, comunitária e ministerial, constituída segundo o espírito do Concílio Vaticano II e do Magistério da Igreja da América Latina.
  • O fato de que a posse se converta em um ato privado e formal sem a participação do próprio povo de Deus que está sustentando esta Igreja.

Também DESEJAMOS em fidelidade criativa SEGUIR:

  • Caminhando como povo de Deus gerando e trabalhando pela VIDA nesta província de Sucumbíos.
  • Realizando o processo de conversão à Grande Missão Continental, à qual nos convida a Assembleia de Aparecida.
  • Cultivando nossa tradicional atitude de acolhida a todas e todos os agentes de pastoral em especial àqueles que se integram neste momento à nossa Igreja juntamente com o novo Administrador Apostólico.

Continuamos SONHANDO com:

  • A utopia da libertação integral de varões e mulheres desde os pobres pela causa do Reino.
  • Uma Igreja que caminha com os dois pés (Evangelização e Pastoral Social) e que quer viver integradamente a experiência de discípulas e discípulos e missionárias e missionários de Jesus.
  • Agradecemos a Deus Pai-Mãe que nos deu a oportunidade de viver nestes 40 anos a experiência de Igreja das primeiras comunidades cristãs (At 2, 42-47).

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